Malditos geógrafos, que ignoram o seu corpo

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Mais preocupada com corpos de terceiros, esta investigadora ignora como o seu corpo pode influenciar a sua investigação científica

Há poucos dias inaugurei uma coluna onde partilhei convosco alguns dos artigos «científicos» que andam a ser produzidos com o meu e com o vosso dinheiro, e cujo contributo societal é tão relevante quanto admirar um piaçaba 6 horas a fio. O primeiro desses artigos «científicos» visava mostrar como é que um determinado tipo de esquilos era vítima de racismo e discriminação.

Hoje, tenho o prazer de partilhar convosco um artigo que procura demonstrar que os geógrafos ignoram os seus corpos, a sua sexualidade e o seu erotismo, escondendo até, imagine-se, os seus desejos sexuais do resto da comunidade científica, e como isto tudo influencia a carreira de investigação. A investigadora partilha até, num digno exercício de reflexividade, a sua experiência como mulher-investigadora desejada, quiçá proveito da sua voluptuosidade, e como isso influenciou a sua carreira científica. Finalmente, o artigo tem uma secção dedicada a clubes de swing, sem dúvida um pilar fundamental de investigação científica rigorosa.

Uma vez mais, é bom saber que o nosso dinheiro está a ser bem aplicado.

Fonte: De Craene, Valerie (2017). “Fucking geographers! Or the epistemological consequences of neglecting the lusty researcher’s body”. Journal of Gender, Place & Culture.

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10 thoughts on “Malditos geógrafos, que ignoram o seu corpo

  1. Nuno

    A cientista escreve papers a metro.

    Em vez de descarregar as suas frustrações num diário, numa rede social, ou no consultório sexual da revista Maria, publica um paper num “journal” de ciências sociais.

    Pensando bem, tirando o estilo de escrita (e a presunção) não é muito diferente da revista Maria.

    PS: Se fosse geólogo, talvez fizesse o mesmo, mas o acto em si seria uma experiência científica sobre a predisposição das publicações de ciências sociais para publicar lixo.

  2. Mais grave do que a patetice do/a alegado/a cientista é que alguém aprovou e financiou (se não financiou directamente teve o poder de disponibilizar fundos cuja gestão era responsável) este tipo de alegado estudo.
    O problema é a condescendência para com os tontos que fazem coisas destas.
    Se o/a idiota tivesse a ideia e alguém lhe dissesse para se dedicar a coisas úteis seriamos todos poupados a palhaçadas destas.

  3. mariofig

    “Mais grave do que a patetice do/a alegado/a cientista é que alguém aprovou e financiou (se não financiou directamente teve o poder de disponibilizar fundos cuja gestão era responsável) este tipo de alegado estudo.”

    Ninguém aprova nada. O modelo de bolsas à investigação nas universidades europeias e americanas está fundamentalmente errado. Tratam-se de valores que são disponibilizados à priori e que os investigadores têm de gastar. Caso contrário riscam-se a não ter bolsa no ano seguinte. Como há muito investigador que confunde estatísticas com experiência cientifica e, noutros casos mais legítimos, muitas investigações podem levar mais de um ano a concluir, acabam por sujeitar nesse intervalo a comunidade cientifica a uma litania de aberrações pseudo-ciêntificas que não é de mondo nenhum exclusivo nosso.

  4. mariofig

    As bolsas financiados pelo estado são as piores, porque não preveem a possibilidade de financiar projectos específicos com valor e que tenham sido analisados previamente e limitam-se apenas a distribuir dinheiro dos contribuintes de forma democrática com os resultados que se vê. Já as bolsas privadas têm (mas nem sempre) melhor destino.

    É só mais um exemplo da forma como o peso e intervenção do estado só parte em vez de construir.

  5. Estes investigadores poderiam claramente ser mais úteis à sociedade se em vez de escrever estes papers estivessem mais focados em adquirir experiência empírica na matéria em causa.

  6. lucklucky

    “Mais grave do que a patetice do/a alegado/a cientista é que alguém aprovou e financiou (se não financiou directamente teve o poder de disponibilizar fundos cuja gestão era responsável) este tipo de alegado estudo.
    O problema é a condescendência para com os tontos que fazem coisas destas.
    Se o/a idiota tivesse a ideia e alguém lhe dissesse para se dedicar a coisas úteis seriamos todos poupados a palhaçadas destas.”

    Você ainda não entendeu. O objectivo da existência desse departamento é político.

  7. Também há quem realmente se divirta a ‘fazer ciência’, como neste artigo clínico (cínico?!) da Acta Neurochirurgica, “Traumatic brain injuries in illustrated literature: experience from a series of over 700 head injuries in the Asterix comic books” [http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs00701-011-0993-6]

  8. Convinha uma foto de corpo inteiro e outra em fato de banho para poder avaliar a influência nefasta do pudor dos cientistas com a sua e a sexualidade alheia.

  9. mariofig

    “E como acontece quando a investigação produz resultados positivos? Para quem vão os lucros obtidos ? O estado recupera dinheiro da produção e patenetes?”

    Não se esperam lucros da investigação cientifica. E publicar resultados em revistas da especialidade é caro. Já as patentes, quando existem em investigação aplicada, vão ou para a universidade. Poderá acontecer um acordo com os investigadores, principalmente se fazem parte do corpo docente. Mas é raro. E mais raro ainda se alunos.

    Normalmente o estado não poderá deter patentes obtidas através de investigação universitária efectuada com dinheiros públicos. São considerados fundos de apoio e sem qualquer retorno. Mas desconheço a lei portuguesa nesta área.

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