Braços para trabalhar na Função Pública – em que ficamos: Sobram ou Faltam?

Tentando seguir o fio histórico dos acontecimentos:
1 – Os funcionários do Estado trabalhavam 35 horas semanais e os trabalhadores do sector privado 40. Pessoas lúcidas e acima de qualquer suspeita garantiam que isto não significava qualquer entorse ao princípio da igualdade.
2 – O tenebroso governo de Passos Coelho decidiu que os funcionários públicos deviam trabalhar a barbaridade de 40 horas semanais, equiparando o tempo de trabalho ao que é prestado no sector privado.
3 – O governo patriótico de António Costa reverteu a medida, regressando os funcionários públicos a um horário semanal de 35 horas. Os trabalhadores do sector privado continuaram nas 40 horas. Pessoas lúcidas e acima de qualquer suspeita garantiram que isto não significava qualquer entorse ao princípio da igualdade. As mesmas pessoas garantiram que a redução do horário de trabalho não implicava quaisquer custos acrescidos para o Estado (e para os contribuintes) e que as horas perdidas de trabalho, em rigor, não eram necessárias.
4 – O governo patriótico de António Costa prepara-se para integrar na função pública dezenas de milhares de precários com os respectivos custos para os contribuintes. Pessoas lúcidas e acima de qualquer suspeita garantem que o trabalho destes precários é absolutamente necessário apesar de terem jurado que as 5 horas a menos que os funcionários públicos trabalham agora por semana não eram de todo necessárias.
5 – Ninguém pergunta, ninguém questiona. Ninguém quer saber.

Gostava de ter sido eu a escrever mas não fui. Foi Rui Rocha. E muito bem.
Depois perguntam porque a imprensa está em queda de finanças e de popularidade.

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8 thoughts on “Braços para trabalhar na Função Pública – em que ficamos: Sobram ou Faltam?

  1. Carlos

    Hoje celebra-se o dia do trabalhador. Em Portugal, o trabalhador do setor privado trabalha, no mínimo, 15 dias uteis a mais que os do Estado. Cada dia a menos, custa aos contribuintes 28 Milhões de Euros. 15 dias x 28 Milhoes, dá a módica quantia de 420 milhoes de euros / ano. Por cada 1000€ de salario, o Estado fica com 530€. É assim que o Estado Portugues trata os trabalhadores, distingue-os em 1.a e segunda categoria (clara discriminação) e depois apresenta a fatura a dividir por todos. Como o setor privado é a maioria, está-se mesmo a ver quem realmente paga a parte de leão. Se é trabalhador de primeira categoria, festeje antes que acabe a brincadeira. Se está na 2.a categoria (mais provável) aproveite o feriado mas reflita na injustiça de que é vítima. Você merecia de facto governantes mais justos e cidadaos nais ativos!

  2. Geringonços cuidam da sua clientela.
    Aumentos e promoções estão na calha.
    O país que lhes pague os votos.

    A maior cambada de fdp que alguma vez foi servida por uma cambada de carneiros mansos!

  3. AB

    Faltam, porque os que lá estão não trabalham nada que se veja. Mais de metade da FP é redundante, ou pior, porque para justificar tanta gente criam-se novos departamentos que só complicam a vida aos civis.

  4. Luís Lavoura

    Qualquer patrão é livre de combinar com os seus trabalhadores que eles só têm que trabalhar 35 horas (ou menos, até) por semana. Não há em tal combinação qualquer violação do princípio da igualdade. Há, simplesmente, liberdade contratual.

    Não há qualquer aumento de custos para os contribuintes na contratação dos precários. Eles continuarão a auferir o mesmo salário que anteriormente, logo, não haverá aumento de custos.

  5. Luís Lavoura

    Francisco Miguel Colaço

    … até ao momento em que já não sejam precisos

    De acordo com tal raciocínio, ninguém, em nenhum país do mundo, contrataria com contrato sem termo.

    Em todos os países civilizados do mundo, os trabalhadores que se prevê venham a ser necessários por tempo indefinido são contratados com contrato sem termo. No dia em que já não são necessários, a empresa despede-os com uma indemnização. É assim que, em qualquer país civilizado, se faz em todas as profissões e empresas.

  6. Lavoura,
    “Qualquer patrão é livre de combinar com os seus trabalhadores que eles só têm que trabalhar 35 horas (ou menos, até) por semana. Não há em tal combinação qualquer violação do princípio da igualdade. Há, simplesmente, liberdade contratual.”

    Isso é falso. Os estatais trabalham para os privados e nós nada podemos fazer relativamente a isso.
    E sobre a igualdade, please… Você lembra-se do que foi dito quando o PPC quis cortar regalias exageradas da Função Pública? Seja sério, Lavoura!

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