Sobre fugas de informação e outras coisas

Imagine o leitor que era um juiz ou um procurador a investigar alguém muito poderoso. Possivelmente, uma das pessoas que mais poder e influência acumulou em 40 anos de democracia. Essa pessoa tem uma rede de contactos que se estende do mundo empresarial à imprensa, passando, claro está, pelo poder político. O leitor sabia que, mais tarde ou mais cedo, essa rede de contactos iria começar a funcionar no sentido de impedir a sua investigação. Sabia também que quando os amigos do investigado voltassem ao poder, haveria muitas pressões no sentido de acabar com a investigação. O que fariam nessa situação se quisessem blindar o caso? Simples: patrocinariam fugas de informação para que a opinião pública entendesse a gravidade da situação, tornando assim muito mais difícil que o caso viesse a ser arquivado por pressões externas. Tendo que optar entre a justiça e o segredo de justiça, qual deve ser a escolha?

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14 thoughts on “Sobre fugas de informação e outras coisas

  1. jo

    Ou reuniriam provas suficientes para fazer uma acusação e seguiriam a partir daí.

    É de esperar que um criminoso infrinja as regras, mas se o polícia começa a infringir as regras, que garantia tenho eu de um julgamento justo?
    E que garantia de que o acusador público não resolve perseguir inocentes?

    Se a polícia se comporta sem cumprir a s regras, então é uma luta de bandos, não é justiça. Não tenho nenhuma garantia de que nenhum deles fala verdade. E se não tenho maneira de verificar se nenhum deles fala verdade, porque razão hei de acreditar mais num que noutro?

    O que ninguém parece querer admitir é que a gestão do caso Marquês tal como é feita, vai fazer mais estragos na credibilidade do Magistério Público do que na dos réus, E se podemos viver bem sem a credibilidade dos réus, vais ser muito complicado viver sem ter alguém de confiança na justiça. Alguém que não recorre a truques sujos para atingir os fins.
    Quem acreditará nestes procuradores quando acusarem mais alguém? Parecem ser só atiradores de lama.

  2. lucklucky

    Já há muito tempo que Sócrates deveria ter sido acusado ou deixado ir. Levar anos para acusar uma pessoa é intolerável.

  3. JP-A

    A tese de negação total em curso há mais de um ano só tem sustentação se houver expectativa de destruição do processo como com o de Aveiro, ou então a lógica é uma batata.

  4. mariofig

    Não consigo aceitar essa explicação, caro Carlos. As fugas de informação do Ministério Público para a imprensa são recorrentes, têm décadas e passam por todo o tipo de casos mediáticos independentemente do poder dos acusados. É a maior mancha negra no sistema judicial Português e uma imensa vergonha para toda a sociedade Portuguesa que pactua com esta situação sem se insurgir. Desde o poder político que se cala sobre este atropelo ao sistema judicial, passando pelos media que convenientemente preferem ignorar esta realidade, até à própria sociedade civil que prefere discutir a culpabilidade ou não da pessoa sobre investigação em vez de berrar contra o outro crime a ser praticado sistematicamente e bem à vista de toda a gente.

  5. Tiro ao Alvo

    Quem acredita que as fugas de informação, de processos em segredo de justiça, parte unicamente da parte das polícias ou do MP? Então não há outros interessados, para além dos jornalistas?

  6. O azar do 44 foi o pinto Monteiro e o Noronha do nascimento estarem fora do ativo porque senão este processo já estava resolvido no aterro de Aveiro. Aquele almoço que o 44 teve com o senhor Monteiro antes de ser preso teria num país a sério muito que dizer.agora registo que a TSF tentou esta semana voltar a trazer o senhor Monteiro para a ribalta. O senhor daniel Proença de carvalho não brinca em serviço e temos de estar atentos para ver quais serão as próximas etapas de intoxicação. Ainda bem que podemos dizer que isto é da Joana!

  7. ABC

    Há aqui dois problemas. A justiça é lenta, e os crimes de colarinho branco difíceis de provar.
    Creio que o MP já tem matéria para prender os suspeitos, mas não pelos crimes mais graves. Eu avançava com o que tivesse, mesmo que isso significasse que os acusados cumpririam penas de meia dúzia de anos, quando talvez mereçam uns vinte.
    A percepção das pessoas também é um factor a ter em conta. O MP devia lembrar-se que Al Capone foi preso por fraude fiscal e não pelos crimes violentos que cometeu.

  8. Imagine o leitor que era um político ou presidente de câmara corrupto a ser investigado por um Juiz indefectível. Possivelmente, um dos magistrados mais estimados e respeitados da nomenclatura judicial nos últimos 40 anos de democracia. Imagine o leitor que esse político ou presidente de câmara corrupto tem uma rede de contactos que se estende do mundo empresarial à imprensa, passando, claro está, pelo poder político teia essa que , mais tarde ou mais cedo, irá começar a funcionar a seu favor no sentido de impedir a sua investigação . O que fariam nessa situação se quisessem levar ao arquivar do processo e desacreditar o mesmo juiz ? Simples: promoveriam a defesa intensiva do arguido nos meios de comunicação social propagando a ideia de um regime penal de excepção desfavorável , fariam uma campanha infame para desacreditar o magistrado , e patrocinariam fugas de informação selectivas , desacreditando por todos os meios possíveis , as regras e o normal decurso do Processo . Aqui também .

  9. “Tendo que optar entre a justiça e o segredo de justiça, qual deve ser a escolha?”

    É perguntar a esses dois melros que estão na fotografia ao minuto um e quarenta . Afinal de contas , um deles é presidente da Assembleia da Republica , outro Primeiro ministro de Portugal e o outro….

  10. “Tendo que optar entre a justiça e o segredo de justiça, qual deve ser a escolha?”

    É perguntar a esses melros que estão na “fotografia” ao minuto um e quarenta . Afinal de contas , um deles é presidente da Assembleia da Republica , o outro Primeiro ministro de Portugal e o terceiro….*

  11. Era um fulano tão poderoso, tão poderoso, que um juiz que pediu dinheiro emprestado a um procurador (corrupto?) decide prendê-lo por achar suspeito ter pedido dinheiro emprestado a um amigo.
    E era uma investigação tão complexa, tão complexa, que de anos de escutas, dezenas de detectives e contas reviradas de fio a pavio, o melhor que se arranjou para sustentar a acusação, daquilo que foi divulgado, pela própria, seguindo a lógica de CGP, são declarações de um foragido à justiça, em Angola, oferecidas a troco da sua imunidade.

  12. Isto é o Tolan da justiça. Muito “boa gente” deseja nem saber o que está dentro do casco… Entretanto a justiça empurra com a barriga para a frente, empatando a data da remoção do navio (o julgamento).
    São armas senhor!

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