A França é a frente de batalha

Já me perguntaram por que razão ligo tanto à França se sou mais anglófilo que francófilo, o que se deve, e muito, à minha instrução primária. A explicação é simples: além da geração dos nossos pais e avós ser (e ter sido) mais próxima da França que nós, o que sempre nos influencia, há outro aspecto que não se pode descurar e que muitos esquecem.

Aquilo a que estamos a assistir é uma guerra ideológica cuja frente de batalha é a França. As ideias até podem ser (e nem sempre são) de origem anglo-saxónica, mas é nas cidades e nos campos franceses que as batalhas se travam. De uma forma forçada podemos comparar o que se passa com o que aconteceu na segunda guerra mundial quando os soldados eram maioritariamente ingleses e norte-americanos (e nem sempre foram), mas recuperar a França era crucial. O que sucedeu ontem foi precisamente isso: uma pequena batalha que foi ganha. Outras virão. Todos os dias durante os próximos cinco anos serão cruciais porque se Macron não for bem-sucedido os extremos (sejam de direita ou de esquerda) regressam e não se contentarão com segundo lugar.

Analisar a França com base em preconceitos, porque é atrasada, porque são convencidos, e porque isto e aquilo, como se nós Portugueses estivéssemos na vanguarda da discussão política, é um erro que esquece que a França, quer se queira quer não, é o centro da Europa.

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10 thoughts on “A França é a frente de batalha

  1. Luís Lavoura

    Analisar a França com base em preconceitos, porque é atrasada

    A França é tudo menos atrasada. A sua economia é bem mais eficaz que a inglesa. Tanto a agricultura como a indústria francesas são melhores do que as inglesas.

  2. Luís Lavoura

    a França, quer se queira quer não, é o centro da Europa

    Eu diria que a França está bastante a oeste do centro da Europa…

    O centro económico da Europa é, evidentemente, a Alemanha, não a França. O centro geográfico da Europa é ainda mais a leste, algures na Ucrânia, creio eu.

  3. Uma visão portuguesíssima da “Europa” – que já vem do vintismo…
    Nos últimos anos da hegemonia Americana, era Reagan, mais concretamente, um dos seus conselheiros referia-se a França como ” uma nação de terceira num continente de segunda”.

  4. mariofig

    Ahah! E depois são os outros que querem trazer a Europa de volta ao início do séc. XX, quando vêm estes com estas lógicas da França revolucionária. A Europa vive sob ameaça. Ameaça terrorista, ameaça cultural, ameaça económica e financeira e a ameaça política de a cada eleição se chegar ao dia do voto sem saber se esse dia conduzirá ao fim da UE. Ameaça interna, por si própria criada e conduzida pelas suas próprias políticas. E uma ameaça que cresce ciclicamente.

    Quem achar que neste cenário se devem comemorar as “pequenas batalhas ganhas” e ter ainda tempo para visões romancistas de uma França que já não existe desde o século XIX, está realmente de vitória em vitória a caminhar para a derrota.

  5. AB

    A França é o campo de batalha sim, e o facto de ter ganho uma nódoa transparente vai fazer com que o campo de batalha alastre. Irónicamente, Le Pen era a única em posição de travar o extremismo. Veremos como tenho razão.

  6. lucklucky

    Os extremistas do Centro contra os extremistas da Direita e da Esquerda.

    Qualquer um deles interessado em punir quem cria, inventa, ganha

  7. ” Ou o establishment que controla tudo e todos excepto o terrorismo ou os extremos de direita ou esquerda “.
    È este dualismo míope que levará ao rebentamento com estrondo deste sistema de idiotas politicos,e idiotas mediaticos que dominam as manchetes e os telejornais , que colonizam ideologicamente a generalidade das pessoas . A HISTORIA está aí para comprovar , pois tudo isto se passa ciclicamente ( ver historia da época de Luis xvi )

  8. ecozeus

    Felizmente que nem só de pão vive o homem … … a França há muito tempo que deixou de ser o centro da Europa, muito menos seu celeiro de cereais ou de ideias, pensar ao contrário é relegitimar o colonialismo e fazer com que voltemos a morrer à fome.

  9. “…na Europa existem dois tipos de países: os pequenos, e aqueles que ainda não se aperceberam que são pequenos” — a UE tem muitos problemas e deficiências, mas a maior é a falta de europeus!

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