A burocratização do país

“O PNR revela uma visão estatizante da sociedade, o Estado é o motor da economia e os outros vão a reboque. E fomenta uma administração pública cada vez maior e cada vez mais inimputável.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre a visão estatizante que documentos como o Programa Nacional de Reformas promovem.

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4 thoughts on “A burocratização do país

  1. mariofig

    Infelizmente, ao longo de todo o espectro partidário português, estamos longe de defender a redução do estado, muito antes pelo contrário. E o grande problema, o Ricardo Paes Mamede lhe indicou a si claramente nos últimos segundos do Tudo É Economia de anteontem, quando lhe disse que menos estado significava menos garantia de igualdade. O Ricardo Arroja respondeu bem já sobre o som do genérico final do programa, parafraseando, “Olhe que não. Mais liberdade para escolher o nosso caminho significa mais igualdade”. Mas temo que não chega.

    Este é o debate público essencial que não está a acontecer. Um debate ideológico e pragmático à boa moda da Grécia Clássica, onde o papel do estado é o tema. Onde estas noções de liberdade e igualdade face ao intervencionismo do estado sejam analisadas ao pormenor e onde (a meu ver) velhos mitos socialistas seriam derrubados.

  2. Ricardo Arroja

    Caro MarioFig,

    A minha expressão final foi “mais liberdade, mais liberdade de escolha”. Mas concordo consigo quanto à urgência do debate sobre o papel do Estado. Neste sentido, recuperar alguns dos clássicos da primeira metade do século XX seria um bom começo. Porque então o debate era precisamente esse. E porque a qualidade filosófico do que então se escrevia era incomparavelmente superior ao que hoje se escreve. Eu tenho lido abundantemente sobre administração pública no último ano, quer os clássicos quer os mais recentes, e não há comparação. Os autores de hoje, na sua maioria, escrevem como robôs e estão formatados num estilo académico que a mim me desencanta. Não têm a paixão, nem o vigor, nem a oomph de outrora.

  3. mariofig

    Agora, pegue-se nisto e na excelente crónica de João Carlos Espada no Observador — e que André Azevedo Alves nos deu a conhecer aqui no Insurgente (https://oinsurgente.org/2017/04/24/a-persistencia-do-estado-nacao-e-do-sentimento-nacional/) — e olhe-se em particular atenção para a sua referência a Ghia Nodia, o Iluminismo Francês e Karl Popper. Em particular a análise de Popper a esse Iluminismo. Será fácil então perceber porque não existem condições algumas para tal debate e porque em momento algum esse debate poderá ser construído de uma forma honesta.

    PS: Obrigado. Estou corrigido.

  4. mariofig

    Um dos meus grandes heróis, talvez mesmo o maior, foi Johannes Kepler. Profundamente devoto e confiante no papel de Deus como o grande arquitecto, trabalhou toda a sua vida na procura de uma geometria cósmica. A cada passo na sua investigação de toda uma vida se afastava cada vez mais da sua filosofia . Em vez de descartar as suas descobertas, rendia-se à sua evidência e continuava o seu trabalho. Isto abalava-o profundamente. Tinha momentos de desespero, mas não cedia nem na ciência, nem nunca cedeu na sua fé. Sem Kepler, não teríamos tido Newton. E graças à sua honestidade intelectual e à sua inabalável confiança na mente racional sobre a mente dogmática, mesmo contra todos os preconceitos da época e mesmo contra si mesmo.

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