Pelo regresso do serviço militar obrigatório, em nome do chavascal!

Parece que andam por aí umas almas penadas a rezar pelo regresso do Serviço Militar Obrigatório. Não podia estar mais de acordo.

Há, claro, uns idiotas libertários que contestam esse regresso. Que chamam a isso uma espécie de escravatura temporária e que acham que se o exército quer mais pessoas, então que pague mais. Aqueles que se opõem devem estar a esquecer-se de um pormenor importante: desde que o serviço militar obrigatório foi suspenso, avançou-se imenso nas preocupações com igualdade de género pelo que, se o serviço militar obrigatório fosse reposto, teria necessariamente que incluir também as mulheres. Agora imaginem o que será meter todos os anos 100 mil jovens (metade de cada género), sem qualquer respeito pela instituição militar (porque não querem estar lá), em camaratas, obrigados a conviver meses a fio. Para muit@s será a primeira vez que estarão tanto tempo fora da casa, e longe da autoridade, dos pais.

Há uns anos trabalhei uns tempos no Uzbequistão. O Uzbequistão é um dos maiores produtores do Mundo de algodão, algo que exige muita mão-de-obra temporária para a apanha. A forma que o regime soviético encontrou para resolver esse problema foi obrigar todos os estudantes universitáros a dedicar dois meses por ano à apanha do algodão (nota: já depois de escrever este texto, fui ver, e a prática ainda hoje existe). Era uma espécie de serviço agrónomo obrigatório em nome do bem estar do país. Apanhar algodão era uma actividade dura, pelo que eu esperaria que a maioria das pessoas tivesse más recordações desses tempos. Para minha surpresa, as pessoas com quem falei sobre isso, tinham excelentes recordações. Os homens falavam com orgulho das suas conquistas no meio das plantações. As senhoras coravam ao falar da sua experiência. As estatísticas demonstravam um pico de nascimentos nove meses depois da apanha do algodão.

Mas há um país ocidental onde o serviço militar obrigatório misto já acontece há muitos anos: Israel. Um país que, como se sabe, sofre das mesmas ameaças existenciais que Portugal. Inspirados nesse exemplo, as jovens portuguesas que, por pudor, não queiram participar no chavascal, podem sempre seguir os conselhos que são dados às jovens israelitas mais púdicas. Se não seguirem esses conselhos, podem sempre juntar-se às poucas centenas de queixinhas que não gostam de ver os seus corpos apalpados. Enfim, gajas que não percebem os mais altos desígnios nacionais….

Ter almas jovens, bonitas, rebeldes e pouco interessadas na instituição militar fechadas meses no mesmo espaço com supervisão limitada, e provavelmente até interessada em participar na festa, só poderá ter excelentes resultados. Portugal precisa definitivamente de mais chavascal. Se for patrocinado pelo estado, melhor ainda. Sempre se poupa no bilhete dos festivais.

Anúncios

16 thoughts on “Pelo regresso do serviço militar obrigatório, em nome do chavascal!

  1. Áustria, Suíça, Suécia no entretanto. O SMO não serve para trabalho escravo, serve para orientar gente que se não for apanhada a tempo rapidamente vira as forças e energias da juventude para fazer disparates. Estas pessoas querem desesperadamente rever-se com qualquer coisa. Pois, que seja com uma que está habituada a lidar com isto. Com o desemprego nos 10%, os disparates não passam por coisas fofinhas de liberais. Lamentavelmente. É ir dar uma volta pela periferia e ver o que fazem os nossos jovens “sem nada para fazer”. Depois é imagina-los daqui a uns anos.

  2. T.

    Eu vivo na Suíça, eis o que me contaram quem fez o SMO:

    “Para o Exército não vão nem os delinquantes, nem os mais fracos (que curiosamente constituiem a esmagadora maioria das pessoas…). Vai apenas quem não precisa do Exército para nada em definitiva.

    Serve agora apenas para colectar a taxa militar dos que foram reformados…”

  3. Luís Lavoura

    E os jovens que têm emprego?

    Há hoje em dia muito poucos jovens que tenham emprego com 18 anos de idade. Repare-se que atualmente o ensino é obrigatório até essa idade.

    Poder-se-ia eximir do SMO os jovens que já tivessem emprego. Não seriam muitos, não faria diferença.

  4. Luís Lavoura

    se o exército quer mais pessoas, então que pague mais

    Isso implicaria um aumento dos gastos do Estado, e portanto um aumento dos impostos. O Carlos G. P. aceitaria que os seus impostos aumentassem para que os soldados fossem melhor pagos? Eu julgava que, para os liberais, os soldados não passassem de infames funcionários públicos que merecem que os seus salários sejam cada vez mais reduzidos…

  5. investir €€ em miúdos sem capacidade intelectual para estudar e sem motivação para trabalhar por conta de outrem (aka, “nem-nem”) para que eles lancem o seu próprio negócio parece-me bem mais idiota do que pò-los nas forças armadas

  6. caveira

    Quando fiz o meu SMO (de cuja recruta me recordo com prazer) já trabalhava. A entidade patronal deu-me licença sem vencimento para todo o tempo que durou o SMO, 17 meses se não me engano. Após a recruta e depois do horário da “tropa”, ia trabalhar para a empresa, que isso de viver à conta não se aplicava e o ordenado do SMO não chegava.

  7. Corrière della sera
    Per il secondo anno consecutivo si registra una crescita del numero dei Paesi (19) in cui sono in aumento i rischi politici, rispetto ai Paesi in cui sono diminuiti (11). Nel complesso i livelli di rischio terroristico e politico sono i più alti mai registrati dal 2013, che comprendono non solo quello legato al terrorismo, ma anche l’esposizione a colpi di stato, guerre tra Stati, conflitti civili e ribellioni. Sono 17 i Paesi a più alto rischio, che costituiscono veri e propri epicentri di instabilità, da cui provengono le principali minacce di terrorismo internazionale che aumentano in maniera sensibile l’esposizione ai rischi d’impresa nei Paesi limitrofi. Tre cinture a rischio molto elevato si estendono dall’Africa, passando per il Mediterraneo fino all’Atlantico, attraverso il Mediterraneo Orientale e l’Asia meridionale.

  8. mariofig

    Quais são os objectivos do SMO? Quanto vai custar? Existem alternativas ao recrutamento compulsivo, tais como campanhas mediáticas periódicas das forças armadas junto dos media para o recrutamento voluntário, que certamente custarão muito menos aos contribuintes e permitem às F.A. melhor gerir a sua dimensão e organização?
    Tenho um profundo respeito pelas Forças Armadas do meu país. Sou inclusivamente um ávido consumidor da sua história (infelizmente hábito nunca satisfeito pela pouca literatura sobre o tema). Mas 35 anos depois estou ainda a tentar perceber o que os 12 meses que cumpri nos quartéis de Carcavelos e Oeiras fizeram por mim, pelo estado e pela nação.

  9. Dervich

    Não é uma questão de opção social, politica ou outra:

    Já na minha geração não era fácil mas, hoje em dia, é totalmente impossível conseguir que um adulto jovem faça uma Marcor (marcha/corrida) segurando uma G3, sem ter na outra mão o smartphone a actualizar o snapchat, ou que compareça numa formatura nocturna sem estar a segurar numa bejeca…

    É também impossível conseguir que obedeçam a ordens muitas vezes avulsas e sem contexto, apenas com o objectivo de conseguir um abstracto “espírito de coesão” o qual, individualistas e egoístas como são, lhes escapa completamente.

    E tudo isto que disse não quer dizer que eles, ou o tempo em que vivemos, seja melhor ou pior que o antigo (é melhor por um lado, é pior por outro), é apenas diferente e irrepetível.

    Por tudo, isto esta discussão é estéril.

  10. Miguel Madeira, se acha que o SMO é apenas manejar em armas, parece-me que veio para esta discussão mal armado.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s