Teresa Anjinho: da escala de prioridades ignóbil à chico-espertice

Quarta-feira, Conferências do Estoril. Teresa Anjinho faz uma intervenção sobre acolhimento de refugiados, ficando pela parte mais moral e humanitária – e eu apreciei-a. Mas as coisas descarrilam quando começam as perguntas da audiência. Alguém pergunta sobre acolhimento de refugiados nos países europeus e Teresa Anjinho diz coisas lindas. Por exemplo, que ‘integração não é assimilação’, não podemos exigir que os refugiados abandonem os seus valores; mais: ‘a integração funciona nos dois sentidos’, os refugiados têm de nos respeitar mas nós temos também de respeitar a sua cultura. Portanto, já sabem, para Teresa Anjinho, política do CDS (???), nada daquela boa ideia de aceitarmos na Europa refugiados (ou qualquer tipo de imigrante, de resto) em troca do compromisso de adotarem os nossos valores e o nosso modo de vida. Nada disso: a tónica de toda a resposta de Teresa Anjinho foi da necessidade de nós, europeus, aceitarmos nos nossos países uma cultura alheia (e tantas vezes antagónica, digo eu), assim uma espécie de vida paralela, uma Europa islâmica ao lado de uma Europa de raízes judaico-cristãs.

Quando questionada por José Rodrigues dos Santos (o moderador) sobre uma declaração que na Alemanha obrigariam os refugiados que querem ficar a assinar, dizendo que sabiam que não podiam matar a sua mulher em caso de esta cometer adultério – algo que qualquer pessoa minimamente informada percebe que se trata de uma maneira de informar que na Europa não se permitem crimes de honra, algo que na minha opinião é muito necessário (tal como as famosas aulas na sequência de Colónia para explicar aos refugiados que as mulheres europeias não estão disponíveis para terem sexo com eles só porque estão de minissaia ou lhes dirigem a palavra) e se for feito com pouca subtileza, i really don’t care porque valores mais altos (preservar vidas de mulheres islâmicas) se levantam – Teresa Anjinho repudiou enfaticamente (repito: repudiou enfaticamente) tal processo alemão, que era um tremendo desrespeito para a cultura islâmica (!!!!).

Bom, claramente para Teresa Anjinho a hierarquia de valores a defender é a seguinte: poupar as sensibilidades ultra-machistas islâmicas (coitadinhos deles, não se lhes pode dizer que não podem matar as mulheres) e só depois, sabe-se lá quando, dar a informação de que na Europa os costumes bárbaros comuns nos países islâmicos (só um ignorante que nunca leu jornais não o sabe) não são permitidos por cá – isto, claro, como primeiro passo para evitar os tais crimes de honra.

É isto defender coisas ignóbeis? É, sim, senhores. Inaceitável vindo de alguém que se diz de direita? Sem dúvida. Talvez por isso agora Teresa Anjinho – com chico-espertice desonesta – venha levantar poeira por eu ter mostrado a minha repugnância pelo que defendeu publicamente. Fiz um post (moderadíssimo) no facebook dando conta de como as pessoas passam tão facilmente para a apologia da manutenção dos valores dos outros em vez da exigência de respeito pelos nossos valores. Parece que Teresa Anjinho viu. E além de outras formas de comunicação, também objetáveis, comigo (que qualquer político devia perceber que são inaceitáveis), apesar de saber o que me tinha motivado a tal observação – estava na resposta a uma pergunta que a deputada do CDS Ana Rita Bessa me havia feito no post que Anjinho leu -, fez um post sonso onde aparecia outra resposta minha, mas omitiu para o seu clube de fãs a minha explicação. Tudo para se lamentar e refazer verdades. Diz até, insidiosamente, que palavras minhas de um comentário em resposta a uma amiga eram palavras que eu lhe atribuía. (Isto, claro, além de mostrar no print screen quem fez comentários no meu post, e likes, o que é de uma deselegância tremenda para pessoas que não têm nada a ver com a questão nem têm de levar com os achaques de Teresa Anjinho.)

Não sei o que pensa Teresa Anjinho – e, neste momento, não me interessa; acho que é o tipo de pessoa que não aguenta escrutínio, tem modos questionáveis, muda de ideias conforme as audiências, não é inteligente a ponto de perceber que deve deixar morrer assuntos em que não tem razão e em que faz acusações desagradáveis e infundadas, e, por tudo isto, é bom que esteja afastada da condução da governação. Talvez estivesse a dizer o que achou necessário para ter mais palmas da audiência. Talvez estivesse a mostrar a JRS que é uma pessoa que diz coisas redondinhas e bonitinhas e, por isso, pode ir à RTP. Não sei. O que sei é que é vergonhoso termos políticos de direita a defender publicamente o que acima descrevi. O que tem mais piada é que a senhora se diz feminista e eu até já a tinha elogiado publicamente por isso mesmo. Em todo o caso, aqui fica a descrição do que se passou, porque gosto muito pouco que publicamente me acusem de falsificar quando comento o que de facto ocorreu.

Claro que Teresa Anjinho e seus seguidores podem considerar que tudo o que a senhora defendeu está muito certo. Não podem, no entanto, ao mesmo tempo reclamar que têm o estancar crimes dos muçulmanos (da Europa) contra mulheres como prioridade, nem que defendem a necessidade de adaptação dos que para cá vêm viver. E isso, agentes políticas pouco consistentes gostem e entendam ou não, é e deve ser objeto de crítica.

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7 thoughts on “Teresa Anjinho: da escala de prioridades ignóbil à chico-espertice

  1. Percebe-se porque é que se está a perder esta guerra, ” do lado de cá” – porque , a partir das “proximidades” da linha Oder-Neisse a música é outra.
    ” Go east, youn man”…

  2. maria

    Pergunto; quantos refugiados levaram para casa, Sampaio, Salvador, Costa etc. À pala destes, viaja-se, come-se etc. São os maiores sem darem nada de seu.Cinismo,hipocritismo!

  3. Gabriel Orfao Goncalves

    Há uma coisa que tem de ser dita sobre o Islão de forma muito clara:

    O Islão, tal como – sublinho, tal como – é vivido na generalidade – sublinho, na generalidade – dos países islâmicos, é

    COMPLETAMENTE INCOMPATÍVEL

    com a nossa Civilização, aqui na Europa.

    Na nossa Civilização não se apedrejam mulheres por serem adúlteras, não se enforcam homossexuais, não se torturam ladrões, não se matam pessoas com uma religião diferente da nossa. Existe depois um Islão dito moderado, no qual não vejo nenhum problema, e ainda um Islão falsamente moderado.

    Similarmente, infelizmente, existe também um lado europeu e americano putrefacto e falsamente civilizado que, por exemplo, não se cansa de ter relações diplomáticas e comerciais inexplicáveis com Estados como a Arábia Saudita ou que não se cansa de fazer a guerra em várias partes do mundo de qualquer forma e feitio. Essa “civilização” falsamente civilizada é também

    COMPLETAMENTE INCOMPATÍVEL

    com aquilo que desejamos, creio, todos, que seja sempre a nossa Europa.

  4. mariofig

    “É o CDS = Bloco de Esquerda II”

    Sem dúvida. O grande défice político na Europa revela-se bem nos valores desta menina da pseudo-direita que se alia à pseudo-esquerda no que hoje se convencionou ser uma válida forma de fazer política – a política de causas. Há quem mesmo afirme de boca cheia e mau hálito que na democracia moderna a ideologia politico-partidária já não faz sentido. E assim se instruí o eleitorado a votar não partidos, mas em personalidades. Não em projectos, mas em fait divers de ocasião. Não no plano ideológico, mas no sentido do entretenimento.

    Em contra-mão surgem os movimentos ideológicos. Ofendem pela rigidez dos seus projectos. E por isso são apelidados de extremistas. Logo acusados de destruir a democracia. Porque a democracia só pode ser esta coisa sem ideologia. E porque incomodam quem se revê no status-quo da pequena política centrista, sem sabor, sem diferenças e eternamente a alternar entre o nada e coisa nenhuma. Porque assim é que se está bem.

    É a teatro partidário português que, à semelhança do resto da Europa, encena a Grande Farsa do combate político junto das televisões, jornais, rádios e no parlamento, mas que não passa de uma coligação involuntária PSD/CDS/PS/BE onde os eleitores se movimentam sem quaisquer portagens ou outras paragens. E bem podem pensar que estão a seguir num caminho, mas todas as ruas vão dar o mesmo destino.

    Tenho 57 anos. Ainda de muito boa saúde, é certo. Mas certo é que, felizmente, já não vou andar por aí por muito mais tempo para ver esta merda toda a ir pelo cano abaixo. Certamente não serei, ou assim espero, o último dos cidadãos a assistir à queda e decadência de Roma. As minhas filhas e os filhos dela que se aguentem, infelizmente. Mas não foi por mim. Por mim, até nem tinham nascido para lhes poupar a este triste espectáculo de assistir a toda a sociedade ocidental onde os já não se fazem heróis e somos governados por gente menor que nós.

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