Schäuble e Centeno

Schäuble: “Centeno é o Ronaldo do Ecofin”

De acordo com o site Politico, depois da saída do PDE e do pedido para pagar antecipadamente ao FMI, o ministro das Finanças alemão considerou o seu homólogo português “o Ronaldo do Ecofin”.

Não estou tão optimista quanto – aparentemente e fazendo fé na fonte portuguesa citada – estará Schäuble mas parece-me oportuno em qualquer caso recordar o que escrevi no Observador em Agosto de 2015 sobre Mário Centeno e sobre Caldeira Cabral, e que na altura me valeu várias críticas cerradas de vários quadrantes:

Considerando adicionalmente que muito pouco de substantivo em matéria económica divide a ala moderada dos socialistas democráticos dos social-democratas, tudo isto se torna mais bizarro. Ou talvez não: quando as ideias, no essencial, pouco diferem, restam as clivagens pessoais tribais para estabelecer diferenças. Como nada de pessoal me move contra (nem, já agora, a favor de) Mário Centeno e Manuel Caldeira Cabral reafirmo que, no contexto português, são mesmo economistas de créditos firmados.

Aliás, tanto Caldeira Cabral como Centeno poderiam, se as circunstâncias fossem outras, estar nas listas da coligação PSD/CDS, o que torna as reacções inflamadas ainda mais descabidas. Pelo que percebo, o processo mental funciona mais ou menos da seguinte forma: Caldeira Cabral e Centeno seriam bestiais se estivessem na lista certa mas, dado que estão na lista errada, são obviamente umas bestas.

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17 thoughts on “Schäuble e Centeno

  1. Manuel Assis Teixeira

    Centeno e Caldeira Cabral devem estar a pensar: como é que isto nos aconteceu? Nós não fizemos rigorosamente nada durante o ultimo ano e acontecem estes milagres? A nossa aposta era totalmente outra. O Caldeira Cabral ainda pensa mais: como é que chegamos a estes resultados economicos quando eu não mexi uma palha para alem de ter dito umas banalidades qie a minha timidez deixou! Que milagre! Afinal apenas é necessário que os ministros não façam rigorosamente nada! Deixem-se estar quietinhos! Deixem a economia funcionar. Não façam rigorosamente nada! Felizmente os empresarios nem ouvem o que o governo diz! Nem os turistas, nem o BCE ! Caladinhos e quietinhos sfg

  2. Apesar do discurso, a politica seguida foi a que vinha a ser seguida pelo anterior governo, com relativo controlo das contas publicas e manutenção das principais medidas, em especial as relacionadas com o mercado de trabalho. Entretanto percebeu-se que o discurso de reverter austeridades e direitos ao povo e coisos de esquerda é apenas retórica para consumo interno. A confiança de que este governo não iria (irá) fazer nada de estúpido coincidiu com a melhoria económica relativa da Europa, em especial o bom momento da Espanha. Uma coisa é certa, é todo o mérito do costa ter metido a esquerda no bolso e felicitemos-nos pelo silencio até ao dia em que voltarão a meter os pés pelas mãos.

  3. JP-A

    É uma delícia ouvir uma manada que nem Schäuble sabe pronunciar (ao fim destes anos todos) a explicá-lo docilmente na TV. Os mesmos que antes diziam que os resultados eram parcos, falam agora numa série de grandes e inquestionáveis resultados de Costa. Ontem mesmo, José Teixeira fez uma intervenção toda ela baseada na premissa de que o objectivo e o sucesso da governação é conseguir estar no poleiro. Fica-se de cabelos em pé com as ideias que estas pessoas fazem da política e dos seus propósitos! O que só não admira mais porque provavelmente viveram a vida inteira neste caldeirão terceiro-mundista já meio avenezuelado em que ao chefe do Governo basta não paracer, enquanto o PR lhe faz a festa e deita os foguetes. Portugal é um país anedota, e pior do que isso, se calhar não sabe!

  4. JP-A

    No ano passado atrasei pagamentos ao banco e agora vou telefonar-lhes a avisar que vou fazer uns adiantamentos. Sou cliente do Banco Otário.

  5. Só são umas BESTAS quando se metem a fazer política e a INVENTAR que estão a executar uma ALTERNATIVA.

    O maestro treteiro é que lhes dá a pauta e os carneiros seguem-na à risca.

  6. Gabriel Orfao Goncalves

    “Herr Centeno hat nicht alle Tassen im Schrank”

    Isto sim, acredito que o Schäuble tenha dito.

    (Literalmente: “O Sr. Centeno não tem as canecas todas no armário”. É uma expressão idiomática equivalente ao nosso “Não tem os cinco bem medidos” ou “Não tem os parafusos todos / bem apertados”.

  7. Ainda nenhum jornal publicou a tal newsletter onde isso vem escrito. O que vem no POLITICO é: “Playbook hears German Finance Minister Wolfgang Schäuble on Tuesday called Mário Centeno “the Ronaldo of the ECOFIN” group of finance ministers. According to Playbook’s Portuguese source, such progress is like winning Eurovision for policy wonks.”
    De acordo com uma fonte portuguesa??? Quem é essa fonte? Ninguém sabe ainda…

    O Schäuble ainda não deve estar a par das cativações e da ausência de reformas. Vamos ver como é que Centeno se vai safar assim que o BCE parar as compras!

    E as considerações e comparações que o André Alves faz em relação a esta parelha de ministros é um ultraje, mostra que não tem nem coerência nem ideologia! Chegar à meta através do Caminho A ou do Caminho B, em economia são coisas bem distintas. Privilegiar a casta do Estado “funcionários públicos” em detrimento do investimento em serviços públicos de qualidade é bastante relevante, e mostra como este governo apenas governa em causa própria, são 600 000 votos para a reeleição do execrável Poucochinho!

  8. André: o comentador Manuel Assis Teixeira disse tudo, este governo não contribuiu para o crescimento da economia e devem até estar surpreendidos. O turismo é fundamental, depois junte-lhe o dinheiro europeu que está a ser despejado sobre as empresas e, por caso, novamente a ser mal usado; estão reunidas as condições para depois desta euforia chegar uma ressaca pior que a pré-bancarrota Sócrates.

  9. O articulista poderá adicionar o Grande Economista e Catedrático Francisco Loucã – merecedor de Prémio Nobel de Economia pela pujante defesa da Classe Operária e Superior Consultor do Banco de Portugal – a Mário Centeno e Manuel Caldeira Cabral.

    Catedratices…

  10. Hustler,

    «De acordo com uma fonte portuguesa??? Quem é essa fonte? Ninguém sabe ainda…»

    Está a dizer que um português que não diz o seu nome pode dizer que ouviu dizer que alguém disse sem que ninguém tenha ouvido dizer o que foi ouvido o dito que se disse? Não posso crer que me diga uma coisa dessas!!!

    Depois disto ainda ouvirei dizer que alguém ouviu dizer a quem disse que a Marine Le Pen disse que o António Costa é o dito Einstein dos Primeiros Ministros.

  11. Vamos lá ver se nos entendemos, centeno como homem revelou se no caso da CGD com os SMS do Domingues, Julgo não haver dúvidas. Como técnico revelou se com o estudo do bp em que defende a não subida do salário mínimo e com a prática seguida como ministro. Ou seja é em resumo um espinha de silicone não me lixem! Acresce os drivers para a economia crescer consumo interno e os benefícios obtidos exportações. Tudo certo portanto. Exímio economista se calhar quando comparado com a mariana.

  12. Gabriel Orfao Goncalves

    Lembram-se de um teatro do Raúl Solnado com o título “Nem o pai morre nem a gente almoça”?

    Com a fiscalidade portuguesa é assim: “Nem o burro engole a palha nem a gente o desengasga”:

    A fiscalidade é asfixiante para as pessoas e para as empresas. Sob a capa do “há outra alternativa” continuamos com o figurino da “austeridade que mata” de Vítor Gaspar: o IRS está na mesma como Gaspar o deixou, excepção feita à progressiva diminuição da sobretaxa.

    Sou contra uma fiscalidade que asfixia as pessoas e as empresas. Creio que somos todos.

    Mas enquanto a dívida pública (q anda à volta dos 130% do PIB) não começasse a descer de forma segura em relação à riqueza produzida (PIB), uma fiscalidade austera tinha de existir! Até que a dívida diminuísse. Aí, então, e só então, poderíamos lentamente diminuir o peso dos impostos. Sempre atentos para que a dívida não voltasse a subir.

    Agora temos uma fiscalidade que nem baixa a dívida (Mário Centeno não está em condições de garantir que este ano a dívida não crescerá, em %, mais do que o PIB, ou seja, não está em condições de dizer que a dívida, em % da riqueza produzida, descerá) nem desafoga as pessoas e as empresas.

    Até quando esta asfixia?

  13. Diz Nicolau Santos (um venerador da geringonça) hoje no Expresso:

    “Pois, eu acho que há muita gente a não perceber o humor alemão, sobretudo o de Schäuble. Ele não disse o que disse publicamente. Terá bichanado para alguém a “boutade” e ela terá sido escutada por um site normalmente bem informado. ”

    e diz Seixas da Costa:

    “Só alguma saloiíce lusitana é que acha que a “teoria económica” da Geringonça é vista com admiração nos círculos preponderantes no Eurogrupo.”

    Mas alguém no seu perfeito juízo acha que o SemTino percebe alguma coisa de finanças públicas?
    Mas o mais triste desta estória toda é a comunicação social que descaradamente faz propaganda à geringonça a toda a hora!

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