Sua Santidade, o Governo

Leitura muito recomendada de Manuel Carvalho, hoje no jornal Público: Sua Santidade, o Governo:

[…] Pedir silêncio quando o Estado falha e o país arde é um absurdo a menos que tenha uma finalidade sub-reptícia: dar argumentos às hostes que defendem com unhas e dentes o Governo. Ou seja, de criar uma narrativa. Já sabemos como isso funciona. É munir os sapadores políticos dos partidos da coligação com uma cartilha: não se pode falar dos erros no combate aos incêndios; não se deve pedir a demissão da ministra; o Governo virou mesmo a “página da austeridade” porque é uma estrela que veio do firmamento para nos salvar da troika; a união de facto entre os partidos da esquerda é uma maravilha da política contemporânea celebrada pelo mundo fora e só rejeitada entre portas por causa da proverbial estupidez e inveja dos indígenas.

[…] Hoje Portugal começa a viver debaixo de uma impiedosa rede de vigilância montada pelos intelectuais do Bloco, pelos apparatchiks do PCP e pela intelligentsia socialista que se investiu da missão de purgar as mentalidades dos perigos desviantes. Só se pode falar do Governo e das suas políticas com perfume de incenso e mãos juntas em jeito de oração. Pouco a pouco, foram sendo criados os códigos, as palavras e as frases que podemos dizer e citadas as questões da actualidade que podemos criticar. Quem não o fizer quebra consensos ou faz fretes a obscuras forças nacionais ou estrangeiras. Ou se é a favor do Governo, ou se é “pafiano” ou “troikiano” ou, como agora, entra no “aproveitamento político de tragédias” que estrafega os “consensos nacionais”.

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4 thoughts on “Sua Santidade, o Governo

  1. Pingback: Sua Santidade, o Governo – O Insurgente | O LADO ESCURO DA LUA

  2. Manuel Assis Teixeira

    Muito bom! Tem que ser feita a denúncia do branqueamento geral em que vivemos sobre grande parte dos assuntos que vão dos fogos às cativaçoes! Infelizmente temos uma oposição fraquinha fraquinha e desunida que em vez de fazer marcação cerrada e em cima se perde em assuntos menores! E veja-se o novo líder parlamentar do PSD. Como é que se pretende ter este rapaz na linha da frente do combate? Assim não vamos lá e o Costa vai continuar de sorriso seráfico, o mesmo que tem desde a noite das eleições! Passos está mal rodeado e a dormir e a Cristas só pensa em tornar-se conhecida! Assim não vamos lá!

  3. Excelente artigo, talvez ainda venha a tempo de mudar algo, porque cada dia que passa estamos mais perto do ponto de não retorno onde a democracia acaba abruptamente.

  4. “Número de incêndios em Portugal volta a diminuir”.
    Incompetência e descaramento, como se apenas depois de tudo praticamente ardido é que pudesse diminuir.
    Por quanto tempo mais é que se vão permitir as patranhas do chefe Costa com a cobertura de peões que abrem a boca à medida do que ele manda cantar?
    Não se pode acreditar que um Pás arda e adormeça enquanto poupa o carregador da tocha.
    PENSAMENTO LATEJANTE
    É preciso e é urgente exercer o direito cortante à indignação, quando altas figuras do Estado, e seus servidores em função, como os de noticia e opinião, praticam a rastejar o mais alto grau da indignidade.
    LATEJANTE A FERVER
    Só um pantomineiro da pior espécie pode vir alegar “aproveitamento político” perante as posições criticas assumidas por vastos setores, tanto das oposições como até dos aliados arregimentados e bem pagos, ou mesmo da sociedade tendencialmente medrosa em relação à tragédia que incessantemente se abate sobre o nosso país em calendário sem fim.
    Ele como responsável de proa não faz mais do que sacudir-se.
    Isto vindo de um fulano que tem toda uma vida dedicada não só a aproveitamentos matreiros, mas em escala avantajada e de forma descarada a golpadas politicas de caserna que raramente alguém ousa pôr a descoberto.
    Uma de duas, ou ele merece ser abatido, ou nós não merecemos melhor que um declarado e reconhecido impostor.
    INUTILIDADE FERVENTE
    Mandou calar os operacionais no terreno para de forma requentada mandar uma protetora dar conta da contabilidade diária.
    Tendo deixado as televisões fazer uma cobertura exaustiva da desgraça ao minuto e ao pormenor, para quê aquela seca de porem a senhora a ler papeis amarrotados sobre o que toda a gente viu em cima do acontecimento?
    Vão espalhar água!

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