Os robots que paguem a segurança social

Tenho visto por aí muitas pessoas, algumas até bastante inteligentes, a alimentar a ideia de que vem aí uma onda de desemprego por causa dos robots e que estes devem começar a pagar IRS e segurança social na proporção dos empregos que “roubam”. Não vou discutir esse argumento. Prefiro desafiar os defensores desta ideia a falar em casos concretos. Primeiro exemplo:

Este robot trabalha 52 semanas por ano, 7 dias por semana e 24 horas por dia. Um polícia sinaleiro trabalharia 46 semanas por ano e 35 horas por semana. Ou seja, o robot da imagem rouba o emprego a 5.4 trabalhadores. Contas por alto, cada polícia sinaleiro pagaria cerca de 7 mil euros por ano de IRS e segurança social. Concordamos então que cada semáforo deveria pagar 37800 euros por ano de impostos ao estado?

Voltarei amanhã para falar das bombas de água e dos aguadeiros.

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9 thoughts on “Os robots que paguem a segurança social

  1. Jorge Libertário

    Sugiro também que acabem com os autocarros, por cada autocarro que acabasse seriam necessários mais 10 taxistas. O pleno emprego seria alcançado. Cada pessoa que viva por exemplo em Setúbal e trabalhe em Lisboa passava a gastar pelo menos uns 1000 € mês em viagens para o trabalho, mas isso é um pormenor.

  2. Algum idiota se esqueceu de definir robot.

    Uma máquina de lavar roupa com microprocessador e lógica difusa é um robot? Um robot de cozinha é um robot? Uma retroescavadora actuada por processador é um robot? Um braço antropomórfico controlado remotamente (isto é, sem processador funcional local) é um robot?

    Se os estúpidos pagassem a segurança social, o Largo do Rato ficava falido.

  3. Estes exemplos são interessantes para demonstrar a precipitação falaciosa sobre mais impostos.

    Porém, no muito… muito… muito longo prazo, a robótica poderá transformar o trabalho num privilégio para o qual será preciso pagar e não receber. Nessa altura teremos que remunerar apenas um fator de produção – o capital – e a forma sobre como este será acumulado e por quem será diferente.

    Em termos especulativos, discuti este tópico no meu livro “The beauty of capitalism” (https://www.amazon.com/Beauty-Capitalism-thrives-despite-critics/dp/1500120782/ref=as_sl_pc_qf_sp_asin_til?tag=marquesmend06-20&linkCode=w00&linkId=LBGJRZBKEB5TRZSC&creativeASIN=1500120782) e neste post (http://marques-mendes.blogspot.pt/2015/12/robotics-and-value-of-labour.html).

  4. Será que essas contas estão bem feitas?
    Na minha matemática e, se descontarmos uma ou outra folga, cada sacana de semáforo, tira trabalho a 20 polícias sinaleiros.
    Quantos semáforos há por este país????
    O senhor enCosta nunca se lembrou disso para resolver o problema do desemprego.
    Acabava com os semáforos e já estava
    E nas SCUTS… substituía os pórticos pela rapaziada que não gosta de dobrar a mola e até se tornava simpático para os refugiados.
    Em vez de os pôr a limpar as matas punha-os a contar as patacas.
    Ai costa… costa… ainda tens muito a aprender..
    Fala com a Catarina que ela explica-te

  5. Por enquanto a razia de empregos é maior em sectores não – intelectuais, mas quando começarem as AI a escrever blogues, e projectar casas, dar consultas médicas, ou exercer advocacia? Continuamos a fazer humor?
    Já não falo dos call – centers ou dos caixas de hipermercado, que vão ser as primeiras vítimas, mas sim dum advogado cibernético que saiba na ponta da língua todos os artigos de todos os ramos do Direito, actualizados ao segundo, ou um cirurgião cujas mãos não se desviam um milésimo de milímetro e pode operar 24 horas por dia?
    Acresce que uma greve cibernética (por exemplo contra os impostos) não será tão inofensiva como uma paralisação geral da CGTP.
    Razão tinha Lovelock, a humanidade tem de abandonar a idéia de crescimento sustentável e começar a pensar numa retracção sustentável. Isto foi dito há décadas, e é cada vez mais válido.

  6. jorgemmc

    Claro que continuamos a fazer humor… E se a AI conseguir fazer humor tão bom ou melhor do que os humanos, porque não havíamos de nos rir com ele?

    Agora a sério:
    1. Esta discussão é parva.
    2. Mesmo do ponto de vista de quem acha que essa ideia dos robôs pagarem SS é menos do que estapafúrdia, a discussão está uns 50 (50, 100, …?) anos adiantada.

  7. ABC

    100 anos adiantada? Você trabalhava numa loja da Nokia?
    Pense num adulto de 1917. Agora pense no mundo actual.
    Pense num gramofone e no Spotify.

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