O proteccionismo e o socialismo nacionalista de Marine Le Pen

Daniel Hannan, como quase sempre, spot on: Marine Le Pen is winning votes by pushing rhetoric that caused France’s problems

Protectionism inflicts the greatest harm on the least well off – who are often, paradoxically, its supporters.

When it comes to economics, Marine Le Pen is well to the Left of the French Socialists. She wants wealth taxes, nationalisation, higher social spending and tariffs.

Globalisation, the National Front leader told the crowd at her campaign launch in Lyons, meant “manufacture by slaves for sale to the unemployed”. This is almost the precise opposite of the truth. Globalisation – free trade, to give it its less loaded name – always brings net benefits to the countries that practice it. There are losers as well as winners, true; but the losers are necessarily outnumbered by the winners. And those losers are generally not skilled manufacturing workers. Rather, they tend to be the lowest-paid immigrants, often in the textiles sector. Madame Le Pen would have been more accurate to describe globalisation as “a way to tackle France’s chronic unemployment by creating many more well-paid jobs in exchange for exporting a smaller number of badly paid jobs”.

(…)

In fact, though, Mme Le Pen is offering more of the medicine that sickened the patient. Protectionism and welfarism are the causes of France’s troubles. The French budget has not been in balance since 1974. In order to defend the privileges of state employees, successive governments have allowed the country as a whole to become less competitive, more strike-prone, more sclerotic and poorer.

It’s the same story every time. Protectionism inflicts the greatest harm on the least well off – who are often, paradoxically, its supporters. The Corn Laws were a massive wealth transfer from the poor to the rich. The Smoot-Hawley tariffs brought misery to America’s workers. Today’s anti-market agitators – the Trumps and the Tsiprases as much as the Le Pens – will find the same thing.

The true solution to France’s malaise is the one thing that hasn’t been tried there – at least, not since the mid-nineteenth century – namely a free market. Sadly, no candidate is seriously proposing it.

Anúncios

8 thoughts on “O proteccionismo e o socialismo nacionalista de Marine Le Pen

  1. mariofig

    Globalism inflicts the greatest harm on the least well off – who are often, paradoxically, its supporters. — Daniel Hannan

    Oops. Enganei-me. Ele disse proteccionismo e não globalismo. Mas vou deixar ficar assim. Afinal também aqui Daniel Hannan concordará. Afinal ele é membro da Aliança Europeia de Conservadores e Reformistas, é um reconhecido euroceptico e foi um fervoroso apoiante do Brexit, tendo sido um dos membros da campanha.

    Concordo André Azevedo Alves. Daniel Hannan como sempre spot on!

  2. No entanto, a França tem uma produtividade mais elevada que o R.U., devem ser esses “badly paid jobs” que o governo do autor tanto se esforça para criar!

  3. Guna,

    A produtividade não depende fundamentalmente dos salários.
    Não é pelos salários reais serem mais elevados que a produtividade é maior e vice-versa.
    A prazo e globalmente é antes o contrario : uma maior produtividade permite salários reais mais elevados e vice-versa.
    O que pode depender dos salários, entre outros determinantes, é a competitividade e, consequentemente, a rentabilidade : estas serão menores se, sem maiores produtividades, aqueles forem demasiado elevados
    O que também pode depender dos salários, através da rentabilidade, é o desemprego : se os salários forem demasiado elvados relativamente à produtividade então os potenciais empregadores não recrutam ou despedem.
    No fim de contas, o que permite mais emprego e salários reais mais elevados é a criação de riqueza.

    O aumento do comércio sempre favoreceu a criação da riqueza e o aumento dos rendimentos.
    A liberdade de comércio é a melhor forma de aumentar … o comércio.
    A “globalização” foi precisamente e sobretudo, para além da circulação de capitais e pessoas, o aumento do comércio a nivel internacional.
    O progressivo recuo do proteccionismo foi um dos principais factores do aumento do comércio internacional.
    O avanço da globalização foi sempre acompanhado por um aumento considerável da criação de riqueza produzida e comercializada e, consequentemente, mais cedo ou mais tarde, dos niveis de bem-estar material do conjunto da população mundial.

    O problema do Reino Unido com a União Europeia não tem que vêr com a liberdade de comércio. O Reino Unido, até mais do que a Franca, sempre foi a favor de um mercado alargado e mais livre.
    Entre outras razões (a politica europeia de imigração, nomeadamente), o Reino Unido sempre se deu mal com o modo como uma parte dos europeus, através das instituições da União, procuraram impôr a todos os paises membros regras comuns limitadoras da liberdade económica no seio de cada pais, o RU incluido, no mercado comum e nas relacções da UE com o resto do mundo.
    Com a saida do RU, a UE perde precisamente um dos membros tradicionalmente mais empenhados em evitar que a UE fosse longe demais neste caminho.

  4. “A prazo e globalmente é antes o contrario : uma maior produtividade permite salários reais mais elevados e vice-versa.” – o que a França bem demonstra em relação ao R.U. No entanto o mercado interno no R.U. está muito mais liberalizado que o Francês; seguindo o racíocinio linear do artigo: essa maior abertura só levou à estagnação dos salários e contribuí (em parte pelo menos) para a baixa produtividade do R.U. – nem toda a gente pode trabalhar no sector financeiro.

    “a politica europeia de imigração” – qual é essa política??? Como é que difere para o R.U. e para a França, Alemanha, Holanda, etc.? Que eu saiba todos os países têm assento em Bruxelas. Não desresponsabilize a incompetência dos governos ou dos seus representantes em Bruxelas.

  5. mariofig

    “qual é essa política??? Como é que difere para o R.U. e para a França, Alemanha, Holanda, etc.? Que eu saiba todos os países têm assento em Bruxelas. Não desresponsabilize a incompetência dos governos ou dos seus representantes em Bruxelas.”

    Os vistos de asilo são maioritariamente processados nos países de chegada. Alemenha processa o maior número. Em 2016 foram 54% ou 56% de todos os pedidos efectuados por sirios, argelinos, etc. Ou seja estão-se a dar vistos de asilo a refugiados de guerra. E as estatísticas mostram que quase 70% deles são homens adultos. Bonito!

    Após o processamento, o sistema de quotas entra em vigor e os restante países são OBRIGADOS a aceitar os agora-exilados na proporção das suas quotas. Mas continue a acreditar que os países europeus são individualmente responsáveis pelo número de imigrantes. Nem sequer se preocupe em saber que houve países que vetaram o processo de quotas e este ainda assim lhes foi imposto.

  6. Mariofig,

    “Nem sequer se preocupe em saber que houve países que vetaram o processo de quotas e este ainda assim lhes foi imposto.” — mas suponho que aceitaram os procedimentos da UE em tomar decisões por maioria… a propósito, um dos países que mais apoiou a introdução de decisões por maioria no Parlamento Europeu foi o… R.U.! Não me parece práctico e ou solidário que a UE vire a costas a países como Malta, Itália ou Grécia, no tratamento de refugiados de guerra (algumas das quais o R.U. tem a sua cota de responsabilidade, mas isso também já foi discutido ad nauseam)

    Quanto a receber refugiados, veja comentários anteriores, não me vou repetir.

  7. mariofig

    Encontra-se mal informado. O programa aprovado em Setembro de 2015 foi criticado pelo Reino Unido, devido às suas implicações face ao Tratado De Schengen. A única razão porque o RU não foi mais longe é porque tem opção de opt-out no espaço Schengen, juntamente com a Dinamarca e a Irlanda. Razão aliás porque estes países não participaram na decisão tomada pelo Conselho de Ministros do Interior nesse dia.

    Entretanto vejo que continua a insistir (também ad nausea) na teoria da responsabilidade europeia por guerras no médio oriente e norte de África. Observarei, sempre com espanto, como uma certa classe tão facilmente gosta de se vitimizar pela via da culpabilização auto-imposta. Pois fique sabendo que se você se sente culpado pela guerra na Síria, isso é problema seu. Eu não me sinto culpado. Quando receber imigrantes Sírios em sua casa, tratarei de reconhecer com o devido elogio que juntou a acção à palavra. Até lá vai-me sempre parecer que a sua boca está um pouco mais abaixo.

  8. GUNA : “uma maior produtividade permite salários reais mais elevados e vice-versa.” – o que a França bem demonstra em relação ao R.U. No entanto o mercado interno no R.U. está muito mais liberalizado que o Francês;…”

    O R.U. tem metade dos desempregados da Franca. Ou seja, há mais gente a trabalhar e uma proporção maior de pessoas menos qualificadas a trabalhar e a ganhar salários mais baixos.
    Esta é uma das razões que explicam quer uma produtividade do trabalho média quer um salário mediano horário bruto em Euros um pouco mais baixos no RU do que em Franca. A diferença não é muito importante, estando os dois paises perto das médias da Zona Euro.
    De resto, tendo em conta que os dois paises não utilisam a mesma moeda e outras diferenças de contexto, o salário mediano horário bruto em PPC (paridade de poder de compra) é diferente e é mesmo superior no RU.
    Acresce que, como a carga fiscal sobre os salários, incluindo os baixos salários, é bastante inferior no RU (45% na Franca ; 26% no RU), o salário liquido em Euros ou em PPC é superior no RU.
    Resumindo, o RU faz trabalhar mais gente com qualificações mais baixas mas a produtividade média por categorias é geralmente superior à da Franca fazendo com que para trabalho igual o salário bruto em PPC seja também superior.
    Também é por esta razão que os candidatos à imigração para o RU se acumulam do outro lado do canal da Mancha, em Franca, e que haja cada vez mais jovens franceses a irem trabalhar para o RU.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s