Mas será amor reiterado à mentira?

Apareceu-me este texto à frente e fiquei indisposta. Dê as voltas que dê, não entendo a razão por que um sacerdote católico escreve um texto cheio de mentiras e aldrabices a propósito de Diana Spencer. É certo que este padre católico escreve com frequência coisas que revolvem as entranhas, mas que decida mentir à conta da Princesa Diana, que morreu há vinte anos, é algo que me escapa. Poderia dar-se o caso de querer reeditar a guerra – de que agora ninguém se lembra e que os mais novos nem deram pela conta – entre os partidários de Diana e os da família real britânica, em prol da causa monárquica. Mas nem isto tem razão de ser. A rainha aprendeu a lição com a morte de Diana, soube ser humilde e perceber que o papel que os súbditos dela esperavam se alterara – é ver por exemplo a reação da Rainha depois do incêndio de Kensington deste verão, ou depois dos atentados terroristas em Londres em 2005 -, está tudo pacificado, o filme A Rainha já mostrou o seu lado, agora até a série The Crown pretende mostrar o lado humano da soberana e os seus dilemas e lhe ganha a simpatia por todo o mundo. Porquê mentir?!

Já é bastante indecoroso ter um sacerdote católico dedicando um artigo quase competo à árvore genealógica de umas tantas pessoas e comparando quem é mais nobre e quem é mais real. Mas para que inventa a história de que alguém alguma vez chamou a Diana ‘princesa do povo’ para fazer crer que ela era plebeia (esse supremo defeito para o articulista)?! Tony Blair chamou a Diana ‘princesa do povo’, e o nome pegou, numa alusão ao enorme amor e fascínio que o povo britânico lhe dedicava, visível na catarse lacrimal coletiva que ocorreu depois de Diana morrer. Nunca ninguém lhe escondeu o título de ‘lady’, nem a ascendência na família Spencer, impossível de camuflar, que deu rebentos (pela derivação dos duques de Malborough, o primeiro chamado John Spencer) tão desconhecidos como aquele discreto primeiro-ministro durante a segunda guerra mundial, Winston SPENCER Chulchill, de quem ninguém em Inglaterra ouviu falar ou recorda.

Também é notório, pelo que vai escrevendo, que o articulista, apesar de padre católico, gostaria de um deus-juiz e não aprecia grandemente a misericórdia. Por isso aproveita para terminar o texto informando que Diana não se portou sempre como a sua posição exigia. Sinceramente, que nojo. Isto perante uma pessoa que já morreu, e que com todos os defeitos que teria (todos temos, e os de Gonçalo Portocarrero de Almada são gritantes), e problemas de saúde vários, tinha um inegável espírito de serviço, grande coragem e – algo que o articulista não percebe – empatia pelo sofrimento alheio. Mostrando o ranço que lhe vai na alma, apesar de declarar que Diana nem sempre se portou como devia, branqueia o comportamento do seu marido, falando na ‘alegada infidelidade conjugal de Carlos’. Bom, Carlos de Gales assumiu numa famosa entrevista televisiva que foi infiel a Diana. Não há nada de alegado nisto.

Enfim, não percebo o objetivo de tanta aldrabice. Mas como dizia Jesus, bem-aventurados os pobres de espírito’.

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8 thoughts on “Mas será amor reiterado à mentira?

  1. c3lia

    A sério?! De todas as idiotices que se publica… é isto que pões a MJM indisposta?!?! O que eu não entendo é o motivo deste artigo. Mas enfim… cada qual sabe de si.

  2. Maria João Marques

    Sim, sou católica e ler um padre católico a analisar a genealogia de pessoas e a mentir reiteradamente, põe-me muito indisposta. E veja lá que não me ocorreu preguntar-lhe o que acha pertinente para me indispor e para escrever posts. Imperdoável da minha parte, tsss tsss tss

  3. Leio sempre com agrado o que escreve, mas aqui e lendo com bastante atenção o que o tal padre escreveu,não vejo razão para a sua indisposição. Terei lido mal?

  4. Lew Perry

    A MJM apenas fez um ataque ad hominem ao Rev. Pe. pois não tem capacidade para entender o debate.

    A MJM não percebeu que o eurocomunismo de Tony Blair é uma reestructuração mais refinada e radical do Leninismo, por leninistas.

    Em vez do antigo modelo marxista de ocupação revolucionaria e nacionalização, utilizam o modelo gramsciano da ocupação do espaço publico e a regulamentação.

    Esta é a razão pela qual o New Labour e os seus aliados na imprensa (filhos do Maio de 68) tentaram impor o epiteto. Para capturar a familia real e republicanizar a monarquia.

  5. Euro2cent

    > Deixo aqui isto como acto de caridade

    Caridade católica não amolece indignação protestante.

    Os media modernos prosperam a mandar o gado aos arames pelos motivos mais fúteis. É um desporto lucrativo.

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