Macron arrisca-se a perder

Emmanuel Macron has taken French voters for granted. Now he risks defeat. Por Olivier Tonneau.

In theory Macron should beat Marine Le Pen hands down. But he has little commitment from the electorate

Of the four frontrunners in the first round, Macron had the fewest “conviction” voters. According to a poll, fewer than half of those who voted for him did so because they believed his programme would change life for the better. Thus he needs to get his validation in the second-round count, and hence cannot do what Jacques Chirac did when facing Jean-Marie Le Pen in the 2002 run-off: Chirac immediately made clear that he would not interpret votes in his name as expressions of support.

Macron has done the opposite: he boldly stated that he only wanted votes based on genuine commitment. In so doing, he has run a major risk: he has dared people who oppose him (and there are many) to abstain. An astonishing proportion of voters seem ready to call his bluff. The situation has become so alarming that a Le Pen victory is becoming less implausible every day.

Journalists are now rushing to the rescue, desperately admonishing the French: they must stop Le Pen from coming to power. But the calls may be falling on deaf ears. It is not difficult to understand why. A few weeks before the election, something important happened that was largely unnoticed: an opinion poll showed that the main concern of the people was neither unemployment nor immigration, but the reform of state institutions (institutional issues are rarely brought up in polls). There is a deep resentment towards a state they perceive as oppressive, corrupt and violent.

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8 thoughts on “Macron arrisca-se a perder

  1. Basta olhar para as “pacificas manifestações” da esquerda francesa ontem em Paris!! O meu problema com a Le Penn é q ela defende nacionalizações e o fechar/sair do mercado único. Se ela se limitasse a defender políticas de controlo de imigração, eu não teria problemas em votar nela.
    Fosse eu francesa, e nas proximas eleiçoes votaria branco ou nulo.

  2. mariofig

    I asked him if had there been a deliberate effort […] to engineer a run-off between Macron and the far-right Marine Le Pen[…]. “Why, of course,” he laughed. “We’ve been at it for a year.”

    “We finished our lunch, the journalist commenting on every passing woman with the old-fashioned sexism characteristic of the French ruling class”

    “Journalists are now rushing to the rescue, desperately admonishing the French”

    Os media europeus…

  3. Desde antes da 1a volta que as sondagens para a 2a volta práticamente não mudam : Macron com 60% ou mais ; Le Pen com 40% ou menos.
    Como é que se pode agora, a 4 dias do voto, dizer que “Macron se arrisca a perder” ?
    Claro que o risco zero não existe, mesmo para Macron, mesmo para quem tem uma vantagem de pelo menos 20 pontos.
    Mas quem mais corre o risco de perder é mesmo quem está em clara desvantagem …. Le Pen !

  4. mariofig

    Mas Fernando S., o que realmente importa ver nestas entrevista é como revela que o propósito não foi Macron vs Le pen. Mas sim como é que se tramou Filllon.

    Andaram a vasculhar todos os podres que pudessem encontrar naquele candidato que seguramente e sem qualquer dúvida derrotava Macron. Os podres de Macron esses não interessam. E é assim que o jornalismo conduz o exercício da democracia à décadas.

  5. mariofig

    Depois basta pensar um pouco. Um candidato recentemente chegado, sem partido, sem estrutura mobilizadora à parte de um tal movimento de apoiantes, que no entanto realiza comícios de milhares em espaços alugados e consegue manter uma estrutura e organização “partidária” só comparável aos grandes partidos europeus. Incluindo camisolas, balões, canetas, autocolantes, chapéus e todo o tipo de brindes. Um candidato com discursos, apresentação e postura trabalhados e pensados ao mais pequeno pormenor, assim como quem contrata os maiores e melhores gestores de campanha.

  6. MARIOFIG,
    Eu fui um apoiante da candidatura de Fillon desde a 1a hora até ao fim.
    E não tenho duvidas de que, sendo Fillon largamente favorito para ganhar as eleições presidenciais e para conseguir uma maioria parlamentar de direita muito confortável, foi montada e feita uma campanha de ataques pessoais para o afastar favorecendo candidaturas mais à esquerda.
    Mas não penso que a intenção inicial fosse a de favorecer especificamente a candidatura de Macron.
    De resto, a subida de Macron deveu-se também, e muito, às divisões da esquerda e, em particular, no seio do Partido Socialista, que não conseguiu apresentar um candidato mais ao centro e mais aglutinador.
    Também não tenho dúvidas, desde o inicio, de que Macron, embora seja programáticamente do melhor que poderia emergir vindo da esquerda, é um mero candidato centrista e que não vai ser o presidente fortemente reformista que a França precisaria de ter nesta fase.
    Mas, dito isto, de um ponto de vista liberal e pró-UE/Euro, que é o meu, Macron, com todas as suas limitações e defeitos, é certamente preferivel a um candidato de extrema-direita, iliberal e nacionalista, como é Le Pen.
    E é por haver uma confortável maioria de franceses, de esquerda, do centro e de direita (incluindo Fillon), embora com razões e motivações diversas, que chega à mesma conclusão, que Macron tem sido largamente favorito nas sondagens para a 2a volta.
    Eu digo : felizmente e oxalá a tendência se confirme nas urnas.
    Porque Le Pen na presidência, embora não fosse o fim do mundo nem o regresso ao fascismo que o “politicamente correcto” de todos os matizes tem vindo a pintar, nomeadamente através do jornalismo militante a que o Mário faz alusão, provocaria pelo menos uma instabilidade em França e na Europa que poderia ter consequências, sobretudo económicas (e não percamos de vista que neste momento a Europa está numa fase de recuperação do crescimento), muito negativas.
    Mas eu percebi que o Mário acredita antes que uma vitória de Le Pen e essa mesma instabilidade contribuiriam para tirar a Franca e a Europa dos impasses e das dificuldades em que se encontram actualmente !…

  7. mariofig

    Fernando S., obrigado por um ponto de vista sóbrio e realista. Não deixando de ser contrário ao meu, as suas palavras no entanto não exasperam pelo facto de se ter recusado a um exercício de demagogia e apelo ao medo. Temos as nossas divergências no campo político, muito em particular em questões europeias. Mas respeito e agradeço a sua postura. Bem haja.

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