Portugal, a Venezuela da Europa

Uma experiência do Terceiro Mundo, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Não tem sido um espectáculo agradável, excepto para apreciadores da incompetência, do descaramento e da radical ausência de dignidade. É, em suma, uma gente literalmente abjecta. Perante a tragédia, eles decretam o caso resolvido. Perante o desleixo, lembram desleixos maiores. Perante as dúvidas, confessam sentimentos. Perante as câmaras, dão abraços. Perante a culpa, acusam eucaliptos e furriéis. Perante o caos, pedem avaliações de popularidade. Perante a obrigação, partem de férias para Ibiza, a subjugar espanhóis com a barriga e um par de cuecas.

A propósito de Espanha, é revelador que, apesar dos divertidos esforços dos “jornalistas” de cá para os calar, sejam sobretudo os jornais de lá a contar-nos o que o “estrangeiro” vê quando olha para aqui. Vê uma anedota perigosa, um manicómio em auto-gestão, uma experiência do Terceiro Mundo às portas da Europa. E, naturalmente, assusta-se.

O susto não é descabido. Descabido é o rumo que, com a sensatez habitual, o “debate” indígena ameaça seguir. A oposição, se a palavra se aplica, andou uma semana a lamentar o colapso do Estado e a reclamar a demissão dos ministros da Administração Interna e da Defesa e o regresso do dr. Costa. Para quê? Não imagino. A substituição de duas insignificâncias por duas insignificâncias iguaizinhas não alteraria nada. O prolongamento das férias do dr. Costa por 20 ou 30 anos alteraria imenso. Quanto ao Estado em frangalhos, em teoria só um socialista, assumido ou dissimulado, se maçaria com o tema – na prática, o aborrecido é a devastação principiar pelos únicos pedaços que, se calhar, convinha manter.

Entre o chinfrim, sobra um facto: Portugal é governado por uma coligação de leninistas com sentido de oportunidade e de oportunistas com nostalgias totalitárias. O que nos está a acontecer é o percurso fatal em qualquer arranjo do género. Começa-se em euforia, avança-se para a estupefacção, saltita-se para a raiva e termina-se em desgraça, porque semelhante malformação não poderia terminar de maneira diferente. O simbolismo da recente manifestação de apoio ao sr. Maduro, em Lisboa, não é desprezível. (…)

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9 thoughts on “Portugal, a Venezuela da Europa

  1. JP-A


    É já demasiado tarde. Tal como o poder na Venezuela, o PS já perdeu a vergonha toda e está num caminho sem retorno com os divergentes totalmente dissolvidos. Desde que o querido líder esteja sentado na cadeira tudo está conforme. É mais uma prova de que o partido não é mais do que uma manada de extremistas envergonhados da mesma espécie dos comunistas e bloquistas, que se sentiram mais favorecidos atrás da máscara.

  2. “É gente literalmente abjecta. Perante a tragédia, decretam o caso resolvido. Perante o desleixo, lembram desleixos maiores. Perante as dúvidas, confessam sentimentos. Perante as câmaras, dão abraços.”
    Perante isto o PS cresce nas sondagens.
    Destroçar e viva a peluda.

  3. André Miguel

    O fim do socialismo é sempre mesmo. Porque diabos em Portugal se pensaria diferente? Ainda por cima o PS está cheio de comunas envergonhados e oportunistas (no PS a ascensão social é mais rápida).
    Como era mesmo que nos chamavam há dois anos? Botabaixistas, não era?

  4. Nunca perder de vista o papel importantíssimo, para não dizer determinante, da Prostituição Comunicacionl cá do burgo (telelixo à cabeça) na condução domesticação do “esclarecido” gado eleitoral…
    As “instituições” agradecem…

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