Uma história portuguesa, com certeza

Reza então assim a história:

  1. Em Fevereiro do corrente ano, Ministros sortidos e Primeiro Ministro manifestam-se a favor de Lisboa para receber a Agência Europeia do Medicamento; Margarida Marques diz que, como é óbvio de se ver, só pode ser em Lisboa. Afinal, que mais cidades têm hotéis e aeroportos, escolas ou jardins de infância, especialmente dos que falem estrangeiro? Tirando qualquer cidade que esteja num raio de 50 kms do Porto, Faro, Funchal ou até de Lisboa, apenas Lisboa, obviamente.

    18839058_10155387628252460_70274253754290648_n

  2. Importa aqui reiterar que a AEM deve mesmo ficar em Lisboa. Afinal, das cinco agências europeias sediadas em Espanha, nenhuma está em Madrid. E, como é bom de se ver, nós não somos provincianos como os espanhóis, por muito pouco óbvio que isso seja.
  3. Entretanto, António Costa jura que houve um parecer que dizia taxativamente que Lisboa era a melhor cidade para acolher a AEM, isto depois da visita a Londres para conhecer os escritórios actuais da AEM. O parecer é estranho, primeiro porque ninguém o viu, e segundo porque foi elaborado por uma comissão cujo nome é «Comissão de Candidatura Nacional para a instalação da Agência Europeia do Medicamento na cidade de Lisboa». Patético? Ainda não viu nada.
  4. Depois de outros se desdobrarem nas típicas desculpas que alimentam o círculo vicioso do centralismo, António Costa vem afinal jurar que tudo fez para que a AEM ficasse… em Lisboa? No Porto. Também ninguém sabe se isto é verdade, mas se uma fonte do PM o diz, então só pode ser verdade, e o Público faz o favor de noticiar a coisa como se fosse verdade: «Costa defendeu [estoicamente, como um grande estadista que é,] até ao limite candidatura do Porto à AEM». A nota é minha, o pensamento é do jornalista que copiou a peça da Lusa. O artigo é acompanhado de uma foto elucidativa, em que vemos Costa a tentar descobrir onde fica o Porto no mapa.

    1139757

  5. Como se tudo isto não fosse suficientemente mau, a notícia foi divulgada em primeira instância pela Lusa. A Lusa é uma instituição pública, ao serviço do Estado, que pelos vistos serve também para propaganda política, da fraquinha. O Público e o Observador cumpriram com diligência o que lhes foi encomendado, e reportaram a balela como se de uma verdade insofismável se tratasse.
  6. Razão tinha a D. Teresa, que mandou D. Afonso Henriques para Norte. O centralismo deste país não tem emenda.
Anúncios

4 thoughts on “Uma história portuguesa, com certeza

  1. JP-A

    Quem era o presidente da CML quando em 2009 o PS foi ao Porto roubar os 1.500 MILHÕES DE EUROS do QREN para os ir “aplicar” na região de Lisboa exatamente com a mesma desculpa da difusão ontem dada pelo deputado socialista que apareceu na TV e pertenceu ao governo de Sócrates?

  2. André Miguel

    JP-A, não sei quem se julga ele que é, mas é sem dúvida o tipo mais alarve que o país já teve como PM. Sócrates era um menino de coro. A seu tempo os portugueses descobrirão da pior maneira (a única que merecem).

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s