A obrigatoriedade da vacinação e as concepções de liberdade

Sou a favor da obrigatoriedade da vacinação em relação a certo tipo de doenças, e considero que a garantia de acesso faz parte das funções primárias de um Estado minimamente preocupado com a vida dos seus. Em que situações defendo a obrigatoriedade? Quando haja risco de contágio para terceiros, e a doença ponha em causa não (apenas) a vida de quem decide, mas de terceiros alheios a essa decisão. Nestas situações, não vejo onde possa haver qualquer violação de uma ideia de liberdade individual.

Quando optamos por nos organizar em sociedade, a razão fundamental pela qual aceitámos que haja um monopólio da Segurança gerida pela comunidade, é precisamente para garantir situações dessas, para que possamos estar protegidos de agressões de terceiros, para as quais, sozinhos, não temos capacidade de nos proteger.

Acresce que numa sociedade onde nos proíbem de fumar, beber, qualquer dia de ingerir gorduras (mas não de nos drogarmos com certo tipo de substâncias “cool”), nos impõem o cinto de segurança, o bilhete de identidade, e outras formas de identificação agressivas, que nos obrigam a ir à escola até (acho) ao 12.º ano para sermos doutrinados pelos manuais escolares definidos por um núcleo de ideólogos de esquerda, que há “Planos Nacionais de Leitura” e políticos em omnipresença em tudo o que é local e minuto televisivo, todas estas situações bem mais intrusivas que uma injeção esporádica, diria que discutir a vacinação e a sua eventual obrigatoriedade é mesmo um fetiche.

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5 thoughts on “A obrigatoriedade da vacinação e as concepções de liberdade

  1. Luís Lavoura

    Quando haja risco de contágio para terceiros

    Mas, só há risco de contágio a quem não esteja vacinado!

    Se a pessoa A não se vacina, contrai a doença e depois a transmite à pessoa B, então é porque a pessoa B também não estava vacinada, e portanto não tem nada que se queixar de ter sido contagiada!

    Ou seja, parece-me que o risco de contágio a terceiros não é razão para obrigar à vacinação.

  2. « Sou a favor da obrigatoriedade da vacinação em relação a certo tipo de doenças, e considero que a garantia de acesso faz parte das funções primárias de um Estado minimamente preocupado com a vida dos seus. Em que situações defendo a obrigatoriedade? Quando haja risco de contágio para terceiros, e a doença ponha em causa não (apenas) a vida de quem decide, mas de terceiros alheios a essa decisão. Nestas situações, não vejo onde possa haver qualquer violação de uma ideia de liberdade individual. »

    Eu já tive o sarampo aos oito anos .
    Diziam ser , uma doença benigna .
    Parece que o monhé vai abrir o palácio de São Bento à maralha : consta vai haver concerto intimista com o Jorge Palma e um recital do Manuel Alegre .
    É bom que falemos de vacinas.
    Possa servir para uma conversa mais abrangente , porque não também , do darwinismo social , do virus do Islão , dos parasitas do Estado , das moléstias da democracia ?

  3. Luís Lavoura,
    Tal seria verdade se a vacinação fosse totalmente infalível, que infelizmente não é, e se todas as pessoas fossem pasíveis de ser vacinadas, o que também não é (há pessoas que não podem ser vacinadas).

  4. mariofig

    Não vi este post do Rodrigo antes de responder a um outro sobre a temática da vacinação. Mas reflete exactamente o que penso. Sou contra um principio generalizado de obrigatoriedade, mas concordo em pleno com a obrigatoriedade da vacinação quando integrada em planos de emergência da saúde pública que serão activados caso a caso consoante os perigo de epidemia.

    De salientar que uma lei de vacinação obrigatória para doenças contagiosas também incorre em despesa adicional para o estado que em muitos casos não se justificaria porque o perigo de epidemia poderia ser mínimo ou inexistente. No caso do actual surto de Sarampo, por exemplo, para lá caminhamos. Pelo que eventualmente o Ministério de Saúde activaria o “estado de emergência para vacinação” e a obrigatoriedade entraria então em vigor e temporariamente enquanto durasse a emergência. Antes e depois disso, qualquer outra legislação de obrigatoriedade incorreria em despesa para o estado sem qualquer benefício prático.

  5. David

    Prova Indirecta O mesmo argumento a favor da vacinação forçada pode ser usado para a esterilização forçada, para reprodução forçada, ou para não deixar mulheres ou idosos ou funcionários públicos votar.

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