(in)segurança na CGD?

Já pensaram na razão da CGD eventualmente pagar a investidores internacionais taxa de juro de 10% por dívida subordinada enquanto remunera portugueses com depósitos a prazo em 1-2%?

Certamente os nossos leitores rapidamente chegam à resposta: o risco é diferente.

É admissão (implícita) do governo do Estado accionista que existe probabilidade da CGD não cumprir o pagamento desses títulos. Sendo assim, é compreensível que a emissão seja realizada além-fronteiras. Não só permite a investidores menor carga fiscal, como também evita futuros”lesados da Caixa” portugueses. É que, por cá, há muita iliteracia financeira. Veja-se, por exemplo, o recente regozijo com os números da execução orçamental de 2016…

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14 thoughts on “(in)segurança na CGD?

  1. Anticapitalista

    É o sistema capitalistas a funcionar em pleno! Ou não é ?
    E não é o que vocês querem e defendem como o “menos mau” dos sistemas “democráticos” que existem???
    Quando acaba a hipocrisia?….

  2. Parece-me tecnicamente incorrecto comparar a remuneração oferecida a investidores de obrigações subordinadas perpétuas, com a remuneração oferecida a depositantes. O risco, como o autor refere, é substancialmente diferente. E não me parece ser simplesmente a admissão de possibilidade de incumprimento (se bem que esse risco está sempre presente, e fará parte da remuneração). Parece-me que neste caso a comparação será mais com a roe, dado estes títulos serem obrigações perpétuas, sem cupão, e com a possibilidade de conversão em equity caso certos triggers sejam atingidos, e/ou com outros títulos de muito longa duração, obrigações callable’s, etc.

  3. Luís Lavoura

    Além do risco, há duas grandes diferenças entre os depósitos a prazo e as obrigações perpétuas. A primeira, é que os depósitos a prazo são tipicamente de pequenas quantias, tendo por isso custos de manuseamento bastante maiores do que as obrigações, que provavelmente serão comercializadas em tranches de cem mil euros. A segunda, é que os depósitos a prazo pagam o principal enquanto que as obrigações apenas pagam juros – nunca pagam o principal.

  4. Luís Lavoura

    Este post é uma trivialidade. Uma investigação simples pelos mercados de obrigações indicará que múltiplos outros bancos emitiram no passado obrigações similares às que a CGD se propõe emitir, e que essas obrigações também foram emitidas no Luxemburgo. Por exemplo, o Bank of Ireland (é um banco privado) tem obrigações com taxa de juro de 10%, embora não perpétuas, e o Deutsche Bank tem obrigações perpétuas emitidas.

  5. Luís Lavoura

    permite a investidores menor carga fiscal

    Disparate. Um investidor particular português paga fiscalidade de 28% por quaisquer rendimentos de capitais, quer esses rendimentos provenham de depósitos a prazo ou de obrigações e quer essas obrigações tenham sido emitidas no Luxemburgo como em Portugal como seja onde fôr. Não há qualquer vantagem fiscal para o investidor em as obrigações estarem sediadas no Luxemburgo.

  6. “A primeira, é que os depósitos a prazo são tipicamente de pequenas quantias, tendo por isso custos de manuseamento bastante maiores do que as obrigações, que provavelmente serão comercializadas em tranches de cem mil euros. A segunda, é que os depósitos a prazo pagam o principal enquanto que as obrigações apenas pagam juros – nunca pagam o principal.”

    Não sei se percebo quais as ilações que o Luís retira do seu comentário relativamente à diferença de preços entre os depósitos e as obrigações perpétuas.

  7. Nuno

    Se me puder indicar a fonte para os juros de 1% a malta agradece. Clientes premium recebem 0.5% se pagarem a anuidade de cliente premium (18€ por um cartão de débito). Os outros recebem 0.1% na melhor das hipóteses.

  8. mariofig

    O que mais uma vez nos remete para o problema central. Se a CGD se deve apresentar no mercado com as mesmas regras de um banco privado (o que será difícil de discordar), não existe nenhuma razão prática para o banco ser público. Não fora porventura o desejo sem medida e profundamente irracional da esquerda em manter a prática da Empresa Pública (com as desastrosas gestões resultantes, as quais não faltam exemplos em Portugal, a começar pela própria CGD), até mesmo essa esquerda veria que não existe qualquer utilidade prática para a CGD se manter pública. O banco simplesmente não consegue oferecer mais valias nos sectores particular ou empresarial que não decorram do normal exercício da actividade bancária. O que não pode acontecer (e esta nota do BZ mostra isso mesmo) é a actual esquizofrenia na CGD.

  9. Luís Lavoura

    Fernando S

    O problema é a CGD não ser privada!

    Okay, mas então digam isto com todas as letras e em todos os posts, em vez de fazerem críticas enviesadas.

  10. Luís Lavoura

    António,

    as ilações que retiro são que, contrariamente ao que o post sugere, não é somente devido ao alto risco que as obrigações são melhor remuneradas.

  11. LUIS LAVOURA : “as obrigações |perpétuas] apenas pagam juros – nunca pagam o principal. … não é somente devido ao alto risco que as obrigações são melhor remuneradas.”

    As obrigações perpétuas podem ser um dia reembolsadas. Depende apenas da decisão da entidade que as emite.
    Pode acontecer no dia em que a entidade que as emite, neste caso a CGD, achar que pode mobilizar o dinheiro necessário para o efeito de modo a deixar de pagar um juro que é demasiado elevado.
    A CGD vai pagar um juro pelas obrigações que é mais elevado do que o de outros bancos privados que fizeram ou poderiam fazer este tipo de emissão.
    A razão principal é a CGD ter uma notação por parte das agências de rating que é pior do que a de outros bancos. Esta notação é desde logo baixa pelo facto da CGD ser um banco com problemas financeiros detido a 100% por um Estado com problemas financeiros.
    Mas a notação é ainda mais baixa no que se refere a esta emissão de obrigações perpétuas em particular. Há dias, a Fitch atribuiu a estas obrigações um rating de B-, uma notação que está no sexto nível de lixo e três níveis abaixo do atribuído ao banco (BB-). A agência esclareceu que este diferencial reflete «o potencial de perdas mais elevado face à divida sénior e o risco superior de mau desempenho». Na verdade, estas obrigações são fortemente subordinadas, o pagamento de juros é discricionário e o reembolso total está condicionado ao desempenho dos rácios de capital. Ou seja, a probabilidade destas obrigações virem algum dia a ser reembolsadas é muito baixa.

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