O fim do PS

A minha crónica, ontem no ‘i’.

O fim do PS

Esta terça-feira, Manuel Valls, o ex-primeiro-ministro de François Hollande que tentou ser candidato do PS às presidenciais francesas, declarou que o Partido Socialista deve mudar. À pergunta se é o fim do PS, Valls respondeu: “Oui, je l’ai dit.”

O fim do PS. O fim do partido que Mitterrand criou à sua imagem e semelhança para o levar ao Eliseu. O fim do partido que serviu de inspiração ao PS português, fundado por Mário Soares. O fim de uma época em que uma ideologia política viveu do dinheiro fácil que, quando terminou, foi apontando como o fruto pecaminoso do neoliberalismo.

Emmanuel Macron pode vir a ser o novo senhor da França, como De Gaulle e Mitterrand o foram na sua época. Há meses que o seu movimento En Marche! está no terreno a preparar as legislativas de Junho. Macron já abriu as portas a Valls, com a condição de este sair do PS. Já Os Republicanos encaram as legislativas como uma forma de sobreviverem, formando governo. Ainda não tomou posse, mas já tudo gira à volta do homem que renega o socialismo.

Que terá um mandato duríssimo sob pena de, daqui a cinco anos, seguir o mesmo rumo de Hollande. O que não acontecerá caso o homem que mudou os partidos franceses imponha as suas políticas, como fez com a sua presença. E não tenhamos dúvidas: o que sucedeu ao PS francês, vitorioso há cinco anos, pode acontecer ao português, agora tão optimista. Quando a realidade muda não há volta a dar, por muitas benesses que dêem. Quem paga, farta-se.
E quem recebe, não havendo mais, muda-se.

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4 thoughts on “O fim do PS

  1. André Miguel

    Para isso acontecer os portugueses teriam que pensar pela sua cabeça e terem espírito critico, portanto não espere tal coisa, pois com três falências no lombo ainda aguentam uma geringonça e o inenarrável Costa Segundo. E consta que estão a gostar.

  2. mariofig

    Se realmente o PS francês avançar para a picardia, então seguramente engulo as minhas palavras e sem dúvida que En Marche! se posiciona como um grande candidato às legislativas, muito por via dos votos que poderá ir buscar ao PS numa fase de convulsão interna. O que assegurará a Macron a estabilidade governativa caso vença o LR.

    As palavras de Valls, no entanto, valem o que valem. Que é actualmente… muito pouco. Quando em Março Valls decidiu apoiar Macron, ele foi considerado um traidor pelo núcleo duro do PS francês e é apontado internamente como um dos responsáveis pela derrocada na primeira volta.

    Agrada-me a hipótese de reforma dentro do PS. Há muito que defendo a necessidade de reforma do centralismo europeu. Se Macron pode vir a ser o “herói” do momento, Valls seguramente poderia vir a se tornar o herói de todo uma nova fase na história da Europa. Só não acho o homem capaz para tal.

  3. lucklucky

    Não não vai acontecer ao PS português.
    Para isso era preciso que existissem partidos de Direita em Portugal.

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