O Efeito Centeno

Esta semana, Mário Centeno em entrevista ao Financial Times, alertou os mercados que “[Portugal] não estava a ser tratado de forma justa”.

Três dias depois destas declarações de Mário Centeno, as taxas de juro da dívida pública portuguesa a 10 anos no mercado secundário encontram-se em grande subida, superando o valor de 4,2% (na altura em que escrevo este post) e aproximando-se de máximos de três anos.

É caso para falar do “Efeito Centeno”.

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15 thoughts on “O Efeito Centeno

  1. FALA CIDADÃO………..
    FALA CIDADÃO…………Os prazos administrativos não podem gerar o risco de deixar criminosos e infratores á solta sem prazo.
    O necessário acompanhamento e desmontagem da prepotente era Sócrates não pode induzir qualquer distração com o seu emparelhado continuador Costa.
    Basta tão só comparar as declarações contraditórias entre o que proferiu enquanto oposição e as que agora debita como ocupante do cargo que assaltou.
    Uma coisa e o seu contrário num estalar de dedos.
    A gravidade extrema e o limite do indecoroso foram atingidos quando em desespero da sua causa pessoal, aliciou e comprou aliados que na véspera tinha como inimigos virais da democracia, e que lhe pagavam em sonora moeda não menos virulenta.
    “A lei protege maior numero de crimes do aqueles que condena” remete decididamente para “Luta sempre pelo direito, mas quando o direito entrar em conflito com a justiça luta pela justiça.”

  2. Basta relembrar as declarações de Sócrates em 2011 quando garantia que iria cumprir a meta do défice e que não iria pedir qualquer resgate. O prémio de risco de PT rondava os 400 pontos, muito próximo do que está agora. Em PT não há memória, mas quem nos paga as contas não esqueceu ainda.

  3. Miguel Alves

    Seguramente o Dr. Centeno terá todas as suas poupanças em dívida pública Portuguesa, visto que não encontra em mais lado nenhum taxas de juro tão altas com risco “zero”.

  4. mariofig

    Das duas uma, ou o Centeno acredita mesmo na política financeira que está a aplicar e nesse caso é um ministro perigoso, ou não acredita e a entrevista é apenas mais um discurso para dentro para enganar o povinho e dar continuidade ao estilo de governação Socrático de gritar “está tudo bem!” por cada janela que se passa à medida que caímos em direcção ao fundo. Porque para qualquer outra pessoa é óbvio que a resposta dos mercados e dos investidores tem reflectido a sua falta de confiança nas políticas seguidas. Os mercados não se movem por conceitos de justiça ou injustiça, apenas pela fria a cruel realidade assente em dados financeiros e contabilísticos. Os mercados não são justos ou injustos. Eles simplesmente não existem no domínio da avaliação pessoal e mesquinha de um país. Os mercados são pragmáticos. E o mal da nossa governação é não lhes seguir o exemplo.

  5. AB

    E não estamos a ser tratados com justiça. Se estivéssemos já há muito que só tínhamos o pão e água comunista.

  6. “essa subida deve-se a mudança de bmk. estavam a usar o titulo que vencia em 2026. passaram a usar o título que vence em 2027.”

    Portanto, se percebo bem, este ajuste é feito todos os anos para todos os prazos.
    De outro modo, com o andar do tempo, os 10 anos passariam a 9, depois a 8 e assim sucessivamente.
    Ou seja, a taxa de juro da divida pública portuguesa a 10 anos está efectivamente acima dos 4% e não abaixo como se poderia supor nestes últimos tempos.
    O “efeito Centeno” continua assim a revelar-se cada vez mais negativo (os mercados estão cada vez mais “injustos”) !…

  7. Fernando S

    Sim. este ajuste é feito recorrentemente, exactamente pelo motivo que refere. Sim, os 10 têm estado consistentemente acima dos 4%. p.e. este título, o tal de 2027 que desde ontem passou a ser usado como bmk, foi emitido em janeiro deste ano, e a respectiva ytm tem oscilado, desde a sua emissão, entre os 4.1% e 4.5%.

    o meu comentário não foi um encapotado elogio ao Centeno. não preciso de disclamers, mas estou nos antípodas deste governo “geringonçal”, e vejo a evolução das ytm da dívida portuguesa como um sinal perigoso e óbvio do falhanço deste governo. (estamos em valores que não se viam desde março de 2014, e 200% acima do mínimo verificado em Março de 2015). Agora não acho adequado cair-se no erro de se usar variações diárias, motivadas por tecnicalidades, para criticar esta “coligação de derrotados”. Existem muitos outros exemplos e sinais para os “desancar de cima a baixo”. E neste caso aplica-se na perfeição a máxima de que “só se perdem as que caem no chão”..

  8. António,
    Concordo com o que diz.
    E suponho que também concorda que ainda é menos adequado os ministros e os arautos da “geringonça” referirem variações diárias pontualmente favoráveis para pretenderem que as taxas de juro da divida portuguesa estão controladas e com tendência para baixar.

  9. Tiro ao Alvo

    O Centeno deve andar frustrado, ele a queixar-se que está a ser maltratado, e os mercados a não confiarem nele e a castigá-lo ainda mais. O homem deve sentir-se como um saco de batatas, e com razão…

  10. Queixar-se dos mercados e das agências de rating é sempre uma péssima estratégia de comunicação.
    Mesmo que hipotéticamente e teóricamente se pudesse encontrar algum fundamento. Do género, por exemplo : “os observadores e os investidores ainda não se aperceberam de que algumas medidas que foram tomadas vão dar efeitos positivos lá mais para a frente”.
    Mas, atenção, os tais investidores e observadores não são própriamente amadores e desconhecedores daquilo que acontece na realidade (muitos são profissionais preparados e experientes que não fazem outra coisa na vida !…).
    Se não vão na conversa é porque não vêm essas supostas medidas virtuosas, ou porque as vêm mas acham que não são virtuosas nem as necessárias, ou porque não acreditam ou têm ainda muitas dúvidas quanto aos anunciados bons resultados futuros, ou …
    Nestas condições, o governo estar a dizer que o que é feito está bem e é suficiente é o mesmo que estar a confessar que não tem a intenção de mudar o que os mercados consideram não estar bem e de fazer aquilo que os mercados consideram ser verdadeiramente adequado e necessário.
    Ou seja, é um verdadeiro tiro no pé, pior a emenda do que o soneto !
    Sendo assim, mais valeria estar calado !…

    Um exemplo do que se provou ter sido uma boa estratégia de comunicação para o exterior e para os mercados foi aquela que foi seguida por Passos Coelho e pelos seus ministros e que consistia em dizer sempre, mesmo quando os mercados e as agências de rating pareciam penalizar ou não favorecer o pais, que o governo estava determinado em fazer tudo o que fosse necessário para ir ao encontro das exigências, recomendações e expectativas dos investidores e das instituições internacionais.
    Este discurso deu alguma segurança e garantia aos mercados mesmo antes de os resultados efectivos serem melhores : na verdade, as taxas de juro da divida portuguesa foram descendo regularmente desde … 2012 !… quando a economia portuguesa estava em profunda recessão e as finanças públicas estavam ainda em grande tensão e muito fragilizadas (com chumbos do TC a cortes nas despesas e fortes aumentos de impostos, nomeadamente).
    Claro que esta confiança só foi mantida e consolidada, com as taxas a descerem continuamente durante mais de 3 anos até atingirem minimos históricos (na primeira metade de 2015) porque ao discurso correspondiam efectivamente medidas que eram consideradas positivas pelos mercados e porque os resultados foram depois progressivamente aparecendo.
    Na situação actual, os mercados não vêm as medidas virstuosas e, pelo que ouvem da boca dos governantes actuais, desconfiam sériamente que estes não tenham qualquer intenção, vontade ou capacidade para as vir a tomar no presente e no futuro previsivel.

  11. Ponto de ordem à mesa: Portugal não estava a ser tratado com justiça, os mercados deram lhe razão é hoje aumentaram os juros. Corolário, por uma vez Centeno acertou!

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