As autárquicas não são um plebiscito

O meu artigo no ‘i’. Relativamente às escolhas do PSD para as autárquicas discordo do que o meu amigo Alexandre Homem Cristo escreveu segunda-feira no Observador. O governo quer que as autárquicas substituam as legislativas, legitimando-o e forçando a demissão de Passos Coelho, que venceu as eleições.

O PSD não pode ser usado neste esquema. Nas autárquicas elegem-se autarcas. Os governos são votados nas legislativas.

As autárquicas não são um plebiscito

O mundo político anda numa polvorosa porque o PSD escolheu uma desconhecida do aparelho partidário, Teresa Leal Coelho, como candidata à câmara de Lisboa. De acordo com os analistas esta escolha, a que se junta a do Porto, ditará o fim da carreira política de Passos Coelho.

As eleições autárquicas estão a ser apresentadas como um plebicisto ao governo da Geringonça que não foi sufragado nas legislativas. É verdade que o governo tem sustentação parlamentar, mas também não deixa de ser verdadeiro que tal não foi o proposto aos portugueses quando estes votaram. A esquerda sabe que defraudou a vontade do eleitorado e, com essa ferida que não confessa mas que mói, vê nas autárquicas a oportunidade para legitimar este governo.

A governação da Geringonça teve esta linha de rumo. Sucede que as autárquicas não são um plebiscito e, apesar dos tiques da Geringonça, ainda não vivemos numa democracia populista. Todo o cenário político, desde a política governamental à discrepação presidencial, passando pela forma como Medina – o presidente não eleito de Lisboa – geriu a cidade, está ser preparado para uma vitória que limpe as legislativas.

É por este motivo que não embarco nas críticas a Passos Coelho. O PSD não pode ser usado neste jogo próprio de uma democracia populista. Os governos devem sair das legislativas, como o presidente das presidenciais e os autarcas das autárquicas. É tendo em conta este cenário que é perfeitamente legítimo que o PSD reduza as eleições de Setembro àquilo que são.

Anúncios

10 thoughts on “As autárquicas não são um plebiscito

  1. E vamos a ver se os juros a 10 anos não ultrapassam os 5% até lá, com os avisos a tornarem-se mais fortes, e o fecho de balcões tem sempre impacto eleitoral(porque mais que seja correcta a medida), dúvido que o PS ganhe, alías, dúvido das sondagens todas, a PAF 3 semanas antes na “ERRO”sondagem, não estava 2% atrás? Uma semana antes das legislativas não estava 6 a 5% à frente? Para mim os 38,5% estão intactos, é somar os socialistas do norte que não papam o Pêcêpê e o BE.
    Por falar em xuxas:
    https://portugalgate.wordpress.com/2017/03/23/a-oligarquia-aparvalhou-se/

  2. mariofig

    Deixemo-nos, isso sim, de tretas! As autárquicas têm sido usadas como plebiscito às eleições parlamentares consoante os resultados e o interesse do momento de cada um dos partidos. Ontem, como amanhã, o discurso do PS foi outro e as autárquicas não valem nada. Ontem, como amanhã, o discurso do PSD foi outro e as autárquicas valem muito. É uma das principais razões por que todo o circo das eleições me irrita profundamente; a falta de seriedade e honestidade intelectual com que se discutem. Da esquerda à direita do parlamento.

  3. AB

    É bem verdade que não são um plebiscito. O meu voto difere conforme o tipo de eleição. Nas presidenciais e autárquicas estou mais inclinado a votar em nomes e não em partidos. Não sofro de clubite partidária. E tem mais; nas legislativas votei PS porque não gosto de maiorias absolutas – pensei que com o PSD a ganhar (e ganhou) e o PS a fazer uma oposição construtiva, o país só ganhava. NUNCA MAIS VOTO PS.

  4. mariofig

    Mas o problema aqui não são autárquicas coisa nenhuma. O problema está em querer associar uma candidatura a Lisboa com o destino do dirigente do PSD. Essa é a miopia típica da pequena política de casos que corrói o nosso país e que conduz cada vez mais para a pequenez dos actores políticos. Se as autárquicas refletem ou não a governação, nada tem nada a ver com a porcaria que grassa no PSD; um partido que não sabe como lidar com a primeira aliança à esquerda da história de Portugal e está prestes a enforcar talvez o seu único líder do partido que poderia criar um PSD de direita e alternativo à esquerda. Em vez disso vão preferir com novo líder virar o PSD mais à esquerda e se aproximarem do PS para garantir mais um bloquitos centrais, porque de outra forma acham que não voltaram a ganhar o pais. E quem se fode somos nós, o mexilhão.

  5. mariofig

    E diga-se, estão a queimar o seu líder vencedor das eleições durante o seu mandato! Este mesmo PPC, que apesar de toda a austeridade, conseguiu ainda assim ganhar as eleições para um segundo mandato. Não era as autárquicas que se devia estar a falar. O que se deveria estar a analisar a fundo é que PSD é este que atira para a fogueira o seu primeiro líder vencedor de duas eleições desde Cavaco Silva e ainda por cima que governou, e nos tirou do buraco, durante a maior crise que o país enfrentou desde o 25 de Abril. Enoja-me o PSD de hoje, mas também me enoja a forma como tudo isto está a ser ignorado.

  6. mariofig

    Portanto vamos lá todos continuar a fazer de burros. Está bem? Vamos continuar a achar que o destino de PPC no PSD tem a ver com o resultado das eleições autárquicas. E vamos então perder o nosso tempo a debater se as autárquicas representam ou não um plebiscito à governação…

  7. Luís Lavoura

    Os governos são votados nas legislativas.

    Errado. Nas legislativas escolhem-se deputados. Os deputados são quem depois escolhe o governo.

    (Foi por o PSD não ter percebido isto que ainda hoje continua a repetir o mantra de que “venceu as eleições”. Como se nas eleições legislativas houvesse um único vencedor.)

  8. Luís Lavoura

    o governo não foi o proposto aos portugueses quando estes votaram

    Este argumento é disparatado. Por exemplo: em 2011 houve eleições legislaivas e nenhum partido obteve a maioria. Depois das eleições, PSD e CDS coligaram-se para formar governo. Ninguém contestou a legitimidade de tal aliança. Em 2015 ocorreu algo similar: nenhum partido obteve maioria e, após as eleições, três partidos colagaram-se para formar governo. Porque é que se contesta esta coligação, mas não a de 2011, dizendo que ela “não foi proposta aos portugueses quando estes votaram”?

    Todas as coligações pós-eleitorais são igualmente legítimas.

  9. jo

    A posição de Passos Coelho não tem nada a ver com plebiscitos ao atual governo.

    A profissão de Passos Coelho é ser político e o cargo que ocupa é o de responsável por um partido.

    Esse partido vai participar numas eleições que se realizam em todo o país e são importantes. Se os resultados forem pífios para o PSD que conclusão se pode tirar do trabalho do político que tem por missão conduzir o processo para o PSD?

    Lisboa e Porto representam cerca de 8% da população do país, Se o PSD não for a jogo nesses municípios ou se se mostrar completamente desorientado tendo votações pífias, o que é que isso me diz sobre a capacidade do PSD ganhar eleições gerais?

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s