O problema é o governo

“O programa de estabilidade 2017-2021 anunciado há dias trouxe, afinal, boas novas ao povo português!”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Em defesa de menos Estado (e de menos despesa pública) na economia.

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9 thoughts on “O problema é o governo

  1. O governo pode anunciar tudo e o seu contrario sem receio de ser questionado … desde que seja claro que não vai mexer no essencial dos interêsses instalados !…
    O FMI acaba de dizer que a economia mundial, incluindo a europeia, vai crescer mais em 2017 antes de voltar a desacelarar em 2018.
    Com a “geringonça” no governo vamos continuar despreocupadamente a desperdiçar tempo e recursos em condições favoráveis adiando reformas estruturais que seria indispensável fazer agora para que o nosso pais pudesse ultrapassar as debilidades que tem e ficar mais preparado para fazer face aos riscos e desafios do presente e do futuro.
    Como acontece muitas vezes, os eleitores põem a esquerda no poder nos periodos das vacas mais gordas e contam com a direita apenas para quando a situação se torna insustentável e exige medidas dolorosas.
    O problema é que não percebem que são necessárias reformas de fundo e que estas podem e devem ser feitas sobretudo quando as condições internas e externas são mais favoráveis, por pouco que o sejam e antes que seja de novo tarde !

  2. Luís Lavoura

    Em defesa […] de menos despesa pública

    Mas é precisamente isso que o atual governo está a fazer, ao que parece, e, de facto, pela primeira vez na história da democracia. Segundo consta, em 2016 o défice foi combatido essencialmente pelo lado da despesa, ao contrário daquilo que tinha acontecido durante o governo anterior, em que o défice fôra combatido essencialmente pelo lado da receita. Portanto, o Ricardo Arroja tem todos os motivos para estar satisfeito.

  3. Luís Lavoura

    Fernando S

    Com a “geringonça” no governo vamos […] adiando reformas estruturais

    A que reformas estruturais se refere, concretamente? Que reformas estruturais pensa que estão a ser adiadas?

    É que eu vejo muita gente a falar de “reformas estruturais”, mas raramente dizem de forma concreta que reformas pretendem.

  4. LUIS LAVOURA : “A que reformas estruturais se refere, concretamente?”

    São basicamente reformas que reduzem o peso e o papel do Estado e que aumentam a liberdade dos agentes económicos nos mercados.
    A listagem seria longa e nunca completa.
    Desde logo, é preciso continuar a flexibilizar a legislação laboral em vez de a parar e reverter. Todas as comparações mostram que Portugal ainda tem uma das legislações laborais mais rigidas e que este é um dos factores que mais efeitos tem sobre a dinâmica e a eficiência do emprego de recursos, para melhor e para pior. Precisamos de ser mais flexiveis do que os paises mais avançados e não iguais ou menos.
    É preciso continuar a liberalizar os mercados onde existe ainda uma excessiva intervenção do Estado : energia, rendas imobiliárias, profissões liberais,…
    Sem prejuizo da supervisão por uma entidade independente como o BdP, os governos têm de deixar de intervir no sistema financeiro e bancário e a CGD deve ser privatizada.
    É preciso reformar verdadeiramente o Estado : mais privatizações, concessões e terciaizações de empresas e serviços público ; mais mercado e mais privado na educação, na saude, no sistema de pensões,…
    Haveria muito para fazer : certas medidas poderiam ser tomadas rápidamente, outras reformas seriam mais complexas e faseadas levando o seu tempo.
    Por isso, não há tempo para perder !!

  5. LUIS LAVOURA : “Mas [menos despesa pública] é precisamente isso que o atual governo está a fazer, ao que parece, e, de facto, pela primeira vez na história da democracia. Segundo consta, em 2016 o défice foi combatido essencialmente pelo lado da despesa, ao contrário daquilo que tinha acontecido durante o governo anterior, em que o défice fôra combatido essencialmente pelo lado da receita.”

    1. Se é assim então o governo actual está a fazer exactamente o contrario daquilo que aqueles que o constituem e apoiam sempre disseram que era preciso fazer !!!!!!

    2. Não é verdade que é “pela primeira vez na história da democracia”. Em termos acumulados, o governo anterior cortou mais despesa e mais investimento. O que aconteceu é que não foi possivel ir mais longe, porque houve resistências (Tribunal Constitucional, etc) e porque, com a recessão e o aumento do desemprego, aumentaram mecânicamene as despesas ditas sociais, e, sobretudo, não foi suficiente para tapar os buracos da bancarrota obrigando a completar com aumentos de impostos. Não esquecer que o governo anterior teve de gerir uma situação de emergência financeira e crise económica num contexto externo desfavorável (crise europeia das dividas soberanas, crise nos paises emergentes, etc) enquanto que o governo actual herdou um pais com contas públicas em recuperação e uma economia a crescer.

    3. Uma parte da redução na despesa pública obtida pelo governo actual resulta de poupanças nos custos do financiamento da divida pública em resultado da baixa da taxa de juro e das reestruturações conseguidas graças à acção … do governo anterior !…

    4. A restante redução de despesa pública consistiu sobretudo em cortes cegos (“cativações”) e dificilmente reproduziveis e não resultou de reestruturações e reformas na dimensão e no funcionamento do Estado.

  6. mariofig

    Boa resposta Fernando. E já agora não esquecer também uma reforma à lei de arrendamentos, que contribui para uma grande dependência ao crédito em Portugal e consequente instabilidade bancária. Não tem o maior peso nas imparidades, mas julgo que o seu primeiro parágrafo já inclui a redução da carga fiscal sobre empresas nem que seja por efeito indirecto da redução do peso do estado sobre o país.

    @Ricardo Arroja, gostei muito de o ver no Tudo é Economia. Foi possível finalmente ver um Ricardo Paes Mamede mais lúcido e cuidadoso nas palavras. Sem dúvida em virtude de o respeito que o RA impõe, tenho como certo não se deixaria levar por RPM se este começasse nas suas habituais tiradas de spin informativo, e RPM saberia disso. Por isso também gostei. É um programa que deixei de acompanhar por uma série de factores relacionados com RPM e postura demasiado interventiva e claramente inclinada do apresentador, mas que quando soube que RA iria lá estar não quis perder. Bem haja.

  7. AB

    Dia 21 depois do fecho do mercado a DBRS comunicará a avaliação do rating – o Big Selfie deve asneirar de novo e anunciar um dia antes, e um dia os canadianos aborrecem-se e vai ser “Ai é? Então agora toma lá lixo que é para não seres parvo”.
    Em princípio o rating mantém-se, mas eles também sabem fazer contas, não é só a Teodora Cardoso. Não é certo e é decisivo, há uma hipótese pequena mas real de na próxima semana estarmos debaixo de outro resgate.
    Logo de seguida são eleições em França. As sondagens já decidiram quem ganha, mas dentro da margem de erro está tudo em aberto. É bom não esquecer que o Brexit tinha poucas hipóteses e Trump nenhumas, e foi o que foi. Mélenchon pode ir à segunda volta.
    E o que tem isto a ver com a maravilha económica da Geringonça? Pois continuamos dependentes do mais mínimo abanãozito vindo do exterior. Lá mais para diante os gregos irão falhar os pagamentos e lá estaremos como sempre na linha da frente.
    E isto começa a fartar. Estávamos num caminho de consolidação, lento, duro, mas consistente, que nos protegia melhor desses abanões. Já não estamos.

  8. MARIOFIG,
    Obrigado.
    Tem razão : a progressiva redução da carga fiscal, a começar pelas empresas, é um dos principais objectivos de fundo de uma reforma e redimensionamento do Estado (que também se impõe para contribuir de forma imediata mas duradoura para resolver o problema actual do desequilibrio das finanças públicas).
    Sim, é verdade, a legislação sobre os arrendamentos deve ser ainda mais liberalizada. Infelizmente, o actual governo tem dado sinais de querer ir em sentido contrario, sobretudo no que se refere ao alojamento local nos centros históricos.

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