Rentes de Carvalho sobre Geert Wilders

Rentes de Carvalho vota Geert Wilders. E explica porquê

Temer eventuais consequências? Nunca isso me passaria pela cabeça. Nada tenho a ver com os meus leitores, não lhes devo coisa nenhuma, tão-pouco me interessa o seu favor ou desfavor, ou que eles suponham poder-me associar com Wilders, a islamofobia, a extrema-direita, o partido dos animais ou os vegetarianos. Não pertenço, não me associo, não tiro proveito. Sou livre e ajo com liberdade, nenhum interesse material, político, económico, social ou outro tem poder para coartar a minha liberdade.

Claro que sofro as consequências e sei o preço dessa liberdade. O não ter cantado loas ao 25 de Abril, paguei-o com quarenta anos de desdém e ostracismo. De nada contou ser na Holanda um escritor bestseller, um jornalista respeitado, um docente universitário de boa fama, um sujeito estimado. Em vez de dizer que nem as moscas nem o excremento tinham mudado, teria sido proveitoso entrar no coro e gritar que, finalmente, o sol brilhava para todos, até para os deserdados.

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17 thoughts on “Rentes de Carvalho sobre Geert Wilders

  1. Mais um que vai arder na fogueira inquisitorial da esquerda. Infelizmente para os inquisidores a maioria dos europeus começa a abrir a pestana e já não engole as patranhas com que os progressistas de esquerda tem envenenado o ambiente. Chamar fascista, racista, xenófobo, ou extrema-direita a quem não partilha da cartilha progressista marxista, já não assusta ninguém.

  2. Luís Lavoura

    Não explica bem por quê, porque, de facto, diz que as propostas de Wilders são inexequíveis. Faz algum sentido votar num indivíduo cujas propostas não podem ser postas em prática?

  3. “… o hedonismo, a ausência de ideais, uma mansidão que não distingue muito da cobardia, aqui e ali um tolo sentimento de superioridade, de «valores» e «civilização», são outros tantos factores da nossa provável derrota. O comportamento «bonzinho» de não nos defendermos de quem nos ataca, de respeitar quem não nos respeita, de insistirmos em estender a mão a quem nos despreza, por certo encontra alguma justificação na doutrina cristã, mas é atitude contraproducente numa situação de conflito, sobretudo quando a parte contrária aplica a estratégia bélica de Clausewitz, enquanto a nossa opta pelo adiamento e dá prioridade aos jogos de computador, às amizades e aos likes do Facebook.” ( Do mesmo J. Rentes de Carvalho , com o aval o do Rui Carmo . )

  4. mariofig

    Em Portugal faz-nos falta um Wilder para espicaçar as coisas e criar uma plataforma para votos de protesto. O Rentes de Carvalho é que tem razão; somos um país de medricas. O mais parecido que temos é o José Pinto-Coelho. Mas votar num partido de botas da tropa e cabelos rapados também é pedir demais. Bem vistas as coisas, votar no BE ou no PCP como voto de protesto até poderia dar bons resultados. Precisavam de ganhar de forma esmagadora, mas uns anitos de camaradas no poder seria o suficiente para o povo perceber quem realmente são e o que pretendem e acabar com essa canalha da esquerda radical de uma vez por todas. Assim estilo Ucrânia.

  5. Portugal, para nosso mal (ou bem?), não risca. O que vale é que, para lá de Castela (incluida) a esquerdalhice tem os dias contados. Sobramos nós e os gregos, dois miseráveis. Mas até os gregos se vão safar melhor que nós pois serão a primeira linha de defesa da mouraria uma vez que também a amizade turca tem os dia contados.

  6. Rogerio Alves

    Se o BE ou o PC tivessem uma vitória esmagadora, poderíamos ter aprendido a lição mas de pouco nos serviria pois seria impossível fazermos algo contra!

  7. Luís Lavoura : “[Rentes de Carvalho] Não explica bem por quê, porque, de facto, diz que as propostas de Wilders são inexequíveis. Faz algum sentido votar num indivíduo cujas propostas não podem ser postas em prática?”

    Ele até explicou : sabe que Geert Wilders não tem hipóteses de vir a governar, e antes assim, mas considera que o voto dele é apenas de protesto visando contribuir para a existência de uma oposição suficientemente forte para alertar os holandeses e pressionar o governo em funções no sentido de limitar a imigração e combater sem preconceitos a criminalidade que a ela está associada.
    Tem a sua lógica e não é um posicionamento extremista ou xenófobo.
    Mas, dito isto, no lugar dele, eu não apostaria nessa estratégia e não votaria do mesmo modo : votaria antes nos conservadores do Partido Popular Liberal e Democrata, liderados por Mark Rutte, o actual Primeiro Ministro, que são os que ainda têm alguma maior consciência da necessidade de uma politica mais exigente em matéria de imigração e de luta contra a criminalidade, sem no entanto resvalarem para extremismos perigosos e irrealistas e sem se afastarem de posições mais liberais sobre a economia e mais moderadas relativamente à UE e ao Euro, de modo a estarem menos dependentes de alianças com partidos mais centristas e até socialistas (caso do Partido do Trabalho, do até agora Ministro das Finanças e Presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem).
    A politica não é apenas uma questão de principios, é também a arte do possivel e do realizável !

  8. Aladdin Sane

    Por falar no BE, a versão holandesa deles quadruplicou o número de assentos, de 4 para 16.

  9. A boa noticia é a extrema-direita não ter subido muito à custa da direita moderada e liberal.
    A má noticia é os sociais-democratas que integravam a coligação de governo terem perdido muitos lugares a favor da extrema-esquerda (esta versão não é bem como o BE português porque não é contra a UE e o Euro ; corresponde mais aos “verdes” de tipo francês ou alemão).

  10. Ainda a propósito das eleições na Holanda e noutros paises europeus, convém não perder de vista que não ser contra a UE e o Euro não significa necessáriamente que se defende uma economia com um mercado único e concorrencial.
    Muitos socialistas e (cada vez mais) uma parte da extrema-esquerda gostariam de utilizar o quadro da UE e do Euro para evoluir em direcção de uma grande economia muito dirigida e fortemente estatizada.
    Não é por acaso que a esquerda tende a defender uma maior e mais rápida uniformização das regras e das politicas que se aplicam nos diferentes paises (por exemplo, a fiscalidade, a legislação laboral, o salário minimo, a gestão centralizada das dividas públicas nacionais, os investimetos públicos, etc).
    Ou seja, tratar-se-ia de substituir cada vez mais os Estados nacionais por um super-Estado europeu que regulamentaria e interviria em tudo em todos os paises.
    Seria uma maior centralização administrativa para uma economia menos aberta e concorrencial.
    Neste sentido, uma parte da esquerda europeia, não sendo eurocética, tem um programa europeu que daria a prazo resultados piores do que de os de muitos eurocéticos de direita e de extrema-direita (que, de resto, se chegassem ao poder, até poderiam acabar por não sair da UE e do Euro).

  11. lucklucky

    Precisamente Fernando S, tal como os sistemas de controlo do Fisco e outros que o PSD e CDS construíram em Portugal vão servir muito bem a Extrema Esquerda

  12. Não concordo consigo Lucklucky.
    O paralelo que faz é abusivo.
    O PSD e o CDS fazem precisamente parte das forças que, tanto no plano nacional como no plano europeu, se demarcam e se opõem ao tipo de evolução iliberal a que me refiro em cima.
    Alguns, como o Luck (e até eu em certos aspectos), minoritários (até eu), até podem achar que não é suficiente.
    Mas não se pode meter tudo no mesmo saco e desvalorizar diferenças reais entre a direita e a esquerda.
    O que o PSD e o CDS fizeram em Portugal em termos do funcionamento da administração fiscal e do combate à evasão é positivo.
    Ao contrario do que uma campanha insidiosa e demagógica em torno da questão dos 10 mil milhões transferidos para offshores tem procurado fazer crêr.
    Mesmo numa sociedade liberal (eu diria, sobretudo numa sociedade liberal) o Estado é indispensável e deve ser financiado através dos impostos pelo que é importante que o sistema fiscal seja o mais eficiente e equitativo possivel.
    Outra coisa é saber qual deve ser o custo do Estado e a respectiva carga fiscal.
    A máquina fiscal é apenas um instrumento para a politica.
    O mais importante é o conteúdo da politica fiscal e esta, por sua vez, depende da orientação politica global.
    O que é preciso é que a acção dos governos vá no bom sentido para se poder conter e reduzir a dimensão e o custo do Estado de modo a estancar e inverter o aumento da carga fiscal.
    Neste plano, o PSD e o CDS têm projectos estratégicos e programas de governo que são muito diferentes dos da extrema-esquerda (e até dos da esquerda menos extrema … e da direita extrema !).

  13. Aladdin Sane

    O Groen Links é oficialmente um partido ambientalista, mas formado a partir de elementos da esquerda radical; nos PB já não existe um partido comunista, e o partido “histórico” mais à esquerda, será o SP (Socialista).

    Quando se falou em populismo na campanha, toda a gente pensou no Geert Wilders, mas o GroenLinks também apresentou um discurso populista (muito à BE). O PvdA desceu, e muito, mas é de centro-esquerda; em compensação, o D66 e o CDA subiram. Resta dizer que muitos destes partidos não têm grandes diferenças ideológicas (ex: entre o VVD, o CDA e o D66 a grande diferença é o liberalismo do primeiro).

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