25 de Agosto de 2016, António Costa, em Pedrógão Grande

Declarações feitas durante visita a Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, a 25 de Agosto de 2016 – os negritos são da minha responsabilidade:

António Costa, 25 de Agosto de 2016, no belíssimo DN:

António Costa defende floresta como “grande prioridade” dos próximos anos.

O primeiro-ministro, António Costa, defendeu hoje a valorização da floresta, considerando que o país deve encarar este património como uma “grande prioridade” nos próximos anos.

“É absolutamente essencial voltar a valorizar a nossa floresta”, afirmou António Costa, em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, ao realçar a importância de ordenar e cuidar da floresta para prevenir os incêndios e para criar riqueza.

Na sua opinião, a floresta portuguesa “só voltará a ser protegida se voltar a ser valorizada”, aproveitando as suas riquezas económicas, ambientais e turísticas.

“Se nada for feito”, no presente, como o ordenamento e o cadastro, adiado por sucessivos governos, a floresta “voltará a arder daqui a 10 anos”, alertou o primeiro-ministro.

(…)

Depois da reforma da Proteção Civil e da política de prevenção e combate aos fogos florestais, na década passada, os últimos 10 anos “não foram devidamente aproveitados” no sentido de concretizar o ordenamento florestal.

“Temos hoje de fazer uma reforma da floresta”, preconizou António Costa, realçando que “há um problema de cadastro a norte do Tejo”, no Centro e no Norte, onde predomina a pequena propriedade florestal e agrícola.

A floresta, segundo o líder do Governo, “tem de ser gerida, tratada, ordenada e certificada”, para que seja “uma fonte de riqueza e não uma ameaça” para pessoas, bens e habitações.

Em 2017, um ano depois, António Costa volta a anunciar aquilo que há um ano dizia ser essencial que fosse feito:

António Costa, hoje, 22 de Junho de 2017, no jornal i:

Costa diz que “este é o momento” de se fazer uma “profunda reforma florestal”.

O Carlos Guimarães Pinto já havia recuperado uma belíssima e inflamada intervenção de António Costa, em 2006:

António Costa, 23 de Maio de 2006, à agência Lusa:

O ministro de Estado e da Administração Interna, António Costa, mostrou-se hoje confiante na possibilidade de reduzir de forma significativa “as ignições e a área ardida” resultante dos incêndios florestais em Portugal (…).

“O problema dos incêndios florestais não se resolve em um, dois, três, quatro ou cinco anos. Mas não há desculpas, está ao nosso alcance podermos ultrapassar as melhores médias da União Europeia” em termos de prevenção e combate aos fogos florestais”, disse também o governante (…)

António Costa, Ministro da Administração Interna entre 2005 e 2007, responsável por duas das decisões mais polémicas na incapacidade de combater incêndios – a criação do SIRESP e a compra dos Kamovs – vem dez anos depois criticar, em 2016, e em 2017, o mau trabalho feito nos incêndios, definindo prioridades urgentes.

Costa não teve responsabilidades directas nos governos de Sócrates na área da agricultura, isso não o inibiu de recrutar para o posto Capoulas Santos, o homem que nos últimos anos mais responsabilidades teve, sozinho, no governo das florestas.

Não pondo em causa a boa-vontade do senhor Primeiro-Ministro, e a sua sincera tentativa constante de querer desde 2005 resolver o problema dos incêndios, exibindo ano após ano uma convicção que quase me convence, toda esta confusão faz-me lembrar os filhos cábulas ou com profundas limitações que, chumbo após chumbo, prometem aos pais, pela milionésima vez, que agora é que vai ser. Infelizmente, não estamos perante uma licenciatura, mas vidas humanas, e do sentido de responsabilidade do Governo de Portugal.

Convém recordar que a tragédia de Pedrógão Grande corre o sério risco de vir a ser o mais fatídico incêndio de sempre na Europa, desde 1900, só sendo para já suplantado pelas tragédias de França (1949, 80 mortos), e Grécia (2007, 68 mortos).

Repito: Não ponho em causa a boa-vontade de António Costa, mas é impossível não sentir um arrepio na espinha ao ler o que o nosso Primeiro Ministro disse há um ano, em Pedrógão Grande, ou em 2006, quando nos prometia colocar Portugal longe deste Inferno de Dante que assistimos nos últimos dias. Que politicamente não haja consequências, diz muito da imoralidade a que chegamos. Com que face alguém que esteve tantos anos na gestão direta dos incêndios, que acumulou decisões que na presente data sabemos que foram profundamente erradas, nos pode dizer hoje que vai ser ele a resolver o que até agora não foi feito?

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4 thoughts on “25 de Agosto de 2016, António Costa, em Pedrógão Grande

  1. António Cabral

    Para lá de todas as opiniões, e todas devem ser respeitadas, mas com elas se concordando ou discordando, os PM tem a responsabilidade primeira em tudo o que respeita acção executiva e, concretamente quanto à protecção civil, é ir ver salvo erro o art 31º da lei de bases da protecção civil. Claro como água. António Cabral

  2. Gabriel Orfao Goncalves

    A prioridade no último ano foi

    “devolver rendimentos às pessoas” (mesmo que isso signifique estarmos mais endividados: os portugueses só fazem contas nominais, não reais)

    tratar de criar legislação para que quaisquer mulheres possam gerar um filho com um dador de esperma anónimo (para não haver “discriminação”, e “fobias”)

    e de quererem acabar o mais possível com as escolas com contratos de associação (porque se formos todos medíocres somos cada vez mais iguais)

    É do que me lembro do último ano político.

  3. António Cabral,

    Sendo que o nosso primeiro mentiristo (termo intencional!) é licenciado em direito, tenho as minhas dúvidas que possua a eloquência suficiente, a verve necessária e os dotes intelectuais que o permitam ler, compreender e relacionar o corpo legislativo — e excessivo — que temos, ou uma parte deste, por parcamente significativa que a balizemos.

    E os resultados de tantos advogados na administração pública e na elaboração de leis estão à vista. Há bons advogados, e sumamente inteligente. os quais provam que a advocacia é uma profissão sumamente interessante para legistas competentes, inteligentes e diligentes: nunca os vejo deixar a profissão que escolheram pelo exercício do governo da Nação ou pela produção legislativa no Parlemento. Para nosso mau gáudio. Miseravelmente, quedamo-nos com os microcéfalos que temos — alguns encartados a coiro de burro e especialistas de borlas. O advir dessa corja salta-nos à vista, e duvido que se encontrem dez portugueses com mais de três neurónios funcionais que elogiem os quatro organismos para-racionais que nos ocupam as quatro cadeiras do Estado: o Afectado, o Cunhas, o Fífias e o Jaquim do Pirete.

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