A Direita Portuguesa não tem vergonha

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A direita portuguesa não tem, nunca teve e é dispensável que o leitor estude os astros para entender que, provavelmente, nunca terá vergonha na cara. Rebentou uma bomba no cenário político, na presente semana, quando a direita cá do burgo descobriu que no sistema de ensino português existem escolas em que os alunos transitam de ano com quase meia dúzia de notas negativas. Apressou-se pois a atribuir a efeméride às reformas efetuadas na pasta da educação pelo governo PSD/CDS, governo esses cujas reformas se conhecem tão profundas que foram facilmente revertidas em poucos meses. Voltam-se os olhos para Passos Coelho, o homem cuja reconhecida honestidade lhe permitiu enfiar o programa eleitoral na gaveta, estava ainda fresca a tinta do acordo de coligação. Sócrates, a bem da verdade, tardaria bem mais a mostrar ao que veio.

No entanto, para não variar, o problema está mal explicado. Ainda era Durão Barroso primeiro-ministro e já passavam multidões com mais de quatro negativas, isto na minha escola. Anos mais tarde, não muitos, confessava-me uma directora de turma, de uma cidade bem distante da minha, que era forçada, com as colegas, a passar de ano alunos com mais de quatro negativas. Pelo meio, não faltou quem se gabasse de passar de todas as maneiras e feitios. Nada mudou e não tem mais culpa este governo que os que o antecederam, incluindo os de direita – mais estritamente ao centro que outra coisa – em que os meus caros andavam por estas bandas num silêncio ensurdecedor.

A questão do facilitismo está entranhada num ME que esteve, desde a sua fundação, a soldo dos professores e dos partidos. Dos professores, sem dúvida, porque são os mais benificiados por um sistema burocrático e centralizado, sem sinais de flexibilidade, quando de outro modo os maus professores estariam no centro de emprego. E dos partidos que, comos e sabe, sobrevivem das estatísticas que os próprios promovem. Ao contrário do que a propaganda laranja tentou incutir ao país, as reformas a que assistimos apenas arranharam a superfície do problema, o ministro Crato, que se propunha “implodir o ME”, terá provavelmente ganho afinidade com o edifício e tudo ficou, não na mesma, mas por lá perto.

Não obstante, como vale tudo, Passos Coelho é um cadáver político e a líder do CDS um fanfarra de banalidades, vemos nascer a indignação em quem sempre teve a educação na boca sem sequer ter procurado investigar minimamento os problemas que por décadas a têm assolado. E tão incapaz se sente esta direita em rebater a geringonça que até a desonestidade intelectual serve de arma política, essa que do alto da sua autoridade moral tantas vezes os vemos apontar aos adversários.

Falta vergonha. Muita.

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8 thoughts on “A Direita Portuguesa não tem vergonha

  1. No caso de Passos Coelho, ninguém quer um politico mais papista que o papa.
    Não é falta de vergonha, será um pouco falta de jeito..
    Falta de vergonha descarada só mesmo na geringonça.

  2. Independentemente de quem são os culpados, este artigo, no mínimo ajuda a esclarecer porque é que temos professores de merda, médicos da treta, juízes do caraças, policias que a única coisa que sabem fazer é passar multas mas apanhar criminosos, nickles, e políticos então….. cala-te boca…..

  3. Euro2cent

    > teve a educação na boca

    Meh. Não há é quem seja capaz de dizer que “a educação” serve sobretudo para armazenar o gado até aos 25 ou 30 anos.

    (Também não fui eu que disse.)

  4. Sendo o ensino obrigatório até ao 12º, importa antes demais admitir que isso exclui os ‘objectores de consciência’ ao conhecimento .
    Os lerdos haveriam de ser conduzidos a essa condição para não ter de alterar a sacrossanta Constituição.

  5. Oscar Tini

    A culpa é sempre dos professores, sim aqueles que despojados de qualquer autoridade na sala de aula e a contrato precário são corridos às centenas por ano das escolas… São o elo culpado de todas as reformas políticas engendradas em cima do joelho e promotoras do facilitismo escolar. O incongruente, perdão o inconsequente, mau o inconsciente, possas o intransigente no seu melhor.

  6. Fico sem saber se é a favor, ou contra este sistema de ensino. É como diz um comentador acima, o que é importante meter a cambada no curral até aos 25 anos.

  7. Depende do jogador e do manipulador da moedinha, caras ou coroas?
    Os apoiantes de ocasião da nova roda quadrada não foram enganados. Saliências á vista sacodem-se em todo o palco mas vão continuar no papel de chocas de companhia.

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