Um país alheado mas feliz

A minha crónica no ‘i’.

Um país alheado mas feliz

Uma semana que mistura folga com trabalho é o espelho de um país que combina lassidão com regozijo. A vida corre bem, o passado está longe, e mesmo quando reaparece, como no caso da EDP, fecha-se os olhos, respira-se fundo e esquece-se. Os supermercados estão cheios de livros sobre como lidar com a ansiedade e, pelo que vejo, os portugueses leram-nos.

Mas não só. As notícias sobre o crescimento económico têm sido fantásticas. Segundo o Eurostat, a economia portuguesa foi a quinta com maior crescimento da zona euro no primeiro trimestre deste ano. Por todo o lado vemos alegria. Um frenesi geral, qual tique marcelista, apoderou-se de Portugal.

Longe de mim estragar o relaxe nacional mas, ainda no passado dia 1 de Junho, o Banco de Portugal divulgou que a dívida pública se fixou em 247,4 mil milhões de euros – mais 3,9 mil milhões que no final de Março. Só para termos uma ideia, a dívida pública subiu em 2015 “apenas” 5,3 mil milhões de euros. Não quero estragar a alegria de António Costa, mas 3,9 mil milhões de euros em dois meses parece-me muito pior que 5,3 mil milhões num ano inteiro.

Mas há crescimento. É verdade. Só que à custa de mais dívida, ou seja, de empobrecimento. Veja-se bem como a economia cresce, mas estamos mais pobres. E não era a política que vinha mandar na economia? Há algo que me transcende na propaganda. O crescimento não é sustentado, deve-se ao que se passa no Magrebe, ao medo na Europa; ao êxodo dos franceses a que o governo de Macron porá termo. Mas a dívida fica. E paga-se.

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3 thoughts on “Um país alheado mas feliz

  1. André Miguel

    Podemos agradecer ao jornalismo marxista que educa o rebanho do rectângulo. Quando isto for outra vez ao charco, por favor, não atirem pedras apenas aos políticos, lembrem-se das casas de putas em que se tornaram as redações, que nos deviam informar e esclarecer ao invés de se venderem por uma migalha do pote sacado ao contribuinte.

  2. Gabriel Orfao Goncalves

    Há pouco deixei aqui:

    http://www.jornaldenegocios.pt/economia/financas-publicas/detalhe/governo-vai-antecipar-pagamento-de-mil-milhoes-de-euros-ao-fmi-ate-ao-final-do-mes?ref=DestaquesTopo

    este comentário:

    «Critérios duplos (double standards):

    Pagamentos feitos pelo Governo de Passos Coelho: subservivência ao grande capital estrangeiro
    Pagamentos feitos pela geringonça (visto que não se assumiram nem querem assumir como coligação): sucesso nas contas públicas!

    Baixo nível de investimento público no tempo de Passos Coelho: política de empobrecimento
    Nível ainda mais baixo de investimento público, mas agora sob a regência de António Costa: sucesso da consolidação orçamental!

    Crescimento de 1,6 em 2015 com Passos Coelho: crescimento anémico
    Crescimento de 1,4 em 2016 com António Costa: virámos a página da austeridade!

    [procurem no goole por
    jornal de negócios crescimento pib 2015
    e
    jornal de negócios crescimento pib 2016]

    Aposta no turismo e nas exportações com Passos Coelho: políticas erradas
    Turismo e exportações puxam pela economia com António Costa: mérito do socialismo!

    Défices cada vez menores no tempo de Passos Coelho: mais troikistas do que a troika, pobreza e austeridade
    Défices ainda mais baixos mas agora com António Costa: Mário Centeno é um génio das finanças!»

  3. André Miguel

    Gabriel,
    É por isso mesmo que eu digo que as redacções dos jornais são autenticas casas de putas.

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