O mundo lunático

Cinco dias inúteis, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) O sujeito, que não tem vícios nem carro, concluiu o liceu a custo e passou uns meses no curso de Estudos Sindicais (?) do politécnico, condições que prometiam, e cumpriram, carreira radiosa na política. Chegou a deputado em 1983, posição em que se distinguiu dos radicais choninhas pelo apoio eufórico aos bombistas do IRA. Coerente e cosmopolita, o sujeito alargaria mais tarde o apoio aos bombistas do Hamas e do Hezbollah. O sujeito sempre apreciou a livre determinação dos povos, excepto quando, como na Ucrânia, os povos parecem determinar-se para longe da opressão, traquinice cujo castigo aplaude. O sujeito também aprecia o Irão, e em 2014 exigiu que o Ocidente deixasse de “demonizar” aquele regime, o qual aliás lhe pagou 20 mil libras pelos elogios. O sujeito aprecia igualmente Chávez, Castro e qualquer santo que se lhe afigure susceptível de educar a humanidade através da violência e da miséria. O sujeito, escusado dizer, aprecia um Estado zeloso. O que o sujeito não aprecia são os EUA e, sobretudo, Israel, esse território inexplicavelmente repleto de “sionistas”. O sujeito chama-se Jeremy Corbyn e o DN chama-lhe um “rebelde de muitas causas”, quase todas criminosas. Esteve, e talvez ainda esteja, a um pequeno passo de mandar no Reino Unido. Misteriosamente, os “media” ocidentais, tão diligentes a detectar ameaças populistas (ou fascistas), deixaram em paz este particular populista (ou fascista)

Anúncios

6 thoughts on “O mundo lunático

  1. Certo (ainda que algo exagerado). E, apesar disso, ou seja, apesar de discordar do Sr. Corbin em tudo, se não tivesse um candidato Lib-Dem elegível no meu círculo, teria, sem hesitações, votado Labour, pois recuso ser representado por políticos “hábeis”, que marcam eleições para quando acham que vão ganhar, recusam debates se forem à frente nas sondagens, e mudam de posição consoante os ventos da imprensa. Mais que a adesão às ideias do Sr. Corbin, a votação no Labour resultou da duplicidade, tacticismo e pusilanimidade da Sr.ª May, que num país como o Reino Unido, nem os respectivos apoiantes apreciam (eu sei que isto é difícil de explicar a pessoas que acham que o “apito dourado” era um vergonha, mas isto agora dos “padres” não é nada, ou que o “apito dourado” não era nada, mas isto agora dos “padres” é uma vergonha).

  2. Corbyn está na posição em que está porque Theresa May demonstrou uma estupidez ainda maior que a de Cameron quando prometeu desnecessáriamente o referendo.
    Quando May “herdou” o lugar, e como estava tudo incerto, disse que não haveria eleições intercalares. Quando as sondagens lhe davam uma maioria convocou logo eleições intercalares. Acreditou tanto nas sondagens – burrice – que se recusou a participar nos debates televisivos – e isso é ser burro, arrogante, e estúpido. Afirmou que resignava se não obtivesse a maioria, e não resignou.
    Tudo somado em cima dum discurso dos mais ocos e parvos que o Reino Unido já ouviu, May tem muita sorte em ter, apesar de tudo, vencido. Não merecia.
    Corbyn é execrável, mas May também é um subproduto da pior politiquice.

  3. Faço minhas as palavras de AB. Esta coisa bem ibérica de dizer “é dos nossos, vale tudo” (é só comparar os posts neste blog acerca da ladra Dilma e do ladrão Temer), não passa os Pirenéus, quanto mais a Mancha.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s