Convite ao desinvestimento

A imagem deste post retrata faixa de protesto do Bloco de Esquerda (BE) pendurada em frente à sede da Altice (ex-PT) e proprietária da marca MEO. E aquela diz muito sobre a política do BE, em particular, e de muitos portugueses em geral: a propriedade privada não é lá muito privada.

O mercado de telecomunicações, como todos outros, depende das vontades e preferências dos consumidores, que ao longo do tempo mudam. Exemplo disso poderia ser primeiro-ministro António Costa ter afirmado, durante debate do Estado da Nação, que escolheu diferente operador para sua casa.

Mas a intenção do socialista líder do governo português não foi elogio à liberdade de escolha dos consumidores mas, sim, ataque directo às opções de gestão da Altice. Como os neocomunistas aprendizes totalitários do BE fazem com habilidoso jogo de palavras e discursos esquivos que, bem visto, só têm um real significado: “a empresa não é vossa, é dos trabalhadores” (claro que, depois, nem os trabalhadores nelas mandam, pois assim tornar-se-iam também proprietários!). No que respeita a socialistas, comunistas e neocomunistas direito ao que é vosso terá sempre estatuto temporário.

Alterações nos mercados, pelas acções dos consumidores, implicam necessariamente mudanças nas empresas que tencionam manter-se em operação. Durante muitos anos a PT, fruto também do seu historial como empresa pública e líder de mercado, foi algo complacente com o crescimento da concorrência. No entanto, o maior erro foi cometido já depois de privatizada, ao continuar a ser instrumento das ambições políticas de governantes. Maus investimentos reduziram valor da empresa, acabando por ser alvo de oferta de aquisição da Altice. 

Antigos accionistas venderam porque o dinheiro recebido valia mais, para eles, que continuação como proprietários da PT. Altice comprou porque acreditava que, implementando mudanças estruturais e estratégicas, a empresa pode vir a valer mais do quanto nela gastou. Estava errada. Não contou com classe política que pretende manter status quo de em tudo e todos querer mandar.

Nota: a reboque da propaganda do BE muitos dirão que Governo deve agir “em defesa dos postos de trabalho”. Só que quanto mais eficazes forem menor o valor da empresa. E maior o convite para que não se invista em Portugal.

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8 thoughts on “Convite ao desinvestimento

  1. O Governo e o Bloco até podem querer continuar a mandar na PT.. Têm é de fazer o que lhes dá esse poder de mandar: meter lá dinheiro seu e não dos malandros dos agiotas dos Bancos… ou dos contribuintes… E esta parte é a problemática, pois como se sabe, os comunas, neocomunas e socialistas laicos e republicanos, gostam de mandar, gostam de gerir o poder, mas que sejam outros a correr o risco de por lá o dinheiro…

  2. o que é triste é que ninguem percebe o que efetivamente se passa com os trabalhadores da PT. Não percebem , nao tentam ou nao querem perceber, sseja la o BE o tonto do Costa ou quem seja

  3. Luís Lavoura

    Tanta conversa sobre nada.
    Já se sabe que o BE e o PCP são partidos que gostariam que a PT fosse uma empresa nacionalizada e que o governo mandasse nela.
    Acontece, porém, que o BE e o PCP não estão no governo. Quem está no governo é o PS, o qual não concorda com o BE e o PCP.
    Portanto, a PT não será nacionalizada nem o governo intereferirá nela, porque não dispõe, aliás, de qualquer forma de o fazer.
    Portanto, este post é sobre algo que não existe nem pode existir.

  4. jo

    Não podia escolher melhor exemplo de gestão privada, com administradores premiados e tudo.
    Claro que os milhões que ganharam os administradores ficaram com eles, o descalabro da empresa é pago como o salário dos trabalhadores despedidos.

    Honesto sistema!

  5. Luís Lavoura, “nem o governo intereferirá nela”??? Não é essa a conclusão que retiro das recentes afirmações de Costa.

  6. O convite ao desinvestimento toma contornos patéticos. Temos o Big Selfie no México a tentar captar investimento, depois da Geringonça ter rasgado contratos assinados com os mexicanos. Ora como nem todos têm a memória curta dos portugueses, não vai ser tarefa fácil – e o caso Altice não ajuda.

  7. “Portanto, a PT não será nacionalizada nem o governo intereferirá nela, porque não dispõe, aliás, de qualquer forma de o fazer.”

    Basta alterar o código do Trabalho que interfere na gestão da PT (e de todas as empresas)

  8. André Miguel

    Este país jamais irá prosperar enquanto o Estado, governo e sindicatos não afastarem as suas patas da gestão de empresas privadas. Ponto final.

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