Catarina patroa, Catarina costureira

O meu texto de ontem no Observador.

‘Por estes dias, qualquer pessoa que esteja familiarizado com o conceito de ‘coluna vertebral’ tem sentido dores nas costas (causadas por curvaturas na coluna demasiado acentuadas e sinuosas) de cada vez que ouve ou lê uma notícia sobre o Bloco de Esquerda. Mais ou menos como quando às vezes no sentimos corar de vergonha pelas más figuras de terceiros, tão más que é impossível não nos carregarmos de embaraço por empatia. A boa notícia é: se está com medo de ter desenvolvido uma hérnia discal, ou uma contratura na cervical, é bem possível que afinal sejam só dores pelos flic-flacs da coluna dos dirigentes do BE.

Não que nos próprios se note mazelas. Aparentemente vivem bem com as colunas com vários nós de marinheiro. E os votantes do BE, segundo nos informam as sondagens, também não são apreciadores em demasia de uma coluna vertical. Aplaudem hipocrisia e contradição. Vamos conferir.

É ver Catarina Martins, que votou favoravelmente em 2016 o orçamento de 2017, queixar-se agora que o orçamento para a cultura é ‘vergonhosamente baixo’. Desengane-se o leitor se por segundos ponderou tratar-se de um ato penitencial à conta da Páscoa que se aproxima. Não, o bom bloquista é estranho aos exames de consciência dos católicos. Catarina Martins estava mesmo a insultar o documento que considerou bom para o país, dando-lhe o seu voto de deputada, como se nada tivesse a ver com tão vergonhoso documento.

Também é divertido (ou doloroso, para as pessoas mais sensíveis aos engulhos na coluna alheia) observar Catarina Martins pedindo limitação dos ordenados dos gestores das empresas privadas. Salvo rapto por extraterrestre e substituição por um clone, é a mesma Catarina Martins que votou contra as tentativas de PSD e CDS para limitação dos ordenados na CGD. Claro que encenaram umas objeções pró-forma, a salvar a sua alegada reputação virginal, mas quando foi necessário ajudaram o PS a impor salários indecorosos para uma empresa pública. (Se a CGD devia ser pública ou não – e não devia – é outra questão. Enquanto for, há que limitar as responsabilidades assumidas em nome dos contribuintes.)’

O resto está aqui.

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3 thoughts on “Catarina patroa, Catarina costureira

  1. Manuel Assis Teixeira

    O problema começa em dar-mos credibilidade a essa moça! Eu não dou! Basta ouvi-la falar! Não passa de uma actriz de revista de terceira categoria que foi indústriada em alguns conceitos pelo Reverendo Louçã e que diz tudo fazendo o seu contrário, porque o objectivo é manterem esta felicidade em que andam! Mas o problema não está na moça que goza as delícias da sociedade capitalista mas invectivando-a. A moça é uma marioneta. O problema está no Louçã que agora feito senador manobra como quer estes aparatchiks que estão a conduzir o país para o abismo! Aí sim! E tudo com a complacência ” selfie” de sua excelência o Sr Presidente.

  2. mariofig

    Ainda ontem se ouviu na AR a deputada Mortágua a dizer que o BE se mantém fiel aos seus princípios e não muda de discurso, ao se defender de um ataque que o PSD estava a fazer ao BE e ao PCP sobre a venda do Novo Banco. Percebemos muito bem portanto como será o discurso pós-geringonça do BE. Mas não poderá surpreender ninguém que o BE escamoteie a sua inconsistência e adopte o pós-verdade como arma política, bem nas barbas da população. O uso da retórica, a demagogia, o discurso falacioso, a desinformação e uma predilecção pela agnotologia é o que permite aos movimentos de esquerda deste calibre manterem alguma presença junto das populações.

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