Quantas pessoas morreram na tragédia de Pedrogão Grande?

Custa a acreditar que isto possa acontecer em Portugal em 2017: Incêndios. Empresária contou mais de 80 mortos em Pedrógão Grande

Isabel Monteiro, empresária de 57 anos, natural de Lisboa, reuniu uma base de dados com as vítimas mortais do incêndio dos concelhos de Pedrógão Grande e já contabilizou mais de 80 mortos, dos quais 69 estão confirmados pelas famílias com nomes completos, localidade e local da morte.

A intenção era criar uma lista de vítimas para a criação de um memorial na Estrada Nacional 236, hoje conhecida como “Estrada da Morte”, mas foi ao recolher a informação junto das famílias, funerárias, bombeiros e dados da comunicação social que Isabel constatou que o número de vítimas mortais seria superior ao número oficial divulgado pelas instituições do Estado. Começou então uma investigação de fundo e o total de mortos contados até à data, na sua base de dados, já ultrapassa os 80.

(…)

O i contactou várias das famílias das vítimas que pertencem à listagem de Isabel e que pedem para não ser identificadas, mas que garantem que o número de mortos (64) dado pelas autoridades “está muito longe da verdade”.

(…)

O bombeiro de Viseu conta que militares já lhe haviam falado de um número de mortos muito superior ao anunciado, logo no primeiro dia de acção em Pedrógão. “Entre pessoal das operações sempre se ouviu falar em mais de 100 mortos. Mas sempre se falou disto sem provas, eram apenas boatos. Agora há nomes, como é que se mentem nomes de pessoas?”.

Segundo a empresária e os dois bombeiros que o i contactou, têm sido várias as pressões para que este assunto “morra na praia”. “Disseram-me que devia estar calada porque isto envolve interesses nacionais. Mas eu não quero viver num país em que interesses do Estado valem mais do que vidas humanas”.

A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) reiterou neste sábado que o incêndio do mês passado em Pedrógão Grande fez 64 vítimas mortais, em “consequência directa” do fogo, e que outros eventuais casos não se integram nos critérios “definidos”. Os critérios que foram identificados para apurar as vítimas do incêndio são “mortes por inalação e queimaduras”, resultantes do fogo, adiantou à agência Lusa a adjunta nacional de operações Patrícia Gaspar.

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8 thoughts on “Quantas pessoas morreram na tragédia de Pedrogão Grande?

  1. Alberto Mendes

    Andre,

    Este numero anormal de mortes rodoviarias no 2° semestre 2017 podera conter vitimas de acidente rodoviario na “estrada da morte”. Não encontrei a base de dados em bruto mas seria interessante analisar os dias e locais dos ” acidentes”. Hoje o expresso refere uma vitima de “atroplamento” não contabilizada na estatistica oficial do governo. Gente muito perigosa esta que nos apascenta.

    http://www.segurancaparatodos.com/gca/?id=402

  2. Asantos

    A confirmar-se esta omissão (que só pode ser intencional) o nível de manipulação da classe politica atinge o inaceitável de tanto asqueroso que esta atitude tem. Começo a ter pelos políticos um sentimento de revolta que me preocupa…

    ASantos

  3. Esta situação foi falada por inúmeras pessoas no terreno, em Junho.
    Demorou 1 mês a chegar à imprensa nacional.
    Quanto tempo até haver uma investigação e a publicação da lista dos mais de 100 nomes?
    Quanto tempo até saber quem foram os que inibiram a publicação de um número maior impondo um “interesse nacional”infundado?
    Este país não tem jornalismo de investigação?

  4. André Miguel

    Jornalismo de investigação? Não, não temos. E por isso é bom que este assunto não seja esquecido, é obrigatório que a blogocoisa mantenha viva esta discussão.
    Num país desenvolvido por muito menos caem governos. Que país de amebas…

  5. Jota

    Então se, por hipótese, um autocarro cheio de passageiros se despistasse numa manobra de evasão ao tentar fugir do incêndio, provocando dezenas de mortos, não seriam contabilizados no total número de vítimas apenas por não serem vítimas de “inalação de fumos ou de queimaduras”!? Sem incêndio não teria existido o hipotético despiste!
    Se o incêndio de Grenfell em Londres tivesse sido em Portugal, as pobres pessoas que se atiraram das janelas não seriam contabilizadas, pois não morreram por inalação de fumos ou queimadas!

  6. ABC

    A manipulação de estatísticas mortais não é novidade. Nos acidentes rodoviários contam-se os feridos que morrem em consequência do acidente, mas já no hospital. Mas não em Portugal. Houve uma directiva europeia quanto a isso, mas não sei se foi aplicada.
    Isto é tapar o sol com a peneira, como se fazia no tempo da outra senhora.
    Francamente, a pergunta que se coloca já não é porque mudou o regime, mas se mudou?

  7. ALBERTO MENDES – parece-me que não se confirma a sua hipótese, segundo o relatório o distrito de Leiria até teve menos 7 fatalidades em relação a 2016. Em relação a feridos graves também diminuiu. As maiores anomalias são em Setúbal e Porto.

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