Reverência perante o terrorismo

O respeitinho é muito bonito, mas pouco eficaz, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) É verdade que, face às linhas e comentários que temos, se calhar o silêncio absoluto seria de facto preferível. Aparentemente, não bastam os “jornalistas” que chamam “incidentes” a explosões criminosas. Esta semana, com o regresso do terrorismo em grande escala, regressaram às televisões resmas de indivíduos especializados em comentar o assunto fugindo do assunto a sete pés. Se a primeira rajada de argumentos delirantes se esgota, o que raramente sucede, e os especialistas não conseguem remover o assassino do islão, adoptam com agilidade o Plano B, que consiste em remover o islão do assassino. O essencial, além de não mostrarmos medo (do ridículo, presume-se), é perceber que não se pode confundir os muçulmanos com o terror, embora os comentadores se vejam regularmente desmentidos pela impressionante quantidade de muçulmanos que insiste em confundir-se com o terror e pela quantidade maior que, não praticando o terror, legitima-o pela aprovação tácita ou, no mínimo, pela indiferença. O espectáculo não é desprovido de piada. Porém, o sangue real que procuram esconder sob abstracções modera um bocadinho a vontade de rir.

O método não se distingue do utilizado pelo conhecido Sheik Munir. Instado a explicar Manchester, o homem cujo cavalheirismo nunca inspirou marcha alguma, optou por ignorar as vítimas, reduzir o autor ao maluquinho do costume e, sobretudo, exigir “respeito” pelo islão (Paulo Tunhas dissecou aqui o estilo). Nem de propósito, respeito é justamente aquilo que, da parte do Ocidente, o islão tem tido de sobra – no sentido literal da palavra. A cada novo atentado, dedicam-se desmedidos louvores à “religião de paz”, os quais curiosamente não impedem o atentado seguinte. Nos intervalos, exerce-se rigorosa cautela para não beliscar a vasta susceptibilidade da crença e, de brinde, oferece-se abrigo aos seus desvalidos. Salvador Sobral, através de t-shirt, foi apenas um dos que convidaram os refugiados para sua casa. Não que os refugiados careçam de convite: dois deles vieram da Líbia para a Inglaterra, lá criaram os filhos e, ao que consta, ajudaram um deles a arruinar as vidas de dezenas de inocentes.

É injusto generalizar? Com certeza. Porém, a aversão a generalizações, ou o tal respeito trémulo pelo islão, não tem corrido bem. Quando o resultado da reverência é este, talvez valesse a pena tentar a desconsideração e a afronta. Não temos nada a perder, principalmente se a alternativa é perder tudo. (…)

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2 thoughts on “Reverência perante o terrorismo

  1. mariofig

    A pergunta que também se pode fazer ao Salvador Sobral — e aos maluquinhos como ele cheios de vontade de ser as próximas vítimas do terrorismo islâmico, tal é a sua propensão para lhe retirar importância — é se por acaso não faria então também todo o sentido deixar de fazer vigílias à luz das velas e concertos de rua em nome das vítimas. É que isto de querer acabar com o mediatismo da coisa, tem o seu preço: Ou se faz mesmo — e isso passa por acabar também com todo esse circo — ou então é melhor mesmo que o Salvador Sobral só abra a boca para cantar e deixe de dar palpites porque para o Departamento das Ideias não me parece que tenha lá muito bom currículo.

  2. AB

    Respeito pelo islão? Isso já não existe. Medo, talvez, porque é um berço de assassinos, agora respeito?

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