Caminhos para a dívida pública portuguesa

Uma reflexão importante: Ensaio: Que caminhos para a dívida pública portuguesa? Por Joaquim Miranda Sarmento e Ricardo Santos.

Não deixa de ser paradoxal que, sendo a sustentabilidade da dívida pública um dos temas que mais condiciona o nosso presente e o nosso futuro, o seu debate se realize, em regra, de forma superficial e sem sentido de compromisso. Temos pois que criar as condições para que se gere uma solução de compromisso, realista, mas ambiciosa.
Sendo verdade que a redução da dívida é imperiosa e deve ser assumida como uma prioridade, não é menos verdade que não existem soluções milagrosas e que medidas radicais de reestruturação comportam custos económicos e sociais muito elevados. Custos que seriam, aliás, muito superiores aos benefícios de redução da dívida e da despesa com juros.

Assegurar uma trajetória sustentável da dívida pública, num contexto de grande incerteza internacional, é uma tarefa que, sendo muito exigente, está ao nosso alcance: a combinação de saldos primários com excedente em torno de 3% PIB (que deveremos já atingir este ano) e taxas de crescimento nominais acima dos 3%/ano (obtido este ano), permitiria reduzir a dívida pública a um ritmo razoável, e no espaço de 10-15 anos, trazê-la para valores significativamente abaixo de 100% PIB.

(…)

Neste ensaio fazemos uma síntese e analisar as três principais vertentes do documento: primeiro, a caraterização da dívida pública no momento presente; segundo, avaliar possíveis cenários de reestruturação com “hair-cuts” e terceiro, que gestão e soluções existem para reduzir o peso da dívida pública?

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5 thoughts on “Caminhos para a dívida pública portuguesa

  1. Luís Lavoura

    num contexto de grande incerteza internacional, […] uma tarefa que […] está ao nosso alcance: a combinação de saldos primários com excedente em torno de 3% PIB

    Como é que, num “contexto de grande incerteza”, estes cromos sabem que esta “tarefa está ao nosso alcance”? Como é que podem ter tal certeza num contexto de tanta incerteza?

  2. JP-A

    Pelo estudo usado nas negociações com os médicos pela tutela (JN de hoje) que afinal não existe (como aquando do caso do famoso estudo da OCDE de Sócrates), já podemos deduzir o caminho que nos espera quando a saúde vier à tona.

  3. Como pode haver solução quando o governo é parte do problema?
    O BE, por exemplo, acha que temos “folga” orçamental. O PCP também. E embora cultivem uma grandessíssima hipocrisia a esse respeito, fazem parte da solução governativa actual.
    O PS, esse sempre gostou de dar o que não há, por isso a dívida sobe, sobe.

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