Dar graças pela propaganda ao défice

Eu compreendo que alguns amigos do PSD e do CDS se queixem de que fizeram o esforço quase todo de descida do défice desde os píncaros de 2010 e que sejam agora os do PS a proclamar o défice mais baixo em democracia. Eu compreendo que digam que foram feitos cortes dificilmente sustentáveis, como os cortes em reparação e manutenção de infraestruturas. Compreendo, para quem viveu a era Sócrates (que também reclamou para si, o menor défice em democracia), que suspeite de artimanhas contabilísticas que só descobriremos daqui a uns anos. Compreendo também aqueles que mencionam a injustiça de que durante anos houve queixas sobre o declínio da qualidade dos serviços públicos, quando a única coisa que estava a cair eram os salários da FP, e que em 2016, quando aconteceu o maior declínio dos últimos anos graças às 35 horas e aos cortes de custos intermédios, já ninguém se queixe. Compreendo tudo isso. Mas parece-me que estão a esquecer o ponto essencial: nós temos um governo de socialistas, apoiado por comunistas e bloquistas, que apregoa aos sete ventos que um baixo défice público é sinal de sucesso governativo. É claro que a importância dada pelo PS ao défice é resultado do facto de a população portuguesa também estar hoje mais atenta do que estava há uns anos. Mas este enfoque do PS nos números do défice apenas vem reforçar essa percepção. Quanto mais propaganda o PS fizer ao défice de 2016, maior será a percepção da importância do défice público, mais este passará a ser um indicador de sucesso governativo ao qual nem partidos de “direita” nem de esquerda poderão escapar. Tome o exemplo deste post do deputado socialista Porfírio Silva (um dos ideólogos da esquerda Costista):

Há 2 ou 3 anos era impensável ver um deputado do PS dizer estas coisas evidentes. O défice de 2016 trouxe a esquerda mais à esquerda para o clube dos que acham que um défice baixo é sinal de sucesso. Tudo isto ficará gravado para a história. Em quarenta anos de democracia, esta deve ser a primeira vez que há um consenso em relação aos méritos de ter contas públicas equilibradas. E isto é um enorme avanço para o qual a propaganda socialista está a contribuir bastante. Quando o ciclo político mudar e vierem socialistas queixar-se do excessivo enfoque no défice público, bastará lembrar-lhes das centenas de cartazes como este que cobriram o território nacional, por muito enganadora que a mensagem seja.

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22 thoughts on “Dar graças pela propaganda ao défice

  1. Narciso Miranda

    Se mais provas fossem necessárias, esse cartaz só mostra quão relés é este partido que nos governa.

  2. AB

    Pessoal, já achei os principais impostos e taxas.

    IRS
    IRC
    DERRAMA
    IVA
    IS imposto selo
    VERDE sacos plásticos pneus
    IMI imposto municipal imóveis
    AIMI adicional imi
    IMT imposto municipal transações
    IABA imposto sobre alcoól e bebidas açucaradas
    ISP imposto produtos petrolíferos
    IT imposto sobre tabaco
    ISV imposto sobre veículos
    IUC imposto único circulação
    AIUC adicional ao iuc
    CES contribuição extraordinária social
    TOS taxa ocupação subsolo
    TMDP taxa municipal direitos de passagem
    TL taxa liberatória
    IMV imposto mais valias
    TRR taxa recolha resíduos
    TAV taxa audiovisual

    Mas há mais. Por exemplo faltam as contribuições para a Segurança Social, as taxas municipais para uma loja ter um toldo, esplanada, mesmo uma placa a indicar o nome da firma. As taxas moderadoras.
    E há ainda as taxas particulares, sobre direitos autorais em pendrives virgens, bancárias, para obter certidões, taxas turísticas. E há mais.

    Agradeço a quem ajude a completar a lista.

  3. A “queixa” não é por o déficit ser baixo. Este é o lado bom da coisa …
    O lado mau é este déficit baixo ter sido conseguido por expedientes temporários e não representar um progresso no sentido de uma consolidação estrutural e sustentada das finanças públicas (reduções nos gastos do Estado que resultem de reformas de fundo no seu funcionamento e na sua dimensão/perimetro).
    Os mercados não se deixam enganar como se comprova pela continua subida das taxas de juro da divida pública de referência.
    Os investidores também não porque se, apesar das condições externas mais favoráveis (BCE, crescimento externo, câmbio Euro/US$, preço do petróleo, turismo a fugir do terrorismo, etc), o investimento e o crescimento economico não descolam é precisamente porque antecipam problemas e dificuldades futuras.

    Quanto à esquerda passar a partir de agora a ficar comprometida com a ideia de que ter ” um défice baixo é sinal de sucesso” … esse é o lado para o qual ela sempre dormiu melhor !… A esquerda nunca teve pejo nem hesitações em dar o dito por não dito quando lhe dá jeito !…
    Desta vez, desde que o governo da geringonça percebeu que não era possivel “bater o pé à Europa” sem pagar um preço financeiro e politico elevado, passou a vêr virtudes onde antes via defeitos.
    Amanhã, no governo ou na oposição, quando lhe convier politicamente, vai dizer exactamente o contrario e vai voltar a inundar-nos com historias e sensibilidades sobre a miséria e a desigualdade que resultam do rigor nas contas públicas.
    Lembrem-se de como o PS, depois de ter começado com a austeridade dos PECs e aceite um programa de resgate ainda mais exigente em 2011, muito rápidamente passou a contestar o caminho que estava a ser seguido…
    O forte da esquerda é precisamente o oportunismo, a demagogia e a propaganda.
    E a opinião pública vai provávelmente engolir então mais uma !!…

  4. Então durante 4 anos, Costa, esganiçadas e o mentiroso Jerómino berraram, berraram que Passos não batia o pé à Europa e agora deixam a Europa intervir na Caixa e no Novo Banco! Tão valentões e metem o rabo entre as pernas!

  5. Costa e seus mutxaxos Jerómino e Catrina durante 4 anos berraram que Passos não batia o pé à Europa.
    E agora deixam a Europa mandar na aixa e o

  6. A cerca da azia que ainda anda por ai principalmente para os lados da Direita

    “Este consumo generalizado dos reguladores da acidez do estômago está a criar sérias preocupações nas autoridades de saúde. Inclusivamente à entidade portuguesa Infarmed, que acabou de lançar uma campanha de alerta para os riscos associados ao consumo dos medicamentos para a acidez do estômago.

    No último ano venderam-se sete milhões de embalagens, num crescimento de 30% relativamente ao ano anterior, o que é um claro sinal do abuso destes medicamentos, que podem ser comprados sem receita médica.”

    “Mais recentemente, dois estudos publicados em revistas científicas de referência dão conta de um aumento no risco de demência, em particular de Alzheimer e ainda de danos renais.”

    Respirem fundo , um pouco de yoga , experimentem faz maravilhas

  7. Não sei se repararam, mas o Martelo que Cata os Ventos, e o Toni dá À Costa, já não comentam as execuções orçamentais antecipadamente, nem fazem a festa do costume, a execução orçamental de fevereiro, tal como a de janeiro, já mostra sinais de deterioração, lá para Maio vamos ver o caril, com libertação das cativações a ser mais acentuada…
    Se tiverem curiosidade, sobre Donald Trump: https://portugalgate.wordpress.com/2017/03/27/donald-trump/

  8. Narciso Miranda

    No meu caso não é azia Rocha, mas estupefação. Como é que em Portugal, com personagens de provas dadas como costa, ferro, césar, os jovens turcos, vara, socrates e vieira e outros do mesmo calibre ao volante, com o passado recente de governação incluindo uma bancarrota, acusações de corrupção e favorecimento, com o manual do sábios como guia para o futuro, e ainda há crédulos como o sr. Incrível.

  9. “Tudo isto ficará gravado para a história.”

    “Quando o ciclo político mudar e vierem socialistas queixar-se […], bastará lembrar-lhes…”

    Desculpe-me a impertinência, mas já não tem idade para estas ingenuidades…

    Quantas cambalhotas ainda muito maiores do que essa já vimos no passado? Ou nos últimos 16 meses?

    Tudo o que é preciso é “vontade de poder”, uma população macia ao spinning e uma MSM comprometida.

    A partir daí, a realidade é inteiramente plástica.

  10. RROCHA,

    Procurei algum argumento no que escreveu mas apenas econtrei insultos gratuitos e de mau gosto !

    O que chama “azia” é simplesmente o exercicio da liberdade de expressão.

    Se a critica da politica do governo em funções é “azia” então como é que deveriamos classificar a campanha de ataques e de denegrimento da acção do governo de Passos Coelho e que atingiu inclusivamente um climax anti-democrático com a incitação a um golpe de força para o derrubar (o então designado “novo 25 de Abril”) ??!…

  11. O ROCHA está em contradição com o que diz. Então se as tais pastilhas para a azia aumentaram 30% em 2016, pergunto, quem governa não é a geringonça?

  12. André Miguel

    Tenham calma que jogo ainda vai a meio, o que interessa é como acaba. Agarrem-se que o embate vai ser de estrondo…

  13. Gabriel Orfao Goncalves

    (em modo irónico)

    Caramba, Carlos Guimarães Pinto!
    Até parece que não é português!

    Então não sabe que um défice baixo conseguido por um governo de DIREITA é sempre mas sempre um acto de subserviência ao Schäuble, é sempre o resultado de uma governação que prejudica os direitos dos portugueses, é sempre um exigir de sacrifícios insanos para ninguém-sabe-o-quê, é sempre um acto de fascismo que impede o “pugresso”???

    E que um défice baixo conseguido por um governo de ESQUERDA é sempre mas sempre um sucesso, é sempre um acto de patriotismo em direcção à libertação do jugo dos credores estrangeiros, é sempre um passo, quando não mesmo um salto, talvez mesmo o “grande salto em frente” para um país mais “póspero”, mais igual (mesmo que com 40h para uns e 35h para outros, e com reformas milionárias recebidas por quem nem dois terços para elas descontou), e mais feliz, mais sorridente, mais cheio de contentamento pelos hojes que já cantam e pelos amanhãs que mais ainda hão-de cantar???

    (fim da ironia)

    Só recordo o que escrevi aqui no Insurgente a 19/10/2016, em comentário ao post “O plano B é meter na gaveta o plano A (2)”:

    «Vão cair pontes. Ou viadutos.
    E sim, duvido muito que também o anterior Governo, quando uma ponte ou um viaduto cair, esteja isento de culpas.
    A segurança de pessoas e bens é a tarefa primordial de um Estado.
    Em Portugal a segurança de pessoas e bens é levada o mais na brincadeira possível.»

    E, no dia anterior, no mesmo post, escrevia:

    «Não me admirava que viessem a cair pontes como no tempo do Jorge Coelho. É preciso é pagar bem à clientela. [Pensionistas da CGA à cabeça.] Se não houver dinheiro para manter infra-estruturas não há. Vejam como está a 2ª Circular: não há dinheiro para pintar traços no pavimento.»

    Creio que já todos sabem que há dias por pouco não caiu o viaduto em Alcântara, em Lisboa. (Se não sabem, pesquisem por reparação viaduto Alcântara) E sem que o pilar tenha sequer sofrido o embate de um automóvel ou de um camião!

    E o que mais se verá quando se corta cegamente no que deveriam ser realmente as prioridades de um Estado. Insisto: a primeira tarefa fundamental de um Estado é a segurança das pessoas contra crimes, doenças, ou desastres naturais.

  14. Pessoal, agradeço os likes à minha lista de impostos, mas gostava mesmo era de completar a coisa.
    De qualquer modo, défice a mais ou a menos, listei 22 impostos. É demais, e ainda há gente a pensar em criar mais alguns.
    Os IRS / IRC deviam bastar para tudo o que o estado tem a fazer, e os descontos para a segurança social deviam cobrir as reformas. Nem devia haver IVA, o IVA é um imposto sem sentido, é um da lista dos “porque sim”, tal como a derrama ou o selo. A maior parte são “porque sim”, porque o estado precisa do dinheiro. O estado precisa de dinheiro para pagar o que gastou a mais, precisa de pagar estádios a caír ao abandono, aeroportos no meio de nenhures, negócios bancários ruinosos, e sobretudo, o governo precisa comprar eleitores. Este e outros.
    Portanto pagamos IRS e SS para termos saúde, justiça, educação, estradas, reformas – e depois tornamos a pagar a saúde, a justiça, a educação, as estradas, e as reformas quem não se amanhou está amanhado.
    Nós pagamos dois impostos sobre a ocupação do subsolo!
    Um porque os tipos do gás escavacaram o passeio para ganhar o deles, e outro, diferente, porque os tipos das telecomunicações escavacaram também o passeio para ganharem o deles. Eles deviam pagar-me a mim a ocupação do subsolo, que é o meu subsolo que está sob o passeio que estou a pagar porque quem o fez foi o construtor, que mo debitou no preço da casa que estou a pagar.
    Chegamos a este abuso total: usam a minha propriedade para lucro, e eu ainda pago por usarem o que é meu.
    E o que é que temos? O que é Portugal? A nossa rede de saúde pública é a melhor da galáxia? Temos um exército e uma ordem pública soberbas? As nossas escolas formam os miúdos para alguma coisa que se veja? As estradas são um veludo? Os hospitais, hotéis?
    Não.
    Todo o dinheiro que nos tiram afunila para os bolsos de meia-dúzia. Muito pouco nos é devolvido. Os políticos dizem que é a dívida, mas foram eles que a criaram, e não criaram muito mais que dívidas. O país é pobre, quando vejo passar uma limusine alemã com motorista, há nove hipóteses em dez de ser um político. Mais ninguém tem posses para motorista. Gozam connosco, todos, da esquerda à direita. Tal como Adriano Moreira e Álvaro Cunhal eram a mesma coisa, Marcelo e Mortágua são a mesma coisa. Gozam com a nossa cara todos os dias.
    Há duas maneiras de encarar o estado. Há os que consideram que um povo é tão rico como o estado é rico, e portanto o estado é quem tem de ser rico, e os que consideram que um estado é tão rico como o povo é rico, portanto o povo é que tem de ser rico.
    Eu não subscrevo a primeira, e a segunda está seriamente comprometida. E eu estou farto de me tirarem tanto e me darem tão pouco e com tanta sobranceria. É meu!
    Olhem novamente para a lista de impostos. Olhem.
    Acham que só temos direito a comer e calar? Acham que não podíamos ter tanto mais?

  15. André Miguel

    AB, bem haja o seu comentário! É esse espírito que temos de incentivar! Ha muito que digo que so la vamos com desobediencia civil. Basta de sermos esfolados em impostos!!! Já chega… O tuga vive para sustentar um Estado de má índole. Já era hora da maioria silenciosa se fazer ouvir.

  16. «Bastará lembrar-lhes….»

    A semelhante corja de treteiros a verdade e a sua negação tem o mesmo valor político, assim convenha.

  17. lucklucky

    O Carlos Guimarães Pinto ainda não percebeu.

    A Esquerda domina o jornalismos logo pode dizer o que quiser no momento que quiser. São eles que constroem a narrativa

    Hoje em coro com os jornalistas dizem que o Défice baixo é bom, ontem e amanhã em coro com os jornalistas disseram e dirão com asgar de desprezo que o défice são contas de merceeiro e que o combate ao défice matou centenas de pessoas nos hospitais, crianças chegam à escola de barriga vazia e os bombeiros não podem combater os fogos…

    Basta ver a repercussão que o PS tem ao mudar para posições completamente antagónicas entre si.

    Não tem repercussão nenhuma.

    A Esquerda não tem causas.
    Tem estratégias para tomar o poder(o combate ao défice mata, é discriminatório, racista e sexista e cria stress). e estratégias para manter o poder( o combate ao défice é tão essencial e básico como a aritmética, vocês não andaram na 4ºclasse?)

  18. O Carlos Guimarães Pinto faz-me lembrar os anos 70 e 80 quando via a maior parte dos actuais senadores cantarem loas ao comunismo e à URSS, e eu pensar um dia o muro vai cair e a vocês nunca mais vou ouvir defesas do comunismo.
    O que os jornalistas me dizem é que quem era contra o socialismo na altura é fascista, e quem defendia o muro é quem vejo nas tv´s todos os dias, por isso não acredito no que afirma.
    Imagina o que é esperar pelos Trovante depois de uma actuação na RDA, pela entrevista, e ler que na RDA ninguém cospe para o chão, nem há papéis no chão, país maravilhoso…. Só agora passados 25 anos o guitarrista é que afirma realmente era muita pobreza.
    Ou seja você é muito inocente se julga que a esquerda no futuro vai apoiar os déficts menores, eles escrevem conforme o que lhes dá mais votos, se for preciso defender vulgares criminosos eles apoiam, pois criminosos e suas famílias valem muitos votos, não importa de onde os votos aparecem.

  19. Pingback: O défice mais baixo… em democracia – O Insurgente

  20. Mas quais défice? As obras da 125 pararam em 30 de Junho. E como estes mais milhentos casos idênticos aconteceram. Assim, deveria era ter havido superhavit, ou não?

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