Renaud Camus & Pat Buchanan

N’O Estado da Arte, blog do jornal O Estado de São Paulo, encontra-se um interessante perfil de Renaud Camus, candidato presidencial francês que sequer é chamado para os debates.

Confesso que a primeira vez em que ouvi falar em Renaud Camus foi num almoço com um amigo, diplomata brasileiro. Ele próprio, descendente de franceses, demonstrava interesse pela ideia camusiana do “Partido da In-Nocência” — não da inocência no sentido de não ser culpado, mas de não fazer mal. Primum non nocere.

Discordemos o quanto quisermos de Camus, claro, mas tentemos entendê-lo. E uma comparação que me veio à mente foi com o velho Pat Buchanan (ou apenas oito anos mais velho do que Camus). Buchanan foi assessor de Reagan, perdeu repetidamente as primárias republicanas para ser candidato, e ajudou a criar o Reform Party, tendo sido um dos primeiros “terceiros candidatos” de monta às eleições presidenciais americanas. Como Camus, também foi excluído dos debates televisivos, e era difícil não entender isso como um ato de prudência: como Buchanan era também apresentador do programa Crossfire na CNN, seria difícil superar alguém que já dominava toda a linguagem da TV.

Buchanan, porém, foi uma espécie de pioneiro do nacionalismo que hoje encontra em Camus um representante à direita de Marine Le Pen: defendia o poder dos sindicatos, queria que os EUA parassem de exportar empregos, era abertamente nacionalista. Denunciava os acordos multilaterais de comércio, e um de seus slogans era free trade is not free, no sentido de que o livre comércio custa algo a alguém — o importante era que o eleitor de Buchanan acreditasse que o outro é que estava pagando, talvez.

Contudo, Buchanan escreve muitíssimo bem. Pode não ser um mestre do estilo como Camus, mas tem clareza e teve a coragem de escrever um livro que sugere que a Segunda Guerra Mundial foi desnecessária. Deu-nos um dos melhores títulos do mundo, o de sua autobiografia: Right from the Beginning, ou Desde o começo, Certo desde o começo, e Direitista desde o começo.

Três anos antes do famoso Le Suicide Français de Éric Zemmour, Buchanan também escreveu Suicide of a Superpower.

Com a eleição de Trump, ficam as perguntas: Buchanan veio cedo demais para os eleitores? E Camus? Encontrará em Le Pen seu voto útil?

É muito melhor tentar entender essas figuras do que descartá-las — o que é óbvio quando dito assim, mas não quando se considera o tratamento que boa parte da mídia lhes dispensa.

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