A roleta russa da dívida

Jogar à roleta russa com a dívida pública? Por Joaquim Miranda Sarmento.

Em matéria de Finanças Públicas, o que ressalta em primeiro lugar é a evolução que é apresentada para os próximos 20 anos. O relatório estima um défice orçamental nominal de -0,5% após 2019 (um pouco melhor até 2022 e assumindo -0,5% após 2022). Trata-se de um cenário ambicioso, embora abaixo das previsões apresentadas no Programa de Estabilidade há três semanas atrás (e com um défice orçamental de -0,5% dificilmente se cumpre o objetivo do saldo estrutural). Mas o relevante aqui é que, de facto, já ninguém se atreve a defender défices orçamentais. Pelo contrário, este relatório, ao invés de optar por uma política de rutura, com “reestruturação” e expansionismo orçamental, opta por cumprir as regras orçamentais. É aquilo que dizia há umas semanas: a rendição aos “conservadores orçamentais”. Ainda bem!

(..) ter todos os anos mais de 15 bis para reembolsar, pondo as emissões nos 20 bis ano, é jogar a roleta russa. Se os mercados estiverem calmos pode passar. Mas se estiverem em turbulência, isso é uma estratégia que nos pode trazer muitos dissabores.

Quanto ao relatório, não vale muito a pena perder mais tempo com ele. É bem possível que ele tenha apenas servido para por pressão sobre o Banco de Portugal e o IGCP, facilitando a elaboração do OE/2018 (quer através das receitas do Banco de Portugal; quer através de um menor nível de depósitos, reduzindo assim a pressão financeira no próximo ano).

Mas o relatório não só não aponta caminhos que, de facto, melhorem a posição de Portugal, como no caso do pedido europeu ignora premissas importantes. Teria sido útil que explicassem que, para pedir um novo apoio europeu (mesmo na mudança de condições), o Tratado Orçamental impõe um programa de condicionalidade (ou seja, algo próximo de um novo programa da “troika”). Como seria feito esse programa? Em que condições? Tudo o que os autores do relatório pura e simplesmente esquecem.

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4 thoughts on “A roleta russa da dívida

  1. O problema do nosso país é atribuímos importância a pasquim redigidos pelo Galamba e toma los como intelectualmente credíveis para discutir o que seja. Galamba e afins são burros e têm a boa imprensa do seu lado e esse é um handicap da nossa sociedade.

  2. O deputado Galamba já levou para assar em resposta do dr. Sarmento: mandou-o estudar e saiu tosquiado…

    Mas a grande novidade do dia é o embaixador das duas ou três cousas e lousas referir-se ao deputado Galamba e ao conselheiro Louça como “quem legitimamente o dirige [o partido socialista]”!

  3. AB

    Portugal nunca teve tantas condições para baixar a dívida e crescer. Juros baixos, moeda forte, petróleo barato, e a mais eficaz máquina fiscal de todos os tempos.
    Falta é a confiança. Um governo de extrema esquerda não inspira nenhuma, nem cá dentro nem lá fora. A dívida é grande porque a fizeram grande – e a troco de quê? O que nos dá o Estado a troco do dinheiro que nos rouba? A Educação é uma anedota, a Justiça obsoleta, a segurança pública desapareceu, a segurança social vai desaparecendo, a Saúde é para quem pode, as estradas são pagas, os transportes públicos risíveis.
    E agora dizem que o problema é a dívida? Porque a criaram? Para quem? Como é que pedimos mais e mais e temos menos e menos?

  4. tina

    O socialismo morreu. Só volta a ressuscitar quando a dívida for paga. Nunca será paga porque a esquerda sempre que volta ao poder torna-a a aumentar. Foi a própria esquerda que matou o socialismo.

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