A inveja imprimida

Hoje é destaque de primeira página do Jornal de Notícias [JN] a posição de empresários portugueses no ranking Forbes dos mais ricos. Naquele destaque, é apresentado o seguinte texto:

“Fortuna dos mais ricos dava para pagar juros da dívida pública”

Considerem o contexto subentendido na frase. Claramente, coloca a hipótese do confisco das fortunas acumuladas por aqueles empresários, obtidas ao serviço de milhões de clientes. Equivalente retórica é frequentemente publicada no Avante (jornal oficial do Partido Comunista Português) ou no Esquerda.net (site pertença do Bloco de Esquerda).

Nota: A possibilidade de existirem comunistas “disfarçados” no JN não me preocupa. Aliás, mesmo que não concorde com a linha editorial deste (ou qualquer outro) órgão de comunicação social, tal não significa que seja menos defensor das liberdades de imprensa e de expressão dos seus jornalistas. Condicionar tais liberdades é mais objectivo do “Truques”. A minha real preocupação vai para os leitores. Questiono-me se haverá muitos a partilharem esta crença de que o país estaria melhor sem pessoas com grandes fortunas. É para eles que escrevo este post.

O património de empresários como Américo Amorim, Soares dos Santos ou Belmiro de Azevedo não está guardado dentro de cofres gigantes cheios de notas e moedas (à tio Patinhas), apesar de não haver mal nisso. As fortunas calculadas pela revista Forbes representam o valor (a determinado momento) das participações que aqueles têm numa ou várias empresas.

Ora, o preço de uma acção vai muito além da proporção do valor contabilístico da empresa (que somente mostra a diferença entre activos e passivos). Representa também (e essencialmente) a estimativa de lucros futuros enquanto a empresa existir. Lucros esses obtidos através da produção de bens e serviços que criem valor aos seus clientes. O valor de uma empresa é, por isso, directamente ligado ao valor criado aos clientes.

Vamos então, agora, assumir a hipótese do JN. O Estado confiscar/nacionalizar tais fortunas para pagamento da totalidade dos juros da dívida pública teria de, primeiro, rejeitar qualquer indemnização. Mas, e depois? Se o valor dessas empresas depende mais dos lucros futuros que do pouco dinheiro que tiverem nas contas bancárias, como poderia o Estado obter de imediato os milhares de milhões de euros necessários para pagar juros da dívida? Teria de vender as empresas a alguém interessado. Ou seja, estaria “roubar a Pedro para dar a Paulo”. No entanto, tendo sido aberto o precedente da nacionalização, os potenciais compradores seriam bastante cautelosos no cálculo do valor das empresas, dada a incerteza dos direitos a lucros futuros.

Outra opção, mais do agrado de comunistas, é o Estado assumir permanentemente a propriedade daquelas empresas (novamente sem indemnização). Desta forma os lucros futuros obtidos apenas pagariam, cada ano, uma pequena parte dos juros da dívida pública, ao contrário da “alternativa JN” que dava para pagar todos os juros do primeiro ano mas, nos seguintes, o problema mantinha-se.

Chegando aqui, alguns (espero que muito poucos!) ainda podem pensar que a estatização de empresas privadas é boa solução. Como contraponto basta-me lembrar a pobreza produzida por muitos exemplos de regimes comunistas. Tentem vocês calcular os “lucros futuros” dessa triste realidade, tarefa que não desejo a um único leitor do Jornal de Notícias.

A ambição de todos os portugueses não devia passar pela inveja da fortuna de outros mas por querer que mais pessoas consigam alcançar semelhante sucesso. E isso só é possível numa sociedade verdadeiramente livre.

Advertisements

41 thoughts on “A inveja imprimida

  1. Tiro ao Alvo

    Ali não se diz que as fortunas desta gente, se confiscada, apenas dava para pagar os juros de 1 (um) ano. E este aspecto é fundamental.
    Também era necessário dizer que se a taxa de juro baixasse, dos quatro e tal para um e tal, a despesa com juros baixava consideravelmente. E que, para isso, bastava que os mercados, os investidores, acreditassem no nosso governo.

  2. Tiro ao Alvo, veja quanto está previsto no Orçamento de Estado pagar em juros da dívida pública 😉
    Pois, é muito complicado investidores acreditarem num governo apoiado por partidos com ideologia que defende o confisco de empresas e a reestruturação da dívida…

  3. O JN é vermelho nada mais se espera do jornaleco do PÉÉSSE. Uma parte da população pensa assim como descreves-te BZ é ignorante e invejosa, dai os BMW`S num remediado que come só a sopinha para se exibir com a máquina que depois se transforma num pesadelo de dívidas(a culpa é do Passos..), conheço tantas histórias destas que é só uma pequena demonstração do social-fascismo ensinado nas escolas que formata a cabecinha nas escolas e depois vemos estes tiques de inveja nesta sociedade doente…
    Por falar em doença: P.S:
    https://portugalgate.wordpress.com/2017/03/21/o-tetra-portugues/

  4. AB

    Essa é do calibre dos “biliões em offshores que davam para financiar o SNS”. Há tempos, só o BCP tinha 67 biliões em contas de depositantes. Por essa lógica, basta confiscar os depósitos do BCP e da CGD e Portugal paga a dívida toda ao estrangeiro.
    Eu não duvido que a esquerda vai tentar um confisco – um imposto sobre o património, como lhe chamam. Em termos parciais o confisco já existe – o que é o IMI? O que é o AIMI? O Imposto Sucessório? A Taxa Liberatória?
    Mas discordo da noção de que nenhum governo fará isso, porque, evidentemente, nunca mais ninguém investirá um tostão furado em Portugal. Haverá investimento, sim, mas terá de ser préviamente “oleada” a classe política, para garantir que esse investimento não será confiscado.
    O que este governo quer é ser um género de Mafia, e que TODOS os negócios deixem umas pitadas nos bolsos dos políticos, “amigos” e “protectores” – não nos cofres do Estado, mas directamente nos bolsos dos governantes. Como fez Sócrates.
    Para grandes empresas, é igual – pagar ao Estado ou aos políticos corruptos. Para o país, para o povo em geral, é o fim. Há muito dinheiro na Venezuela, e no entanto o povo luta por pão. Regimes como o Russo, Chinês, Cubano, são assim. Há uma élite política riquíssima e uma miséria geral.
    Eu nem percebo como há portugueses que não vêem isto. Se calhar pensam que se forem bufos do regime estão “safos”.
    Uma triste conjuntura, a que se vive hoje neste país.

  5. jo

    Como se atribui nacionalidade à riqueza se o capital não tem Pátria?
    A maior parte dessa riqueza não está em Portugal.
    Se eu disser que a Torre Eifel pesa tanto como um bilião de porta chaves quer dizer que quero transformar a Torre Eifel em porta chaves?
    Anda aí muita paranóia na nossa direita bem pensante. Deve ser consciência pesada. Sabem com se fazem os donos disto tudo e vivem no medo de os seus ídolos mostrarem os pezinhos de barro.

  6. mariofig

    Aonde pensa o esclarecido jornalista do Jornal de Negócios autor daquele titulo que orgulharia Estaline, Castro ou Chavez (mas que secretamente os fariam esconder ainda melhor as sua fortunas pessoais) que vai buscar a dívida pública se não precisamente a quem tem dinheiro de sobra para emprestar? Também o que pensa o jornalista autor daquele título sobre o dado que estas fortunas pessoais são geradoras de emprego e investimento, criam empresas, prestam serviços, pagam impostos e acumulam (se deus quiser) ainda mais riqueza para mais emprego, mais investimento, mais e maiores empresas e mais cobrança de impostos? Iniciativa privada é fodida… que chatice.

  7. mariofig

    Caro JO, para bom entendedor meia palavra basta. Como se o JO não soubesse nada sobre o valor que insinuações podem gerar ou o peso que a demagogia tem sobre a opinião pública. O titulo vale precisamente o que o BZ demonstrou, porque essa é, e sempre foi, a dialéctica da esquerda. Ainda mais numa altura que andam entretidos a discutir salários mais baixos para gestores do sector público e privado. Faz-te lá de desentendido meu caro amigo que a carapuça te fica bem.

  8. Gabriel Orfao Goncalves

    São tudo raciocínios do tipo: “Eh pá, descobri que se vender a minha casa… fico com tanto dinheiro… que posso dar não sei quantas voltas ao mundo. Também descobri que com esse dinheiro das voltas ao mundo podia comprar uma casa, pá!” ou “Sabes que se venderes um rim ficas milionário? Podes comprar um automóvel. Depois se as coisas correrem mal e precisares de um rim, vendes o automóvel e mais alguma coisa que tenhas lá na garagem e compras um rim a um tipo qualquer, assim como vendeste o teu”. Ou “Eu, se vendesse tudo o que tenho no frigorífico, ficava com dinheiro suficiente para as compras da mercearia das duas próximas semanas.”.

    Esta gente acredita que é capaz de ideias geniais em que nunca ninguém pensou. E o pior é que alguns ensinam em “Universidades” onde têm alunos que “aprendem” com eles. E no fim dão a esses alunos um canudo! (Quiçá para desideratos onanistas…)

    (Muito bom, o vídeo do Rick, que já conhecia. Gostava que alguém de esquerda se pronunciasse sobre ele.)

    Jo, essa sua analogia com a torre Eifel tem graça. Então para que diria a nossa impressa que os ricos têm património que chegava para pagar a dívida senão para um efeito esquerdelho, que é o de dizer: “estão a ver, os malandros?, o dinheiro que nos custa a pagar têm-no eles ali! Era só ir lá buscar! [E ficávamos como na Venezuela, isso era limpinho]”. Haveria de ser para quê, este tipo de notícias?
    Alguma vez viu esses jornaleiros dizerem que os nossos empresários tinham património suficiente para investir numa muito necessitada ferrovia de bitola europeia? (Aquela coisa a que o Sócrates, por ser saloio ao cubo, chamou de “TGV” Veja o meu blogue “bravosdopelotao”. Está lá uma carta aberta, nos 3 ou 4 primeiros posts, que envei a Sócrates, pedindo-lhe para parar com os disparates e para se concentrar no essencial, que é a bitola europeia e o transporte de carga, muito mais premente que o transporte de pessoas “em alta velocidade”.) Ou que tinham património suficiente para criar mais não sei quantos postos de trabalho? Ou que tinham património para criar escolas profissionais? Ou que tinham património para explorar, com mais eficiência, a Carris ou o Metro ou os aeroportos (que foram vergonhosamente, no tempo de Passos Coelho, TODOS entregues a um só operador, quando se deveria ter concessionado a exploração de cada um a um operador diferente)? (1)

    ALGUMA VEZ LEU NOTÍCIAS DESTE TIPO, Jo? Alguma vez?

    Caramba, que é demais!

    (1) E lembro só isto: antes do 25 de Abril, a linha de Cascais era explorada salvo erro por ingleses. Tinha 3 classes, cada comboio: 1ª, 2ª, e 3ª.. Andava cheio e dava lucro. Acabaram com a exploração por privados. Acabaram com as classes, e os passageiros passaram a ser todos iguais, todos dentro de qualquer carruagem. O resultado foi o abandono deste maio de transporte colectivo por parte de muito boa gente e o resultado foi o que se viu e se vê.

  9. Gabriel Orfao Goncalves

    Ainda mais uma provocação (à laia de resposta ao Michael Moore que aparece no vídeo do Rick, aos 00:58):

    Vocês já viram o capital que o Estado tem? Milhões nos cofres, edifícios, obras de arte nos museus…

    Há por aí muito capital! Está é mal distribuído, como é óbvio. O que o Estado tem devia ser dividido por todos. Assim sim, acabava-se a pobreza. É só porque o Estado é um grandessíssimo porco capitalista que há tanta pobreza. Há muito dinheiro no Estado. Só não está nas vossas mãos.

  10. jo

    Mariofig
    As únicas insinuações que vejo aqui são as dum bando de desvairados que dizem que escrever há três fortunas com valor igual à dívida pública é o mesmo que dizer que essas fortunas deveriam ser confiscadas.

    Temos os fundamentalistas religiosos que não deixam que alguém se refira ao seu deus e os fundamentalistas económicos que acham que falar de fortunas sem ser para dizer que os seus donos são altruístas económicos é crime de blasfémia.

  11. Tiro ao Alvo

    JO, tem calma. Ninguém escreveu que ” há três fortunas com valor igual à dívida pública”. O que se escreveu é que essas três fortunas apenas davam para pagar os juros de um ano, o mesmo é dizer que a dívida se mantinha ao mesmo nível, ou seja muito elevada.
    O que aqui se quis dizer é que se as taxas de juro fossem reduzidas para um terço, coisa mais que possível se os financiadores acreditassem nos nossos governos – veja-se a Espanha -, então sobraria o bastante para que aparecessem, todos os anos, mais dois portugueses ricos, daquela dimensão e, dessa forma, possibilitar-se-ia que os nossos mais ousados compatriotas criassem uns largos milhares de postos de trabalho, a exemplo do que estes fizeram. Abre os olhos!

  12. «Abre os olhos!»

    Seja camarada e não desperte o Jo do seu sonho. Se abre os olhos verá o pesadelo à espreita.

    União Soviética, de vitória em vitória até ao colapso final… a pedir 4 mil milhões de dólares de uma semana para a outra ao Helmut Kohl e ao George Bush para pagar salários.

  13. André Miguel

    Só mete o pé na poça quando escreve “fortunas acumuladas”, pois como bem escreve depois não têm cofres em casa cheios de euros.
    Faltam ricos e sobram pobres a mais, nesta tragédia em curso que se chama Portugal…

  14. O afonso Camões não foi o bufo que numa visita ao oriente informou os amigos do 44 que este ia ser preso?
    Volto a sublinhar controljornal e Proença de carvalho nada mais há a dizer sobre os intuitos subjacentes para obtenção de preberendas na sociedade a custa dos papalvos dos contribuintes que exaltam satisfação com estas espécie de notícias.

  15. JO : “A maior parte dessa riqueza não está em Portugal.”

    Então onde está ?!…
    Nas holdings sediadas na Holanda e noutras praças mais atractivas ?
    Nas holdings estão as acções, que são apenas titulos de propriedade, pedaços de papel.
    As empresas participadas, com activos reais (instalações, materiais, capitais, capacidades, etc), estão principalmente em Portugal (algumas estão nalguns paises onde as holdings também investem ; mas estas empresas também “importam” bens e serviços provenientes de Portugal).
    A capacidade de criação de riqueza está em Portugal.
    A riqueza produzida e a produzir no futuro (os tais “lucros futuros” que, como diz o BZ, representam o essencial do valor das empresas) fica e é principalmente distribuida em Portugal (apenas os dividendos, depois de pagarem os impostos em Portugal, pode ser enviados para as holdings no exterior).
    Ou seja, desta riqueza criada e distribuida em Portugal beneficiam sobretudo os portugueses : os trabalhadores, os fornecedores, os consumidores (que têm mais opções para adquirir produtos ao menor custo e/ou de melhor qualidade).
    Se o governo do pais onde estão as empresas participadas, neste caso principalmente Portugal, porventura decidir nacionalizar e/ou expropiar as empresas e os seus activos, as holdings no estrangeiro ficam apenas com papel que vale … zero !…
    O pais fica então com os activos, através do Estado, mas o mais provável, para não dizer o mais certo, como a história tem sempre mostrado, é que estes activos e as suas capacidades de criação de riqueza se degradem e acabem mesmo por desaparecer (é destruição de riqueza e valor).
    Se porventura o governo do pais onde estão as empresas tiver politicas hostis ou desfavoráveis às empresas e aos seus donos (inclui-se aqui não penas a acção governativa directa mas também o ambiente de negócios geral : sindicatos, justicialismo, boicotes, campanhas, etc ; inclui-se ainda todo o tipo de discurso hostil às empresas, à actividade empresarial em geral, aos investidores, etc, como aquele que é normalmente feito aqui por comentadores como o JO e outros ) então, ai sim, é possivel e até provável que os investidores acabem por ir transferindo as actividades reais (e não apenas o papel das acções) para o exterior.
    Isto é, assim é que se faz com que a riqueza acabe por ir indo para o estrangeiro !…
    No final perde o pais, perdem muitos dos seus habitantes que ganhavam a vida a trabalhar directamente e indirectamente para as empresas, perde o Estado que deixa de cobrar impostos, perdem mesmo os consumidores que deixam de ter maiores opções de acesso a bens e serviços.

  16. Euro2cent

    > E isso só é possível numa sociedade verdadeiramente livre.

    Ah, as finas distinções do “verdadeiramente” – verdadeiramente livre / socialista / progressista / marxista / científico / budista / cristão / muçulmano / etc./ etc.

    Belos debates sobre quantos anjos cabem numa cabeça de alfinete, e como combater os heréticos …

  17. Gabriel Orfao Goncalves

    O Jo não vê nenhuma relação entre a MANEIRA como a notícia é dada no JN e um pretenso efeito político que aqui lhe atribuímos. Diz que somos – cito – “desvairados”.

    É natural.

    O Jo também não deve ver relação nenhuma entre o leninismo e a fome assassina que foi levada a cabo na Ucrânia com intentos genocidas e que hoje é conhecida por Holodomor:

    https://oinsurgente.org/2017/03/04/holodomor-o-negacionismo-de-deputados-socialistas-sobre-o-genocidio-ordenado-por-estaline

  18. De tempos em tempos, estas comparações do tipo “a riqueza de X e Y dava para pagar o SNS” vêm à tona nos jornais portugueses. É o SNS, as pensões, a educação e (ontem) os juros da dívida pública. Não seria má ideia alguém ir recuperar estas capas de jornal e perceber a) quem escreve estas baboseiras e b) qual a periodicidade das mesmas. Desta forma, sabemos que na semana Z do mês J lá encontraremos novamente outra destas comparações.

  19. jo

    Fernando S
    Você está um bocado confuso.
    Se os lucros conseguidos através de uma posição quase monopolista na distribuição são expatriados, não pagam impostos em Portugal nem são reenvestidos, não é o país quem mais beneficia com eles.

    De qualquer modo a questão que eu levantei é outra:

    O que leva os nossos comentadores de direita a ficarem raivosos só porque alguém fala de uma fortuna e não faz uma vénia aos afortunados?

    É que na notícia (vá lá lê-la s.f.f.) ninguém fala em confiscos ou em utilizar as fortunas para pagar seja o que for.

    Tirando algumas monarquias absolutas – com o que consideram lesa-majestade – e os fundamentalistas religiosos – com o que consideram blasfémia – é difícil ver alguém ficar tão zangado com uma coisa tão inócua,

  20. JO : “Você está um bocado confuso.”

    Agora estou é confuso com a sua resposta ! …

    .
    JO : “Se os lucros conseguidos através de uma posição quase monopolista na distribuição são expatriados, não pagam impostos em Portugal nem são reenvestidos, não é o país quem mais beneficia com eles.”

    1. A distribuição alimentar e de outros bens de consumo doméstico não é monopolista. Na área dos supermercados existem varias cadeias a concorrer entre si. Duas das 3 pessoas com maiores fortunas são precisamente donas de duas cadeias que concorrem fortemente entre si. Mas há outras. E não há apenas os hiper e os supermercados de diferentes dimensões. O território nacional está largamente coberto por locais comerciais que vendem produtos equivalentes. Ninguém é forçado a comprar nos hiper e supermercados, Na realidade, uma parcela significativa do comércio, nesta como noutras áreas, é de micro e pequenas empresas. Em Portugal até bem mais do que na maioria dos outros paises europeus.

    2. Os lucros das empresas da grande distribuição pagam impostos em Portugal. Só depois de descontados os impostos devidos é que podem ser distribuidos dividendos aos accionistas. Quando o accionista é uma holding sedeada no estrangeiro então estes dividendo (lucros que já foram taxados uma primeira vez)pagarão ainda os impostos que estão previstos pela fiscalidade deste pais (é uma segunda taxação). De qualquer modo, estamos sempre a falar de uma muito pequena percentagem do volume de negócios das empresas activas.

    3. Como referi no meu comentário anterior, a quase totalidade da riqueza criada por empresas activas em Portugal fica em Portugal e, por isso, beneficia o pais e os portugueses. A parcela que é eventualmente transferida para o exterior como dividendos é muito pequena. Acresce que uma parte significativa dos rendimentos das holdings no exterior pode muito bem voltar a ser investida no pais de origem com vista ao desenvolvimento das actividades já existentes ou à criação de novas actividades. Tudo isto é de molde a criar e a distribuir ainda mais riqueza e mais emprego em Portugal. Em contrapartida, se for dificultada ou impedida a existência de holdings no exterior a consequência óbvia é uma fuga de capitais para o exterior por outros meios e uma redução drástica do investimento externo (de estrangeiros e de … portugueses !…) no pais. Seria muito pior a emenda do que o soneto !!

    JO : “De qualquer modo a questão que eu levantei é outra:…”

    Frase do JO no penúltimo comentário : ” “A maior parte dessa riqueza não está em Portugal.”

    Ou seja, o JO levantou mesmo esta questão ao dizer um enorme disparate !

    .
    JO : “É que na notícia (vá lá lê-la s.f.f.) ninguém fala em confiscos ou em utilizar as fortunas para pagar seja o que for.”

    Ninguém fala abertamente mas é claramente o que está subjacente e é o que é insidiosamente e cinicamente sugerido por muitos, incluindo o JO !…
    Como dizia a outra desavergonhadamente : “Do ponto de vista prático, a primeira coisa que temos de fazer é perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro !…” !!

  21. jo

    Fernando S
    “Ninguém fala abertamente mas é claramente o que está subjacente e é o que é insidiosamente e cinicamente sugerido por muitos, incluindo o JO !…”

    Quando se começa a inventar coisas que não existem a discussão torna-se complicada. Primeiro inventa coisas que não estão escritas, depois ofende-se com elas. Experimente um chá de tília, a ver se acalma.

    Quanto ao seu devaneio sobre impostos, todos sabemos que não existe nenhuma fuga ao fisco por este tipo de organizações. Só criam sedes na Holanda porque gostam de túlipas.

    Mas concordo consigo, devem-se taxar os pobres em vez de quem tem dinheiro. O dinheiro dos ricos é muito mais difícil de apanhar porque tende a escorrer para offshores. Taxando os pobres a coleta é muito mais garantida.

  22. Para Portugal ter verdadeira democracia pluralista , tem de acabar com ensino comunista , acabar com a fenpof de MN . começa no 1º ano e vai ate as universidade . Exemplos Louçã Mortáguas etc
    a semente começa ai como nas madraças .

  23. JO : “Experimente um chá de tília, a ver se acalma.”

    Eu estou calmo … O JO é que parece estar incomodado com o contraditório …

    .
    JO : “sobre impostos, todos sabemos que não existe nenhuma fuga ao fisco por este tipo de organizações. Só criam sedes na Holanda porque gostam de túlipas.”

    As holdings são criadas no exterior em toda a legalidade para optimizar a fiscalidade e não para fugir ao fisco.
    Se Portugal quer manter e atrair investidores para terem as suas sedes financeiras no pais tem muito simplesmente de fazer o que fazem paises como a Holanda, a Irlanda, e outros (que não são offshores) : garantir uma fiscalidade menos pesada e outras vantagens para os investidores.
    Obviamente que não serão os “amigos” do JO que o vão fazer !!

  24. JO : “devem-se taxar os pobres em vez de quem tem dinheiro. O dinheiro dos ricos é muito mais difícil de apanhar porque tende a escorrer para offshores. Taxando os pobres a coleta é muito mais garantida.”

    Os “pobres” não pagam impostos directos. Quase metade dos portugueses está isenta do imposto sobre o rendimento.
    A maior parte da coleta do imposto sobre o rendimento, que é fortemente progressivo, vem dos que mais têm, dos “ricos” : 16% dos que mais têm pagam 84% da coleta, 9% pagam 70%, 5% pagam 60%, 1% (as famigeradas “grandes fortunas”) pagam quase 1/3 do total.
    As empresas pagam quase 1/3 dos impostos directos. Mas são sobretudo as empresas maiores, com maiores volumes de negócio e com mais lucros em termos absolutos que mais pagam : 9% das empresas paga 83% do imposto, 2% paga mais de 2/3.
    Os impostos indirectos são pagos em função dos gastos com o consumo, sendo que muitos dos bens de consumo consumidos pelas classes de rendimento mais baixas têm taxas reduzidas. Assim sendo, quem ganha e consome mais paga mais e inversamente.
    Não se pode dizer que são os pobres que pagam os impostos.
    Quem mais paga, quem paga a maior parte dos impostos, são os ricos e as grandes empresas.
    Então está tudo bem assim ?
    Não, não está.
    Há sempre fugas aos impostos e estas devem ser prevenidas e combatidas.
    Mas importa lembrar que a maior parcela da fuga aos impostos é constiuida por dinheiro que permanece no pais e não é enviado para o exterior e ainda menos para offshores e que uma grande parte dos evasores não são grandes fortunas ou grandes empresas mas sim pessoas comuns e empresas de pequena e média dimensão.
    E importa dizer acima de tudo que, perante este quadro, o pior que se pode fazer é procurar penalizar ainda mais as empresas e os investidores, incluindo as grandes empresas e as grandes fortunas, cujas actividades e investimentos estão na base de grande parte da criação de riqueza e de empregos e da distribuição de rendimentos.
    Os mais prejudicados por este tipo de politicas hostis às empresas e aos investidores são precisamente … os “pobres” !!!

  25. O que é preciso é reduzir a carga fiscal global e para isso é preciso reformar (reduzir) o Estado para diminuir os seus gastos e reformar a economia para aumentar o seu produto.

  26. jo

    Fernando S
    Para haver contraditório era preciso que houvesse discussão. Inventou que alguém disse que se deviam confiscar fortunas e ofendeu-se com isso.
    Um caso nítido de alguem que faz a festa, larga os foguetes e apanha as canas.

  27. Gabriel Orfao Goncalves

    «Temos que perder a vergonha de buscar dinheiro a quem está a acumular dinheiro»

    é procurar na net por quem disse esta frase e ouvir o discurso todo.

    Eu proponho uma estratégia para a caça à presa: em momento indeterminado do ano, e em sítio também oculto, o Orçamento Geral do Estado transfere para a Caixa Geral de Aposentações cerca de 5 mil milhões de euros. Isto todos os anos, mais milhão menos milhão.

    Que diabo! Não haverá umas esganiçadas que ponham uma mascarilha e assaltem a carrinha que leva esse dinheiro para a Caixa Geral de Aposentações?

    Por amor de Deus!, “temos de perder a vergonha de ir buscar dinheiro a quem está a acumular dinheiro” 😀

    (Nota: minha mãe é pensionista da CGA. Contra mim falo, mas uma grande parte da pensão é NÃO CONTRIBUTIVA. É uma injustiça enorme – mais uma vez, contra mim falo – que as gerações mais novas tenham de pagar uma tamanha carga fiscal para sustentar o esquema de Ponzi que ainda é a CGA. Já não é tanto porque já não entram para lá novos trabalhadores, mas ainda o é porque o Orçamento ainda tem de acudir todos os anos para que aquele fundo, que deveria ser estanque mas que nunca o foi, se aguente sem falir.)

  28. JO,
    Mariana Mortágua é “alguém” e disse o que disse.
    Não é uma invenção.
    E muita gente, como o JO, mesmo não utilizando explicitamente as mesmas palavras, concorda, aprova e sugere que se expropriem parcial ou totalmente “grandes fortunas” para ajudar a financiar e a pagar os gastos do Estado.
    Fazer sistemáticamente um paralelo entre o valor patrimonial de grandes fortunas e o valor de certos gastos públicos, como acontece com a noticia a que se refere o post aqui em cima, é obviamente um modo insidioso mas inequivoco de sugerir que assim seja.
    Os comentários do JO, em cima e em geral, apontam claramente para que as “grandes empresas” e as “grandes fortunas” sejam ainda mais duramente taxadas.
    Se isto não é um convite à “expropriação” então vou ali e já venho !!
    NOTA : Já agora, eu não me “ofendo” (?!…) com o que o JO diz e com as posições que defende : procuro contestar, criticar e dismistificar. Tão só !…

  29. Gabriel Orfao Goncalves

    I

    Com o socialismo:

    1-a) “A pobreza acabou na Venezuela.”
    1-b) “A Venezuela acabou na pobreza.”

    2-a) “Cuba acabou em miséria.”
    2-b) “A miséria acabou em Cuba.”

    3-a) “A dependência da troika acabará em Portugal.”
    3-b) “Portugal acabará na dependência da troika.”

    Assinale as frases correctas. Justifique.

    II

    Redija cerca de uma página de texto desenvolvendo a seguinte afirmação:

    “Se tivesse uns bons milhões de euros não os iria investir num país de comunas. Nem sequer os iria guardar num banco de um tal país.”

  30. jo

    Fernando S
    Reparou com certeza que o mote do post era a frase:
    “Fortuna dos mais ricos dava para pagar juros da dívida pública”
    que estava escrita no Jornal de Notícias?

    A que propósito está a citar Marian Mortágua?
    Foi ela que escreveu a notícia que o ofendeu?

    PS:
    Quanto á frase de Mariana Mortágua, é de opinião que os impostos deveriam ser regressivos, quem ganhasse mais, pagava menos, para evitar que os ricos sejam perseguidos injustamente?

  31. JO,

    É precisamente esse tipo de frase que sugere que bastaria extorquir a fortuna dos mais ricos para resolver o problema dos juros da divida pública e outros decorrentes de politicas despesistas e intervencionistas.
    A verdade é que não apenas não resolveria esses problemas como até os agravaria.
    A maior parte dos meus comentários anteriores foi precisamente a propósito dessa frase e dos comentários do JO em defesa da mesma e do que ela, na minha opinião, subentende politicamente.
    Mas, pelos vistos, o JO, em vez de continuar a responder directamente aos meus argumentos preferiu fugir com o rabo à seringa dizendo que eu estava “ofendido” (?!…) com a dita frase e a acusá-lo por ter dito algo que não disse…

    Citei a famosa frase da Mariana Mortágua porque ela diz descaradamente o que é o fundo do pensamento de quem, como o JO, defende a extrorsão dos “ricos” e das “grandes empresas”.
    De resto, até mesmo num PS do seu comentário anterior, muito oportunamente, o JO acaba por manifestar abertamente a sua concordância total com a frase do “saque sem vergonha” da Mariana Mortágua.
    Portanto, a citação dessa frase nesta discussão fazia todo o sentido !

    Já percebi que poderei repetir tantas vezes quantas possiveis que a noticia que está na base deste post não me “ofendeu” que o JO vai continuar a dizer que sim, que eu fiquei muito “ofendido”, etc, etc !…
    Eu não concordo e critico certas afirmações e opiniões do foro politico, não me “ofendo” com elas. Porque é que haveria de me ofender ?!…
    A única coisa que me pode eventualmente ofender são insultos e faltas de respeito pessoais por parte de um qualquer interlocutor directo.
    Acrescento com prazer que, neste plano, não tenho nenhuma razão de queixa de si ! 🙂

  32. jo

    Fernando S
    Homem beba lá a tília.
    O que é que andou a fumar?
    Onde é que eu disse que defendia a extorsão dos “ricos” e das “grandes empresas”?

    Não me respondeu: Acha que a maior parte dos impostos devem ser pagos peãs pessoas com rendimentos mais baixos para garantir que os mais ricos não são prejudicados?

  33. JO : “Onde é que eu disse que defendia a extorsão dos “ricos” e das “grandes empresas”” ?

    Não disse assim, com as mesmas palavras e de forma clara e sintética…
    Mas todos os seus comentários defendem que os “ricos” e as “grandes” empresas devem pagar ainda mais impostos.
    Como se não bastasse, ainda defendeu a frase da Mariana Mortágua onde é dito, preto no branco, que : ” “Do ponto de vista prático, a primeira coisa que temos de fazer é perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro !…”
    JO, não faça dos outros parvos !!…
    Se não pensa assim, porque até pode mudar de opinião, então diga claramente que acha que as “grandes fortunas” e as “grandes empresas” já pagam impostos a mais e deveriam pagar menos !…

    JO : “Não me respondeu: Acha que a maior parte dos impostos devem ser pagos peãs pessoas com rendimentos mais baixos para garantir que os mais ricos não são prejudicados?”

    Respondi em todos os meus comentários, alguns dos quais até bastante longos, com bastantes detalhes, mas pelos vistos o JO não ligou e portanto nem respondeu !…
    Acho que a carga fiscal global deve ser diminuida. Isto é, os impostos devem baixar para quase todos os que já os pagam (“as pessoas com rendimentos mais baixos” não pagam impostos directos e pagam apenas uma pequena parcela dos impostos indirectos), incluindo naturalmente, os mais “ricos” (que já pagam demasiado : Portugal é o pais da OCDE com a maior taxa média de imposição dos rendimentos mais altos) e as “grandes empresas” (o IRC deve descer para todas as empresas, pequenas médias e grandes).
    Para isto não é preciso nem é sequer possivel fazendo pagar mais às “pessoas com rendimentos mais baixos”.
    O que é preciso é que o Estado gaste menos.
    O que é preciso é que a economia seja liberta dos entraves que impedem que produza mais e assegure assim mais receita fiscal com uma menor carga fiscal.

  34. Nuno

    A inveja, imprimida ou outra, é de facto um desgraçado costume português.

    A manipulação e aldrabice, essa impressa, também o são e o “Truques” é um excelente exemplo de serviço público na luta contra essa baixa forma de fazer jornalismo. Uma vez que a imprensa é o 4º poder e o poder corrompe, a vigilância para que essa influência seja exercida de forma idónea e respeitando a deontologia é fundamental. E por isso isto que escreveu é totalmente descabido:

    « tal não significa que seja menos defensor das liberdades de imprensa e de expressão dos seus jornalistas. Condicionar tais liberdades é mais objectivo do “Truques” »

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s