Um Estado falhado

O que ninguém sabia quando Marcelo chegou ao local da tragédia e disse que ‘se fez o máximo que se podia ter feito’ é que muitas das vítimas não eram dali. Muitas delas tinham ido apenas passear na região, passar um dia numa praia fluvial e regressar depois a casa. Ora, este pormenor, além de dizer muito da forma como as autoridades valorizam as diferentes vidas humanas, permite-nos concluir que qualquer português podia ter morrido ali. Qualquer um de nós, fosse do Porto, Aveiro, Bragança, uma aldeia do interior ou cidade do litoral, podia ali ter estado e ali ter ficado. O que aconteceu não foi um azar. Não é seguro viver e andar em boa parte do interior de Portugal. Se o Estado não tem condições para proteger a população, uma das suas funções fundamentais, o Estado serve para quê?

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13 thoughts on “Um Estado falhado

  1. JP-A

    Quatro horas para pedir equipamento SIRESP para substituir o estragado? Ligações por cabo no meio da floresta? Dez horas para um bombeiro chegar ao hospital de queimados? Estradas cheias de árvores ao longo de quilómetros encostadas à berma? Listas de desaparecidos vão ser cruzadas daqui a dias? Não se sabe quantos desaparecidos há? Ao fim de quase uma semana? Fazem-se acordos com bombeiros do Chile e depois deixam-se os espanhóis à porta porque não conhecem a nossa floresta?

    É agora que Marcelo desaparece?

  2. JP-A

    Para memória futura:

    Quando o artista-mor se vir fragilizado e começar a descascar em cima de alguém para se manter onde quer, isto vai ser muito pior porque as comadres vão falar.

  3. JP-A

    A Desoberta a Pólvora em Portugal:

    Traídos pelo motor dos carros na fuga das chamas. A carga térmica concentrada em muitas zonas da EN236-1 provocou temperaturas superiores a 600 graus.

  4. JP-A

    Nem o PM sabe que o mato está tão em cima do IC8 obriga a circular em contra-mão. Claro que não sabe! Isso é óbvio. Porque será que tenho a sensação que é muito estranho quase ninguém tocar na responsabilidade da Estrada nacional?

  5. Mas a que horas foi isto? Após as 18.50? Isto são mesmo imagens do IC 8 no dia 17 de Junho de 2017?

    1. Se o IC 8 foi cortado, às 18.50 horas, por razões de segurança, i.e., se não se podia admitir que particulares ali andassem por questões da segurança destes, seguramente não se permitiria ao Primeiro-Ministro de Portugal correr os riscos que aqueles não podiam correr.

    2. Mas se a estrada foi cortada para que estivesse livre para as comitivas que iam chegar, e puseram a Guarda a encaminhar as pessoas para estradas com metade da largura e árvores até à berma…

    Já tinha lido alguma coisa sobre isto noutro lado, mas é mau demais. É preciso perceber a que horas foi isto (se as imagens são mesmo da data e local alegados) e porque é que a comitiva pôde circular em estrada demasiado perigosa para os cidadãos em geral.

  6. JP-A

    “Mas a que horas foi isto? Após as 18.50?”

    A sombra dos veículos está na vertical, logo terá de ter sido pela hora do almoço no dia 18. Tem todos os sinais de ser na curva à direita onde se cruza o IC8 com a CM1447, antes de Salgueiro da Lomba. A emenda dos rails e os sinais são os mesmos.

  7. Quando o Aníbal disse que o bes estava firme e hhirto quando afinal ja estava falido a boa imprensa não se cansou de repetir ad nauseam esta afirmação o que diga se nao me escandaliza. Agora estou tambem curioso para ver o que se vai dizer quando se confirmar qque afinal não foi feito tudo o que teria sido ppossível para minimizar pelo menos o número de mortes

  8. Gabriel Orfao Goncalves

    Terry Malloy, ambos os vídeos são de dia 18.

    É possível que algumas pessoas tenham ficado convencidas de a comitiva de António Costa tenha passado pelo IC8 no dia 17/corrente ainda com sol por causa deste post no blogue portadaloja:

    http://portadaloja.blogspot.pt/2017/06/um-escandalo-inominavel.html

    post esse que já foi rectificado pelo próprio autor do post.

    Aliás, o primeiro comentador desse post alerta o José do portadaloja para o facto de António Costa ter estado em Portalegre no sábado, dia 17, pelo que essas imagens só poderiam ser, necessariamente, de dia 18 (é que também não poderiam ser posteriores, visto o vídeo do youtube indicar o dia 18 como data de carregamento do vídeo).

    JP-A, muito bem apanhada a questão de o sol estar à vertical.

    (Já depois de escrever isto vi que o Terry Malloy tb interveio no referido post do portadaloja. De qualquer maneira deixo aqui o que escrevi, mais não seja para alertar aqueles que leram o post antes de este ser rectificado pelo José de que, entretanto, houve rectificação.)

    Há uma questão que ainda não vi respondida em lado nenhum: quando Marcelo via para Pedrógão, vai PORQUÊ? Quando o PR se dirige para lá que notícias já existiam a tal hora? Marcelo sabia de alguma coisa que o resto do País desconhecia?
    Ou foi a Pedrógão Grande da mesma maneira que foi a Tires ver o avião despenhado?

  9. Gabriel Orfao Goncalves

    Caro André Abrantes Amaral, creio que as vítimas serem dali ou não é irrelevante. A morte das pessoas não é mais grave ou menos grave por serem ou não dali. Talvez se pudesse dizer que estão mais precavidos os que “são do sítio”, por conhecerem a zona e poderem mais facilmente abrigar-se. Talvez… mas acho que não. (Também não estou a dizer que é isso que está subentendido no seu texto, claro.)

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