Portugal: uma democracia pouco liberal

“A verdadeira razão de existir do Estado consiste na defesa de valores como a confiança e a verdade. Como o governo faz o que não deveria fazer, não de admirar que continue a cultivar a suspeita.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre a importância do processo (e não apenas dos resultados) no exercício do poder governamental.

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36 thoughts on “Portugal: uma democracia pouco liberal

  1. André Miguel

    Pouco não, nada liberal!
    O português comum trabalha para pagar impostos, não tem liberdade de escolha naquilo que paga e quanto paga, é obrigado a pagar as reformas dos outros sem direito a negar-se, não tem liberdade de expressão a não ser se for socialista, não pode exercer uma profissão sem autorização do Estado, paga impostos e taxas por qualquer troca, compra ou venda e algumas delas precisa de autorização do Estado, só pode votar em partidos de esquerda e não em pessoas… Já chega ou continuamos???

  2. mariofig

    Agrava-se com o facto de em Portugal não existir nenhum partido com assento na Assembleia da República, ou legalmente inscrito para concorrer à mesma, que defenda o liberalismo. Não existe portanto um contraditório institucionalizado e com representação que possa ao menos argumentar contra e combater a “socialização” do país. Este é o mau legado do 25 de Abril. Se por um lado nos trouxe a liberdade, por outra corrompeu o pluralismo democrático, à medida que partidos de cariz socialista e social democrático tomaram o poder e se assumiram falsamente como alternativa à direita, movendo todo o espectro político para a esquerda e alimentando a ideia que não existe nada para lá da social democracia. Trocamos portanto a ditadura pela impossibilidade de escolha.

  3. André Miguel

    “Se por um lado nos trouxe a liberdade”

    Mas qual liberdade???
    Experimente chamar filho da puta a um politico e verá a liberdade que existe em Portugal.
    Deixo-lhe um desafio: experimente encontrar nas livrarias traduções em Português de Adam Smith, Hayek, Von Mises, Rothbard, Stuart-Mill ou Ayn Rand (só para citar alguns). Boa sorte com isso…

  4. MARIOFIG : “o facto de em Portugal não existir nenhum partido com assento na Assembleia da República, ou legalmente inscrito para concorrer à mesma, que defenda o liberalismo.”

    Há partidos menos iliberais do que outros …
    E há quem “defenda o liberalismo” dentro ou próximo dos menos iliberais.
    De resto, o “liberalismo” não um modelo fechado nem é um exclusivo de quem quer que seja.
    Já é uma postura “liberal” opor-se a menos liberdade e defender mais liberdade.
    Na história politica das nossas sociedades, os “liberais” sempre foram os que, independentemente das suas raizes e filiações ideológicas do momento, se bateram por mais liberdade
    Partamos do que existe para procurar ir mais longe e não fiquemos à espera do partido-liberal.doc que há de chegar num amanhã que canta !! 🙂

  5. ANDRÉ MIGUEL : “Mas qual liberdade ???”

    O golpe do 25 de Abril de 1974 acabou com um regime ditatorial de partido único e permitiu a instauração de uma democracia politica de tipo “ocidental”.
    A “democracia” tem certamente limitações, e a portuguesa não é excepção e terá eventualmente ainda mais do que outras, mas, ainda assim, é o menos mau dos sistemas politicos existentes e conhecidos.
    Se não consegue vêr a diferença … é preocupante !

    Já agora, até é possivel “chamar filho da puta [ou algo do género] a um politico … em Portugal”, com ou sem razão !!…

  6. MARIOFIG : “partidos de cariz socialista e social democrático tomaram o poder e se assumiram falsamente como alternativa à direita, movendo todo o espectro político para a esquerda e alimentando a ideia que não existe nada para lá da social democracia. Trocamos portanto a ditadura pela impossibilidade de escolha.”

    Aposto em como a maior parte dos aderentes e eleitores do PSD não se considera “social-democrata” em termos ideológicos…
    Não nos deixemos condicionar e aprisionar por palavras que podem querer dizer coisas muito diferentes e até distintas.

    A verdade objectiva é que, em Portugal, no contexto actual, há uma escolha real que se pode fazer entre duas orientações politicas alternativas lideradas por dois partidos politicos que até podem fazer referência à “social-democracia” mas à qual atribuem um significado e um conteúdo programático diferente.

    A linha de separação e a escolha poderia passar e ser feita algures, mais “à esquerda” ou “mais à direita” ?…
    Talvez, hipotéticamente falando.
    Mas a realidade é o que é e não aquela que imaginamos ou gostariamos que fosse.
    A verdadeira opção do momento é entre estar e tomar partido no confronto politico que é determinante ou estar fora a comentar e a especular sobre cenários ideais mas irreais.

  7. AB

    Há diferenças fundamentais entre um governo que faça a gestão macro do país, fomentando a livre criação de riqueza privada, e um que faça microgestão, intrometendo-se em todos os passos dessa criação, travando-a e condicionando-a aos seus interesses e não aos do país.
    Há demasiada microgestão por parte dos socialistas, que tratam o país como uma empresa sua e o povo como seus empregados. E, claro, os políticos são os CEOs desta salada, comportam-se como tal e tratam-se como tal.
    Tecnicamente estamos num regime de capitalismo de Estado.
    Pedro Passos Coelho governou bem, embora não conseguisse óbviamente pagar a enorme dívida acumulada, conseguiu mostrar que, sem ela, a nossa situação económica podia ser sustentável – e esse é o passo imprescindível para uma renegociação, e mesmo para um perdão – um caminho que nos leve a não criar mais dívida.
    A Geringonça veio, pelo contrário, demonstrar que, mesmo com um perdão, voltaremos a acumular outra dívida. É por isso que os meios são tão ou mais importantes que os resultados finais.

  8. ANDRÉ MIGUEL : “Deixo-lhe um desafio: experimente encontrar nas livrarias traduções em Português de Adam Smith, Hayek, Von Mises, Rothbard, Stuart-Mill ou Ayn Rand (só para citar alguns). Boa sorte com isso…”

    De Adam Smith até há …

    De qualquer modo, esta é uma questão de mercado e não de liberdade.
    Ninguém está impedido de traduzir, editar e vender estes autores.
    Como ninguém é obrigado a fazê-lo.
    Ou o André Miguel acha que deveria existir um ministério da propaganda para garantir que fosse assim ?!…

  9. “Há pior !!” [do que Portugal em termos de liberdade]

    De acordo com o indice da liberdade económica da “Heritage Foundation”, cuja orientação “liberal” é insuspeita, Portugal está classificado em 2017 na 77géssima posição em mais de 186 paises, havendo por isso mais de uma centena de paises no mundo considerados menos livres, muitos deles muito menos livres !… (Portugal faz parte do grupo dos “moderadamente livres”).

    Vamos portanto relativizar minimamente as coisa em vez de estarmos a fazer proclamações excessivas e bombásticas para satisfação da nossa boa consciência do género “não há mais liberal do que eu” !!

  10. André Miguel

    Fernando S, deixe de olhar para os que estão abaixo e olhe para os 76 que estão acima de nós no ranking da Heritage Foundation. Só melhoramos comparando-nos com os melhores.

  11. André Miguel

    “De qualquer modo, esta é uma questão de mercado e não de liberdade.”

    Caro Fernando, já analisou as bibliografias dos cursos de economia e gestão das faculdades públicas? Investigue um pouco (muitas estão disponíveis na net) e depois vai perceber porque não há oferta nem procura por esses autores. Ou esquece porventura que o sacrosanto Estado é de que decide o que se deve aprender na escola?!

  12. lucklucky

    Errado. Portugal já não é uma democracia.

    Se um Governo de Direita for eleito os Jornalistas não o deixarão Governar

  13. O calimero de avental está a tentar a arranjar o timing certo para dar de frosques, é bom que fique até ao final do mandato, tem que implementar o resgate por inteiro, sei que Passos gosta de filmes de terror, mas este é para assistir. A “direita” só tem um modo de chegar ao poder, deixar governar a esquerda, por mais que a carteira nos desapareça no curto médio prazo…
    Por falar em terror:
    https://portugalgate.wordpress.com/2017/03/29/antonio-costa-que-se-demita/

  14. mariofig

    “Aposto em como a maior parte dos aderentes e eleitores do PSD não se considera “social-democrata” em termos ideológicos…”

    Caro Fernando S., aposto em como muitos nem sequer sabem o que é SD. Porque se soubessem não conseguiam se olhar no espelho enquanto apertam a gravata da “direita”.

  15. mariofig

    “Não nos deixemos condicionar e aprisionar por palavras que podem querer dizer coisas muito diferentes e até distintas.”

    Caro Fernando S., é precisamente por causa de não nos apegarmos ao sentido das palavras que a política portuguesa (e em grande parte a política europeia) se deixou enrolar no relativismo ideológico que pretende chamar de direita à social democracia e que reduz a radicais ou extremistas quem se colocar à sua direita. Qual é o liberalismo que partidos como o PSD ou CDS defendem neste país? O peso do estado na mão destes partidos sempre foi o mesmo ou maior do que o peso do estado nas mãos do Partido Socialista. Você realmente encontra liberalismo dentro do PSD se quiser continuar a fazer jogos de palavras e seguir pela mesma via dos politicamente correctos. Mas para o resto de nós que sabemos bem o que queremos, o PSD representa bem o seu papel de socialista.

  16. MARIOFIG, não concordo. O PSD de Passos, pode não ser perfeito, mas iniciou um nova geração de polítcos liberais dentro do Partido, existem, são poucos, o establishment português não deixa ou tem vergonha de se revelar… Mas existem, se Passos é Liberal? Não sei, mas é o menos Socialista de todos desde que conheço a política portuguesa… Temos que ser pragmáticos!

  17. mariofig

    Mauro, o ala de Passos é irrelevante. Está a ser combatida internamente e muito provavelmente será derrubada no seguimento das eleições autárquicas pelo velhinho establishment Social Democrata do pós 25 de Abril que não suporta a ideia de um PSD inconligável com o PS. Entretanto, o PSD de Passos é o tipo de quase pseudo, pequeno-liberalismo de um wellfare state com tiques de liberal. Enfim, não move as minhas montanhas, mas sempre ajuda. Não ouvirá de mim muitas críticas a Passos. Mas Passos está no partido errado se pretender prosseguir com políticas de redução do estado. Se é isso que ele realmente pretende, então não lhe resta outra alternativa senão sair e seguir o seu próprio rumo num novo partido. Porque Social Democracia não é liberalismo económico coisa nenhuma! Metam isso na cabeça de uma vez por todas… Poxa, aprende-se isso na escola!

  18. ANDRÉ MIGUEL : “deixe de olhar para os que estão abaixo e olhe para os 76 que estão acima de nós no ranking da Heritage Foundation. Só melhoramos comparando-nos com os melhores.”

    Temos de olhar para todos os lados …
    É verdade que “melhoramos comparando-nos com os melhores.”
    Mas também podemos melhorar comparando-nos com quem está pior e procurando não cometar os mesmos erros.
    Não me parece que esclareça e ajude estar a meter tudo no mesmo saco, sem nuances e desvalorizando diferenças por pequenas que sejam, como faz quando diz que Portugal é “nada liberal”.

  19. André Miguel

    Fernando, se você acredita que em Portugal temos alguma liberdade (económica e política) então eu sou um malvado anarco-capitalista. E olhe que eu via-me como um liberal moderado!

  20. Caro André Miguel,

    AM : ” já analisou as bibliografias dos cursos de economia e gestão das faculdades públicas”

    Eu sai de uma universidade pública de economia e gestão e conheço o suficiente para saber que, infelizmente, é muito como o André diz.
    Embora também conheça quem mesmo nessas ecolas faça corajosamente ouvir um nota diferente, embora minoritária).
    Mas eu também sou do tempo e conheci paises em que era muito pior. Por exemplo, nos regimes comunistas e até, embora menos, em ditaduras ditas “de direita”.
    E também sei que existem em Portugal universidades privadas e até públicas onde existe um maior pluralismo no ensino.
    Além de que não esqueço que, numa sociedade democrática, onde não há censura, há ainda outros meios e formas de difusão e de ideias diversas, por mais limitados que sejam.
    Quanto mais não seja, este blog e muitos outros são provas disso.
    Não se pode dizer que as falhas que refere resultem da falta de liberdade de expressão e de iniciativa.
    Resultam de outros factores noutros planos.

    AM : “não há oferta nem procura por esses autores…[porque] o sacrosanto Estado é de que decide o que se deve aprender na escola”

    É verdade que este é precisamente um dos factores que influenciam a oferta e a procura.
    Mas, mesmo que condicionadas, não deixam de ser oferta e procura, não deixa de ser um mercado.
    Um mercado onde o Estado tem, sem dúvida e infelizmente, um peso excessivo.
    Eu, muito modestamente, sempre me bati contra este estado de coisas, sempre critiquei o que se passa nessas universidades públicas (e também nalgumas privadas, nomeadamente no estrangeiro, por razões que seria longo aqui explicar) e sempre defendi a privatização do ensino, por maioria de razão o superior.
    Mas, dito isto, por diferentes razões e factores, com destaque para aquele que refere mas não apenas, a verdade é que em Portugal, hoje em dia, quem compra livros nas livrarias é sobretudo uma classe média-alta urbana e é esta mesma classe que mais interêsse tem na produção e difusão de um discurso economico que dê ao Estado um papel dominante.
    Em última instância é uma questão de modelo economico e de quem mais o tem condicionado e dele mais tem beneficiado.
    Não é por isso de espantar que a procura e a oferta estejam hoje mais orientadas para livros de economia de inspiração keyesiana e marxista do que para autores liberais.
    Não se muda este estado das coisas fácilmente e de um dia para o outro.
    É um combate permanente, em todas as frentes, não desprezando os pequenos passos e contando com todos aqueles que, mesmo que pouco, mesmo que não indo tão longe e tão depressa quanto gostariamos, defendem mesmo assim mais liberdade e, por consequência, um Estado menos omnipresente.
    Mas neste plano, da estratégia politica, dos ritmos e das alianças, os nossos pontos de vista parecem divergir !…

  21. MARIOFIG, “a ala de Passos é irrelevante”, olhe que está bem enganado. Aliás o melhor elogio que lhe pode fazer é ele estar a ser contestado pelos barões. Não sou do PSD, o Socialismo Democrata não me atrai, sou Liberal na economia e conservador nos costumes(depende), qualquer “tique” de liberalismo no PSD e em Passos é bem vindo. Agora é continuar a revolução de mentalidades no partido e depois na sociedade, os adeptos do liberalismo em Portugal não são assim tão poucos, só não se manifestam mais porque a esquerda, quando vê que está a perder a razão, é buçal quando ataca, e então calamo-nos, e respondemos nas urnas, e viu-se… Em relação as autárquicas, vão acontecer até lá tantas coisas, que os juros até vão atingir os 5% ou mais até lá… O resultado das mesmas pode ser uma surpresa(especialmente no Porto), veremos quem tem razão.

  22. Caro André Miguel,

    Eu acredito que em Portugal, como na esmagadora maioria dos paises, não temos, longe disso, suficiente liberdade, sobretudo económica.
    Por isso é que defendo que haja mais, por isso é que sou “liberal”.
    Já penso que as nossas democracias “ocidentais”, incluindo a portuguesa, mesmo tendo defeitos, têm uma grande liberdade politica, certamente bem mais do que acontece no resto do mundo (não confundir a existência de um pensamento dominante e “politicamente correcto” com a falta de liberdade ; modos de pensamento diferentes podem exprimir-se livremente mas não têm meios que lhes dêm suficiente projecção ; é um problema que não se resolve com mais liberdade de expressão mas antes com mais privado e menos Estado).

    Efectivamente, quando diz algumas das coisas que eu considero excessivas e que aparecem nos seus comentários acima (em Portugal não há nenhuma liberdade, o PSD e o CDS são tão socialistas como os partidos à esquerda, etc), o André até corre o risco de poder ser catalogado por alguns como um “anarco-capitalista” (ingénuo, não “malvado” !… 😉 ).
    Mas, até pelo que tenho visto nos seus comentários noutros posts, imagino que seja antes um “liberal libertariano” (adepto do “Estado minimo”, para simplificar) muito desapontado com o estado das coisas e algo impaciente em mudar tudo de cima a baixo !…
    Ou seja, caro André, quanto ao “moderado”, pelos vistos eu sou-o muito mais !… 🙂

  23. MARIOFIG : “aposto em como muitos [eleitores do PSD] nem sequer sabem o que é SD [social-democracia].

    Caro Mário,

    Nem muitos eleitores do PSD nem ninguém….
    Hoje põe-se muita coisa diferente dentro da mesma palavra !…
    O que é certo é que para muitos eleitores do PSD (que nunca se consideram “socialistas”) “social-democracia” é algo de bastante diferente do que é para muitos eleitores do PS (para quem “social-democracia” e “socialismo” se equivalem).

  24. MARIOFIG : ” O peso do estado na mão destes partidos [PSD e CDS] sempre foi o mesmo ou maior do que o peso do estado nas mãos do Partido Socialista.”

    Caro Mário,
    Não posso concordar consigo.
    Ainda menos quando comparo o PSD liderado por Pedro Passos Coelho com o PS liderado por António Costa.
    Eu oponho-me frontalmente a um PS que inventou a “geringonça” e espero o regresso do PSD à liderança da governação logo que possivel.
    Concordo com muito do que diz o Mauro Pires nos comentários aqui em cima.

  25. David

    André Miguel Traduzidos é muito difícil de encontrar e de Rothbard por exemplo só encontrei o Ethics of Liberty em Inglês. No Brasil por exemplo, foi graças ao Instituto Mises Brasil, recentemente, que essa literatura ficou acessível ao público na língua materna. A verdade é que em Portugal não há procura por este tipo de literatura, lê-se muito mais os livros do Krugman ou do Piketty. Até obras bastante lidas como Democracy: the god that failed de Hoppe não estão disponíveis em livrarias portuguesas físicas.

  26. mariofig

    Veremos Mauro. Mas sou pouco optimista em relação ao futuro de Passos Coelho no PSD. Com ou sem o elogio involuntário que os ditos barões lhe possam fazer, está clara a sua posição; desde o PR até à linha dura social democrata do PSD que sempre dominou o partido, pela imprensa generalista que o acusa de incapaz, e pelos partidos da esquerda que o acusam de extremista, Passos Coelho está a combater o socialismo generalizado e atávico da sociedade portuguesa sem que se veja dentro do PSD qualquer movimento popular que o acompanhe nesse combate. Ou seja, Passos Coelho parece estar apenas a prazo, até ao próximo congresso que será marcado de urgência caso as autárquicas sejam desvastadoras.

  27. MAURO PIRES : “Em relação as autárquicas, vão acontecer até lá tantas coisas, que os juros até vão atingir os 5% ou mais até lá… O resultado das mesmas pode ser uma surpresa.”

    Caro Mauro,
    Hummmm … Duvido muito (quanto ao resultado e não quanto às taxas de juro) … Mas oxalá tenha razão (quanto ao resultado e não quanto às taxas de juro) !…

  28. MARIOFIG : “Passos Coelho está a combater o socialismo generalizado e atávico da sociedade portuguesa sem que se veja dentro do PSD qualquer movimento popular que o acompanhe nesse combate.”

    Caro Mário,
    Passos Coelho lidera o PSD desde há uns anos e foi PM de um governo PSD-CDS durante 5 anos (que até acabou por ganhar as eleições apesar de ter perdido a maioria parlamentar).
    Pelo menos até vêr, Passos Coelho continua à frente do PSD.
    Portanto, tem de haver no PSD e na “direita” portuguesa [incluindo o CDS] algum “movimento” que procura “combater o socialismo generalizado e atávico da sociedade portuguesa”.
    Já é alguma coisa…
    É preciso apoiar Passos Coelho e este “movimento” contra os “amigos” que se lhe opõem no PSD (e no CDS …) e, sobretudo, contra a “imprensa generalista que o acusa de incapaz, e …[os] partidos da esquerda que o acusam de extremista.”
    Não nos punhamos de fora a epilogar !… 😉

  29. mariofig

    “Não nos punhamos de fora a epilogar !…”

    Meu amigo, eu estou mesmo de fora. Não sou militante do PSD. E ainda assim não entendo muito bem o que está a querer me dizer. Certamente não é para me filiar no PSD e fazer esse combate. Também não é certamente para calar as minhas opiniões. É o quê então?

  30. mariofig

    Olhe, aqui vai um verdadeiro epilogo: Tenho votado PSD e CDS intercaladamente, consoante as minhas vontades, desde que me desfiliei(?) do então PP nos anos 90. Não por que me reveja nestes partidos pelas razões que já sabe, mas porque são certamente os que mais se aproximam das minhas posições. Mas uma coisa lhe garanto, se PPC realmente perder o próximo Congresso como tudo indica para a social democracia confortavelmente instalada no partido e assim se tenha perdido uma excelente oportunidade para o PSD virar à direita, é certo que nas próximas eleições votarei Bloco de Esquerda. Faço-«o por protesto e por querer ver o país a arder. Que é o que ele merece.

  31. Caro Mário,

    O que quero dizer é que quem não toma partido no actual confronto politico entre uma “direita” liderada por Passos Coelho e uma “esquerda” de um PS apoiado na extrema-esquerda comunista está efectivamente fora do que actualmente pode contar para o futuro do nosso pais nos anos que se seguem.
    Esta participação pode assumir múltiplas formas (não é preciso ser filiado no PSD ; eu não sou) e não implica um apoio sem reservas (a critica construtiva é, no minimo, … construtiva !).
    Se, como diz, o PSD e o CDS “são certamente os [partidos] que mais se aproximam das [suas] posições” e se “Passos Coelho está a combater o socialismo generalizado e atávico da sociedade portuguesa”, então acho que faria todo o sentido continuar a votar nestes partidos quanto mais não fosse para não contribuir pela abstenção para que ganhem e continuem a governar os partidos da alternativa politicamente viável mais à esquerda, mais socialista, mais iliberal.

    Mas, mesmo que PPC fosse afastado no próximo Congresso ou de outro modo qualquer, não faria qualquer sentido votar pelo BE, um partido de extrema-esquerda, que poria “o pais a arder” !…
    O quanto pior nunca é melhor !!… 🙂

  32. lucklucky

    Foi Passos que trouxe os marxistas de género para frente do PSD, impostos para “artistas” – ouvi dizer que é proibido a consignação de impostos -etc.

    Qual foi a ultima vez que alguém ouviu um discurso oficial do PSD e CDS a usar a palavra Liberdade para contrariar uma política Socialista?

  33. Lucklucky,

    “Paroles, paroles …”

    Toda a gente, incluindo o Lucklucky, sabe que o PSD e o CDS defendem mais liberdade económica do que o PS e a extrema-esquerda.
    As “reversões” do governo da geringonça foram precisamente reduções da liberdade económica.
    Voltou-se atrás em privatizações e concessões a privados.
    O fim de muitos contratos de associação com escolas privadas representou um recuo na liberdade de ensino.
    O aumento do salário minimo sem um prévio aumento da produtividade reduziu a liberdade de contratação no mercado de trabalho.
    Foi reduzida a liberdade dos operadores no alojamento local para fins turisticos.
    A gestão politica da problemática bancária pelo governo de António Costa tem sido um recuo na separação entre o governo e os bancos que Passos Coelho procurou promover.
    Varias reformas estruturais previstas no programa de governo do PàF (por exemplo, no sistema de pensões) foram abandonadas pela “geringonça”.
    …..
    ….
    As reformas privatizadoras e liberalizadoras do governo Passos Coelho foram poucas e insuficientes ?… Sim !
    Poderia e pode ser feito mais ?… Sim !
    O governo da “geringonça” avançou na boa direcção ?… Não, antes pelo contrario !
    Um governo do PSD e CDS estaria hoje a fazer melhor ?… Sim !
    A verdade é que, por pouco que seja, o PSD e o CDS são normalmente menos iliberais do que o PS e a extrema-esquerda.

    De qualquer modo, não existe hoje qualquer alternativa politicamente viável a um governo liderado pelo PS que não passe pelos PSD e CDS.
    Ou o Lucklucky tem alguma outra, “verdadeiramente e radicalmente liberal”, na manga ?!…

    Os “liberais” em Portugal devem organizar-se e activar-se no sentido de promoverem as ideias liberais e de defenderem mais liberdade ?… Sem dúvida !
    Significa isto que no imediato se devem abster no confronto politico principal que determina a governação do pais, entre por um lado uma “direita” constituida pelo PSD coligado com o CDS e por outro lado uma “esquerda” assente no PS eventualmente aliado à extrema-esquerda ?… Não, seria inconsequente !

  34. André Miguel

    “imagino que seja antes um “liberal libertariano” (adepto do “Estado minimo”, para simplificar) muito desapontado com o estado das coisas e algo impaciente em mudar tudo de cima a baixo !…”

    Fernando, agora apanhou-me com as calças na mão! eheheheh
    Acertou na mouche.

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