Sobre o André Ventura

andre

 

Não mencionei o candidato pelo PSD a Loures no último texto porque, de facto, não era dele que queria falar. Queria falar de quem, na resposta ao mesmo, construiu uma série de argumentos que são falsos. Gente que só vai ao bairro fazer campanha ou comprar droga, como muitos jotinhas e ex-jotinhas por este país fora ou gente que faz carreira a vitimizar os moradores sob pretexto de ajuda, como uma legião de psicólogos e sociólogos, não têm lugar neste debate e foram, consequentemente, os meus principais alvos. Elenquei-lhes uma série de mimos que não foram, como se disse, insultos, mas sim eufemismos. Mas hoje, tendo já escrito o essencial a respeito do problema, vamos ao caso Ventura.

O André Ventura falou muito bem nas entrevistas que foi dando e explicou de forma muito clara o problema, sem nunca culpabilizar o todo pela parte, ainda que a parte seja substancial. Foi menos brejeiro que Carlos Teixeira, quando presidia ao município. Aliás, erro, não foi brejeiro de forma alguma. Na entrevista ao I cometeu um erro que não é admissível a quem passeia por estes círculos há tanto tempo: generalizou para fazer brilharete e, consequentemente, enfiou toda uma comunidade na lama. Foi racista, independentemente de eu não acreditar, pelo que li e pelo que ouço de quem o conhece pessoalmente, que ele o seja. Pagará, ou não, o preço político, que remédio.

Agora fingir que não existem problemas nos bairros sociais – problemas que vão muito além da comunidade cigana e que metem negros e brancos ao barulho – é criminoso. E afirmar que há por cá gente de bem, ou que não faltarão negros e ciganos de bem, o que é verdade, não invalida que também habite por cá uma quota parte de gente de índole questionável. Não se deixem enganar em pensar que uma mão lava a outra. Vocês têm sujado ambas.

Para terminar, o último texto não foi dirigido exclusivamente à comunidade cigana, como o debate à volta do mesmo leva a crer, ainda que esta seja uma das visadas por motivos que são óbvios. Foi dirigido a toda uma comunidade com leis e costumes paralelos aos do restante país. Falar apenas de ciganos no debate que procurei abrir ontem revela aí um fetichismo pelo tema que empobrece o mesmo, porque o deixa a meio. Da mesma forma que falar em violência policial e racismo nos bairros de Lisboa deixa o tema pela metade, não fossem os bairros do Porto, em que os brancos são maioria, sujeitos aos mesmos casos – de violência por parte de arruaceiros, uns do bairro e outros da polícia, porque também os há.

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15 thoughts on “Sobre o André Ventura

  1. Ricardo Lima

    O CDS, quando Portas concorreu contra PPC, gabava-se precisamente disso. Não sei porque se espanta.

  2. André Miguel

    A esquerda vive num mundo de afectos, onde os problemas são para enterrar ou ignorar pois não passam de erros de percepção mútua. Por isso falar dos problemas do mundo e dos seus assuntos menos agradáveis é ser racista, xenófobo, islamofóbico, homofóbico ou fóbico de outra cena qualquer.
    Enfrentar a realidade e pegar o touro de caras é para homens de barba rija e não para esta esquerda caviar, mariquinhas, hipócrita e imbecil, sem espinha, que se verga ao politicamente correcto pela mania das aparências. Puta que os pariu a todos.

  3. Os senhores dos afectos e causas fracturantes podiam fazer uma experiência simples e honesta: vestiam-se de polícias e iam, sem anúncios nem guarda-costas, fazer uma pequena patrulha a pé num desses bairros problemáticos. Anónimos.
    Podiam até fazer reset nos iphones e ver depois – se ainda os tivessem – quantos passos deram a andar e a correr.
    Há dias entrei numa rua dum desses bairros. No meio da rua estavam dois miúdos aí dos seus 7 ou 9 anos a brincar no chão, creio que a desenhar com giz. Não consegui passar. Chamei a atenção aos miúdos para o facto de não conseguir passar – na boa, porque doutro modo é melhor nem tentar.
    Um dos miúdos olhou para mim e fez aquele gesto com o dedo feio. O outro nem olhou para mim. Fiz a rua toda de marcha atrás e tentei outra, que felizmente estava livre.
    Na opinião dessa esquerda fetichista da matraca, devia talvez ter saído do carro e explicar aos catraios que a rua é pública e que eu tenho direito inalienável de circular por ali.
    Acontece que ainda recordo a passagem de ano. Moro ali perto, e à meia noite vim para a rua ver o fogo de artifício. Naquele bairro problemático alguns moradores festejam com tiros para o ar. Bang bang bang, já é costume, e uma vez acertaram num poste da EDP e ficou tudo às escuras.
    Mas no meio dos bang bangs ouvi algo diferente. Tipo tátátátátátátá. Não sou especialista, mas já vi filmes suficientes para perceber o que é o som duma metralhadora.
    Portanto, não posso passar numa rua pública por causa de dois miúdos. A Constituição da República está do meu lado, claro. Do lado dos miúdos está se calhar um pai com uma Uzi.
    A Constituição ali não existe.

  4. a constituição são apenas palavras num papel, no caso da portuguesa quase 300 artigos e mais de 600 alinhas – uma das maiores do mundo – tenho uma teoria – quanto maior for a constituição menos direitos garante.

  5. Os portugueses têm que perder o medo dos esquerdalhos. A seguir ao 25 abril quem não era de esquerda era fascista e isto durou até há pouco tempo. Agora a esquerda usa como arma de arremesso o “racista” e “xenófobo” para calar quem não vai na sua onda. Eles não pretendem debater mas sim calar pelo medo. Mas contra factos não há argumentos. Sejam ciganos, africanos, xuxalistas corruptos e subsidio-dependentes etc. As pessoas começam a fica fartas do politicamente-correcto imposto pela esquerda. É preciso começar a falar verdade sem complexos e sem medo da esquerda adoradora dos Chaves, Castros, Kadafis, que receberam com tapete vermelho e espinha dobrada cá em Portugal.

  6. é isso caro jc, mas ninguém se quer chegar à frente – depois não se queixem quando aparecer por aí um trumpzito português – estar a adiar só vai tornar o choque maior

  7. bem e o que mais me espanta é como pode existir um partido como o PCP em Portugal, e este fazer parte da base de apoio ao governo. um partido assumidamente marxista-leninista (artigo nº2 dos estatutos do partido)… acho que deve ser o único na europa…? se a direita em portugal fosse esperta estava sempre a atirar à cara da esquerda isto, os milhões de mortos, como isto seria o equivalente a ter um partido nacional socialista, etc

    isto é totalmente inadmissivel, mas bem, somos um país de brandos costumes…

  8. isto não tem grande volta a dar, que a esquerda é uma comédia é um dado adquirido, mas ter uma direita tão incompetente é mesmo maldição- venha a 4º república.

  9. O Patriarca

    Tratemos os bois pelos nomes: os ciganos são uma praga. O cigano que não é uma criatura reles sem qualquer respeito pela sociedade que o rodeia existirá, mas é uma absoluta minoria.

  10. Quando eu era novo dizia-se que 50% dos portugueses andavam a enganar (chular, roubar, vigarizar, aleijar, matar, etc). Agora acho que são 75% a enganar os restantes 25%, com o governo à cabeça, claro!

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