Compreender Fátima

Rui Ramos. “Fátima é como um elefante na sala”

Há todas as questões de um regime que desde 1910 funciona como a ocupação de um estado pelo Partido Republicano Português. Um partido em guerra não apenas contra aqueles que não são republicanos, mas também em guerra contra muitos que são republicanos, mas que não se reconhecem nesse partido, dirigido por Afonso Costa. O Partido Republicano Português, conhecido também como Partido Democrático, ocupa o poder de uma maneira violenta e agressiva para com as oposições. E depois um conflito que é aberto também pelo Partido Republicano e que o partido se recusa nessa época a atenuar com a Igreja Católica.

1910 e 1911 são também o começo de uma guerra ideológica contra a Igreja Católica, que é o projecto que Afonso Costa assume: acabar com o catolicismo em Portugal em duas ou três gerações. Em 1911 temos a chamada “separação”, mas de facto é uma integração violenta da Igreja no Estado porque aquilo que visa é tornar o clero dependente do Estado e eliminar a influência da hierarquia e da relação com o Vaticano, destruir a Igreja e reduzi-la a um conjunto de padres, funcionários do Estado. Em 1917, quase todos os bispos estavam proibidos pelo governo de estarem em suas dioceses.

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12 thoughts on “Compreender Fátima

  1. Charlie

    Sobre o assunto propriamente dito, o que é verdadeiramente impressionante é como é que ao fim de 100 anos, ainda haja (e não são poucos) quem pareça ter medo em encarar o que aconteceu realmente.

    E espanta-me como é que a Igreja não destruiu o inquérito paroquial que registou o testemunho original da criança que teve o contacto.

  2. Charlie

    Está visto que o fanatismo religioso, a ignorância e a brutamontice mental voluntária andam aqui, nalguns casos tudo reunido na mesma mente.

    Aquelas pessoas que assistiram aos eventos à 100 atrás ainda tinham desculpa por viverem numa região remota, não terem cultura, não terem outra coisa a não ser a religião para se entreterem e viverem num mundozinho que se resumia aquele ambiente. Gente que no Séc. XXI faz o esforço mental de por a racionalidade (que nem é preciso muita) de lado para poder crer numa farsa com a consistência de um conto de crianças (em sentido literal e figurativo) construída pela Igreja, não tem mesmo desculpa nenhuma.

    100 anos depois, “entender Fátima” não é difícil. Tratou-se de uma tentativa de contacto que correu mal. A ignorância cúmplice, a corrupção mental e o aproveitamento da Igreja distorceram a realidade ao ponto de transformarem o ‘site’ num ícone do turismo religioso e palco se sessões de estupidez colectiva.

  3. Charlie

    Já agora alguns pormenores preciosos: :

    – Na realidade não foram apenas 3 crianças mas sim 4;

    – No inquérito paroquial após o primeiro contacto, as crianças descrevem a entidade de origem desconhecida como tendo à volta de 1 metro de altura, etc. etc. Se quiserem saber mais pormenores vão lá ver.

  4. Anti-esquerdalhada

    As criaturas maldizentes que pululam por aqui e também um pouco por todo o lado poderiam começar por ler esta entrevista a Rui Ramos.

    Depois poderiam tentar descobrir afinal o que é para a Igreja Católica um milagre, e em que consistiu concretamente, na óptica eclesiástica, o milagre de Fátima.

    Eu ajudo: não, não são as aparições de Nossa Senhora aos pastorinhos; afinal de contas eles podiam estar a mentir, não é? (Recordo que foi essa a suspeita inicial das autoridades da Igreja.) Também não, não é a ocorrência em si mesma do fenómeno atmosférico/meteorológico testemunhado por milhares de pessoas, com jornalistas anticlericais e cientistas à mistura; uma vez que poderia existir uma explicação natural para o mesmo, não é verdade? Aliás, várias hipóteses têm sido mesmo levantadas e discutidas, algumas até por padres com formação académica nas ciências.

    (Abrindo aqui um parêntesis, note-se, de resto, como a Igreja Católica não possui qualquer problema com o conhecimento científico, pese embora o que a consciência popular e alguns pseudo-intelectuais não se cansam de insinuar. A história da ciência aliás o demonstra claramente; se duvidam, verifiquem por vós mesmos junto de qualquer historiador da ciência; sim, qualquer um. Aliás, não é à toa que esses mesmos historiadores da ciência atribuem o surgimento do pensamento científico moderno no Ocidente à prevalência da filosofia cristã que declara o cosmos inteligível à razão humana.)

    Pois bem, aquilo que convenceu a hierarquia da Igreja (e tantos milhões de fiéis) foi a *predição* do “milagre do sol”. Isto é: um grupo de crianças analfabetas juram a pés juntos que uma aparição lhes transmitiu que no dia tal, à hora tal e no sítio tal ocorrerá alguma coisa de estranho (nem sequer é uma trivial chuva ou assim); isto enquanto os meteorologistas da época não prevêem nada de especial; ora chega o momento da verdade e, surpresa das surpresas, um fenómeno raríssimo e desconhecido é presenciado por milhares de pessoas.

    Conclusão que daqui se tira à luz da doutrina católica: é, pois, razoável acreditar que os pastorinhos diziam a verdade.

    Mas significará isto, então, que é totalmente impensável continuar a não acreditar no milagre? Bem, claro que não. Afinal de contas o mesmo não é um Dogma da Fé; por outras palavras, nem os católicos devotos estão obrigados a acreditar nele. Agora, se não acreditam, então por amor da vossa honestidade intelectual não venham dizer que isto são só crendices de gente idiota ou que não passou tudo uma cabala. É que isso choca de frente com os factos como eles são, factos esses bem conhecidos, escrutinados e testemunhados em primeira mão inclusivé por indivíduos sem a menor simpatia pela Igreja Católica e pelas religiões em geral.

    Deixem lá o racionalismo (esse inimigo da racionalidade que despreza a razão empírica) para a extrema-esquerda raivosa. Já sabemos que a direita libertária e pagã é filha da esquerda original mas, se a vossa ideia primacial é combater a irracionalidade da mundividência esquerdista, ao menos podem disfarçar. 😉

  5. Euro2cent

    Subscrevo, aplaudo, e acrescento que também eu estou um bocado farto de gente semi-letrada e não particularmente inteligente a tentar superiorizar-se ao “povo ignorante” ao qual é inferior em sensatez e hombridade.

  6. Anti-esquerdalhada

    Acho piada aos atrasados mentais que colocam um “não gosto”. Não gostam dos factos, não é? Ahahah!

  7. Anti-esquerdalhada

    Em boa verdade, qualquer pessoa que siga este blog sabe que esta personagem “guna” faz jus ao nome.

    Então não é que o tipo primeiro goza com o pretenso “facto” de o surgimento das câmaras fotográficas ter eliminado as alegações de milagres, e em seguida vai logo apontar um exemplo de uma história no qual são registados em fotografia acontecimentos supostamente idênticos aos de Fátima? Enfim.

    E bem, “supostamente idênticos” mas que na realidade não o são, claro. A 13 de Outubro de 1917, na Cova da Iria, não só os presentes nem sequer esperavam um “milagre do sol” (pelo que não tinham passado horas a olhar para ele) como estava mesmo a chover a cântaros. Os relatos contemporâneos indicam que, na altura em que se deu a ocorrência, a chuva parou de repente, isto apesar de o Sol permanecer coberto pelas nuvens (de tal forma que não queimava a vista dos curiosos); além de que várias pessoas não chegaram a olhar para o céu e, ainda assim, observaram alterações na luminosidade natural). Já para não mencionar que o fenómeno foi também avistado a quilómetros do local.

    Milagre ou coincidência do século? Isso fica ao critério de cada um. Agora, afirmar que não aconteceu nada e que tudo não passou de uma fraude, apesar de todas as evidências em sentido contrário, não tem outra designação possível que não irracionalidade pura e dura.

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