O terrorismo e a tranquilidade do Xeque Munir

Foto: Rádio Renascença

O líder religioso dos muçulmanos da mesquita central de Lisboa para além da reconhecida capacidade no jogo de cotovelos/quebra narizes, decidiu tranquilizar-nos sobre o Islão e o atentado de Manchester. O Paulo Tunhas, no Observador, faz o favor de levantar a ponta do véu sobre o que o imã disse e o mais que ficou por dizer.

(…)   Chegando a este plano de generalidade, é imperioso reconhecer que o terrorista não tem religião nem pátria. Não tem religião? De acordo com o Sheik Munir, e em função da imunização teológica antes referida, não. O que é ele então? A resposta é de uma assombrosa simplicidade: é um louco. De uma certa maneira, porque não? Mas qual a natureza singular dessa loucura, quais os seus motivos essenciais, quais as razões porque adopta manifestar-se assim? Silêncio. Tudo é feito para manter a discussão na mais extrema generalidade que impeça qualquer atenção ao concreto e ao particular.

Generosamente, o Sheik Munir concede que a situação é também da sua responsabilidade, para logo lembrar que todos temos um papel. Todos, sem distinção, e supõe-se que em idêntico grau. Depois de tudo o que veio antes, já nada surpreende. Como não surpreende a candura da interrogação: como é que eu posso contribuir? A questão supõe uma desarmante inocência. Ainda não tinha pensado no caso? Ou a resposta é de uma tal complexidade que a perplexidade é infindável? A questão é no entanto necessária porque, mais uma vez, ninguém gosta de viver no medo. É importante que as pessoas se sintam seguras nas mesquitas, nas igrejas, nas sinagogas e nos seus lugares de lazer e hoje em dia não há essa segurança. Isso preocupa o Sheik Munir. Note-se mais uma vez que o abstracto “viver no medo” substitui qualquer referência às vítimas.

Depois de ouvir este depoimento, confesso que saí dele igualmente preocupado com o Sheik Munir. Imagino, e quero imaginar, que a muito reduzida comunidade muçulmana portuguesa (cerca de 50.000 pessoas, creio) seja tão pacífica quanto possível. Mas nos tempos em que vivemos o que se pede antes de tudo aos líderes religiosos dessas comunidades são condenações concretas dos crimes que em nome do Islão são perpetrados, o que implica o exercício, eventualmente penoso mas necessário, de assumir a partilha de uma religião comum com aqueles que são fautores desses crimes. Para, é claro, depois se demarcarem da interpretação corânica dos criminosos. Só assim a tal reciprocidade no respeito que o Sheik Munir reivindica pode ser vivida de forma limpa e plena.

Ora, o depoimento do Sheik Munir vai num sentido que é o exacto oposto disto. A quente, logo a seguir ao atentado de Manchester, começa, sem qualquer referência às vítimas, por exigir reciprocidade no respeito. Critica os preconceitos contra os muçulmanos. Decreta, contra toda a evidência, a completa inocência do Islão, quer dizer: a completa ausência de relações entre o Islão e as motivações dos terroristas. As referências aos crimes reais são substituídas pela abstracta menção ao medo. Os assassinos são acusados de uma loucura difusa sem nenhum traço particular que a identifique. A comunidade islâmica não tem qualquer obrigação maior do que o resto dos cidadãos de condenação firme, inequívoca e muito concreta da barbárie que em seu nome é levada a cabo. Pudera: a ouvir o depoimento do Sheik Munir, os terroristas podiam perfeitamente ser marcianos. Quem fica tranquilo a ouvir isto?

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26 thoughts on “O terrorismo e a tranquilidade do Xeque Munir

  1. André Miguel

    Muçulmanos moderados opinam moderadamente sobre o Islão. A assertividade é só a opiniar sobre Judeus e Cristãos.

  2. Acho bem, assim vai receber uma Mesquita mesmo no cetro de Lisboa, expropriando legitimos proprietários e impondo um custo de 3 milhões (as expropriações são graciosamente omitidas, não se indemniza? Quanto? Pelo menos o valor patrimonial e ali vai doer) aos contribuintes.

    Só posso concordar,

  3. Tiro ao Alvo

    Lá porque e o Sheik Munir não condenou a violência doméstica, não deveria ter dificuldade em condenar o terrorismo.
    Tem razão o Paulo Tunhas, há coisas que dão que pensar…

  4. AB

    Porque há uma mesquita em Lisboa? Porque vão construír outra? Sabem quantas igrejas cristãs há actualmente em Riade? ZERO.
    Pelo menos podiam ter uma, nem que fosse para fingir que são uma religião tolerante e pacífica, mas é que nem a fingir. E no entanto, há mais de um milhão de cristãos na Arábia Saudita – quase todos trabalhadores imigrados, é certo, mas não podem ter um lugar de culto. E cá, 50000 precisam de dois? E pagos pelo Estado? Tá tudo doido? Onde está o respeito MÚTUO?

  5. mariofig

    “Critica os preconceitos contra os muçulmanos.”

    A culpa, pois claro, é das vítimas.

  6. mariofig

    “Critica os preconceitos contra os muçulmanos.”

    Já os preconceitos contra cristãos que levam à matança…
    Os preconceitos que levam à não construção de igrejas nos países muçulmanos…
    Os preconceitos contra mulheres…
    Os preconceitos contra homossexuais…

    Caro Sheik Munir, vai passear porcos!
    O meu preconceito não o escondo. Nasceu e foi alimentado pelas palavras e actos da tua religião. E se mantém bem vivo pelo medo e pela repulsa que o Islão gera em grande parte da sociedade ocidental que ainda não se deixou vencer pelo politicamente correcto.

    Ao contrário de ti, meu grande hipócrita, não me escondo por detrás da mentira. Assumo quem sou, como penso. E podes ter a certeza… muçulmanos mesmo só à distância. Porque se até vizinhos e os paizinhos deles, coitadinhos, não sabiam que eles terroristas, não sou eu que vou saber.

  7. Luís Lavoura

    Eu gostaria de ler o depoimento original de Munir para poder saber se concordo ou não com as opiniões de Tunhas. Onde está ele?

  8. Ou porque em momento algum num excerto de 2.34 minutos com cortes pelo meio o Munir condena claramente o atentado de Manchester.

  9. mariofig

    Ou porque com ou sem cortes, o titulo claramente é enganador e, como sempre, revelador do jornalismo de intervenção praticado pelo politicamente correcto ao serviço das políticas defendidas pelo apparatchik europeu.

  10. Os muçulmanos parece chamarem ‘palavra de Deus’ ao manual político de um chefe guerreiro!

    Estão condenados os seus sacerdotes a assobiarem para o lado e a manterem milhões agarrados a uma realidade de centenas de anos atrás.

  11. 1ª dia do ramadão, 23 cristãos coptas assassinados no Egipto. Não há duvida que todas as religiões são iguais.

  12. Ok mariofig, concedo que o titulo é enganador. Nos 2.35 minutos que nos foram apresentados o Munir condenou o terrorismo em abstracto sem nunca ser ouvido a usar a palavra “Manchester”.
    Não sei o que diga. Provavelmente o Munir é responsável pelo titulo e também responsável por a Radio Renascença ser apenas mais órgão de “um jornalismo de intervenção praticado pelo politicamente correcto ao serviço das políticas defendidas pelo apparatchik europeu.”

  13. mariofig

    EMS, eu puno, o terrorismo, como você o pune e, como diz e bem, o Munir o condena… em abstracto. Estamos esclarecidos em relação à abstracção do Sr. Munir.

    Mas parece-me que você não leu o texto de Paulo Tunhas… ou não quis ler, ou não quer fazer caso do essencial deste debate. O homem condena o terrorismo. É bonito. Falta assumir as responsabilidades. Mas em vez disso… somos nõs que temos de deixar de tratar mal os muçulmanos. Fala portanto dos terroristas como não sendo do seu grupo de gente boa… mas depois diz que a gente trata mal essa gente boa e por isso é que há terroristas. Ora, meu amigo, se você não entende a falha de lógica em toda esta narrativa que nos tem perturbado e ofendido a nossa inteligência na última década enquanto os seus amigos, familiares, e concidadãos portugueses e europeus andam a ser mortos à bomba e à metralhadora, então assumo que pactua e apoia o terrorismo não declaradamente mas silenciosamente… assim como o Sr. Munir na graça de Maomé.

  14. mariofig

    Entenda! Os terroristas ou são muçulmanos ou não são muçulmanos. Se não são muçulmanos, então ninguém tem de andar a ficar preocupado com a forma como se tratam os muçulmanos. Eles não são terroristas. Tal como os cristãos que morrem todos os meses vitimas de perseguição religiosa nos países do Islão não se tornam terroristas.

    Mas se são muçulmanos, então faz-se muito tarde já a hora em que de uma vez por todas a religião muçulmana assuma as suas responsabilidades pelos actos dos seus crentes.

    Dar uma no cravo e outra na ferradura é que não. Por um lado os terroristas não são muçulmanos, por outro nós é que andamos a tratar mal os muçulmanos, daí o terrorismo. Dizer que são apenas loucos, como o Sr. Munir o fez, é da mais elementar provocação à inteligência das sociedades europeias. É nos considerar estúpidos e dizê-lo bem na nossa cara. Quantos loucos cristãos andam a pôr bombas em Riade enquanto esta os persegue? Quantos loucos homosexuais, loucas mulheres, loucos pobres, loucos desempregados, loucos mal tratados pelo sistema judicial, loucos porque são mesmo loucos, andam a sistematicamente pôr bombas e a metralhar a Europa?

    Estamos em guerra, meu caro. Entenda! E o Sr. Munir é mais uma dos ministros da propaganda muçulmana a nos querer fazer acreditar que não estamos.

  15. mariofig

    E nós?

    Bom nós, na nossa estúpida placidez e ignorância própria de quem não sente ou viu guerra alguma — de que vive na Europa do consumo e dos problemas do 1º mundo tal como que marca de fraldas a comprar para o bebé — caímos que nem patinhos na narrativa do “nós matamos, mas nem por isso”.

    Embrutecidos que estamos por décadas de ócio e pela decorrente decadência de uma sociedade que trocou o pensamento ideológico pelas política de causas, construimos narrativas de auto-culpa e promoção de ditos grandes valores; valores que não temos nem nunca tivemos na nossa história. E Enquanto isso, os outros, felizes e alegres pululam de europeu em europeu estendido na rua, com grande gáudio e festejo, como nós sabemos pelas celebrações pelo mundo islâmico cada vez que há um atentado.

    Portanto meu amigo EMS… começa também já a crescer o grupo de europeus que se começa a aperceber que o inimigo afinal mora ao lado. E não é muçulmano. É que a atitude de certos justiceiros sociais começa já a cheirar a traição, à medida que o número de vítimas começa a aumentar nesta Europa triste, sem qualquer ponta de orgulho da sua história e tradições.

  16. mariofig

    Não se admire portanto, quando o terrorismo que vem de fora começar a gerar conflitos também cá dentro.

  17. Salam Ali

    Este blogue anda muito islamofóbico, o Islão é uma religião de paz. Não sejam preconceituosos.

  18. Luís Lavoura

    Shiri Biri,

    obrigado por me dar o linque. Só agora é que pude ver.

    Confesso que não vi o xeque Munir dizer nada de errado… Ele pode não ter utilizado as palavras que Tunhas gostaria que ele tivesse utilizado, mas naquilo que disse nada vi de errado.

  19. “O homem condena o terrorismo. É bonito. Falta assumir as responsabilidades.”

    Que responsabilidades lhe quer exigir? O homem anda a praticar terrorismo ou exortou os seus fieis a pratica-lo?
    Antes pelo contrario, o homem para alem de condenar o terrorismo também disse que os lideres religiosos deverão ter uma voz mais activa na sua condenação.
    Que mais exige dele. Que se converta a outra religião?

    E este paragrafo é muito interessante:

    “Portanto meu amigo EMS… começa também já a crescer o grupo de europeus que se começa a aperceber que o inimigo afinal mora ao lado. E não é muçulmano. É que a atitude de certos justiceiros sociais começa já a cheirar a traição”

    Ou seja, diz claramente que eu, ou qualquer outro moderado, deveremos ter cuidado com o que dizemos ou por onde andamos porque podemos ter um acidente.
    O que o senhor acabou de fazer foi uma forma de terrorismo que ainda não saiu do sofá.

  20. “Ou seja, diz claramente que eu, ou qualquer outro moderado, deveremos ter cuidado com o que dizemos ou por onde andamos porque podemos ter um acidente.”…….tiro completamente ao lado. Olhando para as ameaças terroristas, para as promessas de genocídio terrorista de inspiração islâmica e para os atentados jihadistas realizados a cabo nos últimos anos, não é você que pode ter um acidente, somos nós todos que estando no sitio errado á hora errada podemos ter esse acidente. Quanto ao munir e ao islão, é natural que não alcance o que se encontra por detrás de declarações politicamente correctas, pois para estudar qualquer religião ( os seus livros, a sua tradição, a sua cultura, as práticas dos seus crentes, o que os motiva a ser quem são, etc ) é preciso esforço intelectual.

  21. mariofig

    Não pense por um momento Luís Lavoura que Islamofobia me fará sentir ofendido ou que penso que é o termo errado para descrever muito do sentimento europeu no qual me incluo.

    Por isso mesmo assumo em pleno a minha islamofobia. Leu bem! Por tudo o que se vê, mas também pela forma como o apelidado Islão moderado trata o cristianismo na sua própria terra (e que Vossas Excelências teimam em ignorar ao mesmo tempo que dizem que nós é que somos os intolerantes).

    Considero portanto o Islão o Grande Inimigo (com todas as letras para perceber melhor) da cultura ocidental. Não o escondo por detrás de politicamente correcto nenhum. E ao contrário de Vossas Excelências que hoje acendem velas e fazem vigílias em nome das vítimas para logo a seguir defenderam a narrativa que essas vítimas são as causadoras do terrorismo, eu não culpo a mulher violada por andar de mini saia.

    E por isso meu caro, não aceito de si nem de ninguém que se lhe assemelhe no pensamento qualquer lição de moralidade. São Vossas Excelências que perderam qualquer pingo de vergonha e quem mais tem contribuído dentro da Europa para o alastramento do ódio do Islão ao nosso povo e o desprezo que sentem pelo nosso modo de vida. E a única triste ironia no meio disto tudo é pensar quantos, mas quantos, dos que morreram às mãos de um fanático religioso muçulmano nos últimos anos, ou os seus familiares e amigos próximos, também nãos escreviam palermices como as suas nas redes sociais. “Em defesa do inimigo, morremos!”

  22. Existem 13 países no mundo onde a punição para a apostasia é a pena de morte :Afeganistão, Irão, Malásia, Maldivas, Mauritânia, Nigéria, Paquistão, Qatar, Arábia Saudita, Somália, Sudão, Emirados Árabes Unidos e Iémen.
    A somar a estes temos o Paquistão que aplica a pena de morte por blasfémia, incluindo não crer em Alá. Para além da prisão para homossexuais.
    Como pode alguém no mundo moderno e civilizado não sentir vergonha e pactuar com estas práticas sub-humanas ? como podem os lideres muçulmanos não condenar estas práticas ? como podem os activistas do politicamente correcto ignorar estas práticas ? será que é porque elas são defendidas no corão, o livro sagrado dos muçulmanos ? o tal livro da religião da paz ? …tenha vergonha quem se diz civilizado e defende estes países onde a religião islâmica é o estado.

  23. André Miguel

    Quando o povo se sentir abandonado, indefeso pelos seus lideres e para se proteger se entregar ás mãos da direita mais radical e ultranacionalista (sim, falo de racistas, skins e afins que já andam por ai, apesar de fingirmos que não) e ripostar, os nossos políticos ficarão muito supreendidos, ofendidos e chocados. Merecem tudo o que lhes vier a suceder, pois também vai sobrar para eles. Não aprenderam nada com a História.

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