Politiquice e concursos públicos


– Bom dia!
– Bom dia! Estamos aqui a rever a sua candidatura à adjudicação das 47 novas estações de metro.
– Não eram 48?
– Não, estamos a cortar custos. Diz aqui que não emprega precários nenhuns na sua empresa. Confirma?
– Sim, sim. Zero precários!
– E em paridade de género, como estão?
– 50%/50%. Não há cá discriminações.
– Excelente! E em termos de desigualdade salarial?
– Nada! Todos os nossos empregados recebem exactamente o mesmo: 1 milhão de euros por ano.
– 1 milhão de euros? Muito generosos! Então quantos funcionários tem a sua empresa?
– Dois.
– Dois?!?
– Sim, eu e a minha mulher. Ambos efectivos, um de cada género e a receber exactamente o mesmo.
– Mas como é que vocês os dois vão construir 47 estações de metro?
– Não eram 48?
– Não, estamos em contenção de custos. Mas diga lá: como é que vocês os dois vão construir 47 estações de metro?
– Vamos subcontratar. A Lopes da Costa, S.A. constrói e nós ficamos com 20% do valor da adjudicação.
– E quem lhe diz que nós não iremos falar directamente com a Lopes da Costa, S.A. e ter a obra 20% mais barata?
– Vocês não querem isso. A Lopes da Costa S.A. tem centenas de funcionários a recibos verdes, quase não contratam mulheres para trabalhar nas obras e um engenheiro deles é capaz de receber umas 10 vezes mais que um trolha estagiário. Alguma vez contratavam uma empresa assim?
– Tem razão! Fica entregue. Vou já anunciar aos jornais que pela primeira vez a Câmara Municipal entregou uma obra a uma empresa sem precários, com absoluta paridade de género e sem desigualdade salarial. Podem começar já com a construção das 47 novas estações de metro.
– Mas não eram 48?

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5 thoughts on “Politiquice e concursos públicos

  1. Gabriel Orfao Goncalves

    Mais uma maneira de a Câmara de Lisboa ajudar amigos e prejudicar inimigos.
    Só não vê quem não quer.

    Parabéns, Carlos Guimarães Pinto! Os seus posts são sempre espectaculares 🙂

  2. André Miguel

    Quando o Estado se mete onde não deve, por norma o resultado é o inverso do pretendido. Há séculos que está nos livros e a história comprova-o. Somos mesmo um país de amebas.

  3. — Essa converso foi com o Me.dina ou com o Bosta?
    — E qual é a diferença?
    — Verdade, verdadeira,,, Já Bordalo dizia:
    — A me.da é sempre a mesma, o que muda são as moscas,

  4. Euro2cent

    A minha “pet theory” é que o Medina (reparem no nome, uma cidade da Arábia Saudita) é uma toupeira que o Pinto da Costa enviou para pôr Lisboa a arder.

    Os carros de bombeiros já não passam em quase lado nenhum, é uma questão de esperar por um dia de mais calor …

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