Sim, a noite eleitoral de ontem foi positiva

Podem quanto quiserem lembrar que Macron pode ter dificuldades a eleger deputados, sendo que não tem partido. E que houve 40% de alminhas eleitoras francesas que recusaram a União Europeia (que estes 40% assustem quando vários referendos já se fizeram e perderam sobre questões europeias, sem que tenha havido levantamento para abandonar a UE, já acho que é alguma tendência para o susto). Podem aventar todos os cuidados. Que, mesmo assim, a maior votação de Macron, e a sua provável eleição, é uma boa notícia: Macron provou que o anti establishment – que ganhou a noite eleitoral francesa, depois de ganhar outros lados – não tem de estar capturado por maluquinhos da estirpe de Trump, Melechon, Le Pen, Farage, o inimigo do banho e da higiene pessoal que manda no Podemos, Wilders. E isto, caríssimos, é de grande significado.

Quanto ao resto, sem embarcar em messianismos e vendo as dificuldades, Macron não é um tevolucionário que quer deitar às urtigas o bom da UE – as quatro liberdades, desde logo, a paz europeia, a prosperidade que traz fazermos parte de um espaço maior com trocas intensas de todo o género – para defender projetos pessoais de poder (que não se alcançam sem inventar um demónio). É economicamente sensato. E, cereja no topo do bolo, a criatura laranja – que, tal como os comunistas não consegue conceber que todas as relações dos humanos e das instituições humanas não são um jogo de soma zero, e se esforça por criar uns Estados Unidos fortaleza num mundo de escombros, sem entender (porque mede tudo com o seu ego e precisa de se ver como o líder cimeiro do universo) que uma UE resistente e sólida não é nenhum perigo para os EUA, pelo contrário – apoiou Marine Le Pen (como se um presidente de um aliado tivesse de dar palpites sobre os candidatos franceses). Pelo que também se tratou de os franceses mandarem Trump dar uma volta. Em suma, já vi noites eleitorais bem piores.

(Mais logo digo umas coisas sobre o voto em Marine Le Pen.)

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8 thoughts on “Sim, a noite eleitoral de ontem foi positiva

  1. “Um homem que foi secretário-geral da Presidência da República (2012-14) e ministro da Economia e da Indústria (2014-16), conhece bem o milieu político e trata por tu a alta-finança internacional. Não esquecer que Macron é uma ‘criação’ da casa Rothschild.”
    in Ponte Europa

  2. mariofig

    “a prosperidade que traz”
    UE, desde 1958 a prometer prosperidade.

    “(Mais logo digo umas coisas sobre o voto em Marine Le Pen.)”
    A julgar pelo texto sobre Macron, mal posso esperar para mais umas boas gargalhadas.

  3. lucklucky

    Então ontem ter vagina já não era argumento de mérito, mas nas eleições americanas já era…fantástico como a importância da vagina aumenta ou diminui conforme as pessoas pensam, vai-se a ver e o que interessa é isso mesmo.

  4. MANOLOHEREDIA citando a Ponte Europa : “trata por tu a alta-finança internacional. Não esquecer que Macron é uma ‘criação’ da casa Rothschild.””

    O discurso anti “alta-finança internacional”, para mais quase sempre judaica, é uma das muitas manifestações da aversão pela liberdade que sempre acomunaram os extremos nacionais-socialistas, da esquerda comunista e da direita nacionalista !!

  5. “UE, desde 1958 a prometer prosperidade.”

    Falando da França, um dos paises fundadores em 1958, o rendimento per capita em poder de compra foi desde então multiplicado por … 4 !!

  6. mariofig

    Ó Fernando, você agora deu em comunista? É que eles é que costumam vir para cima da gente com estatísticas históricas completamente descontextualizadas. Assim tipo aquela brincadeira ainda à poucos dias do discurso do deputado do PCP na UE. Lembra-se? A Venezuela subiu vários lugares no ranking de índice de desenvolvimento humano e outras pérolas. Lembra?

    Então você está contra todo o discurso de campanha, unânime da esquerda à direita, mesmo entre os candidatos, que a França tem tido problemas económicos graves no seio da UE. Você não acredita que a França passou de primeira economia europeia para terceira no espaço de 15 anos. Você não acredita no aumento do desemprego ou no aumento da pobreza em frança. Você prefere pegar num dado estatístico que revela 60 anos de evolução económica e prefere ignorar os últimos 15 anos na vida de um cidadão francês.

    Dou-lhe o benefício da dúvida e vou achar que não é nada disso. Você apenas se excitou, mas já se vai acalmar.

  7. MARIOFIG : “Você prefere pegar num dado estatístico que revela 60 anos de evolução económica e prefere ignorar os últimos 15 anos na vida de um cidadão francês.”

    Deixo a conversa de grandes tiradas bombásticas e de meros ataques ad hominem para si !…

    O dado estatistico mostra objectivamente que a UE não impediu a França de prosperar, antes pelo contrario.

    Não ignoro nada dos últimos anos.
    Em particular, o facto da França ter hoje dificuldades, nomeadamente com um desemprego elevado e com uma quase estaganação do poder de compra.
    Mas, desde logo, não vamos exagerar : o desemprego francês ainda é inferior ao de outros paises europeus, incluindo Portugal, e, como noutros paises europeus, até desceu em 2016 ; o rendimento per capita francês, depois de ter aumentado fortemente durante décadas, caiu em 2008-2009, como de resto em todos os outros paises, mas tem vindo a recuperar lentamente, como na generalidade dos outros paises europeus, está hoje de novo ao nivel de 2008, continua a ser superior à média dos paises desenvolvidos (OCDE), está por exemplo acima do do Reino Unido, que por sinal até se manteve fora do Euro.
    Podia ser pior ?… Podia, ainda mais sem a UE.
    Podia ser melhor ?… Podia, mesmo com a UE.
    Na verdade, as dificuldades actuais da França não se explicam pela UE e pelo Euro mas sim pelo facto dos seus governos sucessivos terem seguido politicas erradas, em particular adiando reformas estruturais necessárias.
    Outros paises da UE e da Zona Euro, a começar pela Alemanha, fizeram atempadamente essas reformas e por isso estão hoje melhor do que a França e do que os paises, como Portugal, cujos governos não fizeram atempadamente o que deve ser feito.
    O problema da França, como o de outros paises europeus, não é a UE e o Euro mas sim as politicas seguidas pelos governos nacionais.
    Os programas económicos de Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon, fortemente iliberais e de ruptura com a UE e o Euro, seriam bem mais desastrosos para a França.

  8. Os maluquinhos dos outros não prestam. Os nossos ( pcp, be ) que sustentam a geringonça e que tb defendem a saída da UE e a estatização da economia, esses já são porreiros, pá.

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