A candidatura à Agência Europeia de Medicamentos e os deputados que temos

Será demasiado pedir aos deputados que se informem minimamente sobre aquilo que votam?

Aparentemente, sim: Os 12 deputados que levaram a hipocrisia longe demais. Por Paulo Ferreira.

Há pouco mais de um mês, no dia 11 de Maio, a Assembleia da República votou um “Voto de Saudação pelo apoio à candidatura de Portugal à sede da Agência Europeia de Medicamentos”, apresentado pelo PS e subscrito também pelo PSD onde se pode ler: “Na sequência do Brexit, as agências europeias sediadas no Reino Unido terão de ser relocalizadas e Portugal apresenta fortes argumentos para que Lisboa seja escolhida”; e, a terminar, “Assim, associando se aos fundamentos e objetivos acima expressos, a Assembleia da República, reunida em Plenário, saúda e apoia a candidatura de Portugal à fixação da sede da Agência Europeia de Medicamentos em Lisboa, como de interesse nacional”.
Portanto, trata-se do apoio à colocação da sede em Lisboa e não numa qualquer cidade portuguesa, a decidir.

E quem votou favoravelmente este texto? Todas as bancadas, todos os deputados presentes sem excepção. Foi aprovado por unanimidade, como bem lembrou esta quinta-feira – aos políticos e o aos jornalistas – Nuno Garoupa na sua página do Facebook.

Da pesquisa feita das notícias dos últimos dias, aqui fica a lista dos deputados que votaram uma coisa e agora defendem o seu contrário:

Do PSD: Miguel Santos (Porto), Fátima Ramos, Maurício Marques, Margarida Mano e Ana Oliveira (estes todos eleitos por Coimbra) e um conjunto de outros deputados do PSD de vários distritos que não estavam identificados nas notícias mas que enviaram um comunicado à agência Lusa a defender a instalação da AEM em Coimbra.

Do PS: Carla Sousa, Ricardo Bexiga, João Torres, Joana Lima, Tiago Barbosa Ribeiro e Fernando Jesus, todos eleitos pelo Porto, que questionam o governo sobre a localização em Lisboa.

Do Bloco de Esquerda: Catarina Martins, eleita pelo Porto, que produziu esta fantástica afirmação depois de ter votado a favor de Lisboa: “Eu julgo até que se devia decidir que Lisboa não era a melhor opção e depois olhar para as outras cidades do país que estão em condições do fazer, seguindo exemplos de outros países que não concentraram as agências europeias nas capitais, pelo contrário, diversificaram e com isso incentivaram a uma melhor distribuição no território do investimento, conhecimento, emprego, etc.”

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