As mulheres e as quotas

Ainda que com dois dias de atraso, não quero deixar de recomendar este artigo da minha colega da Universidade Católica Portuguesa, Catarina Santos Botelho: Dia internacional da mulher: tributo ou condescendência?

Precisarão as mulheres, nos Estados de Direito contemporâneos, de medidas de discriminação positiva, tais como “quotas”? Contribuirão essas medidas construtivamente para a perspetivação das mulheres como seres dotados de igual dignidade e de idênticas capacidades físicas, intelectuais, e psicológicas? Será que manifestações coletivas de empoderamento feminino (vulgo, “girl power”) não irão precisamente surtir um efeito contrário ao pretendido, destacando as mulheres pela negativa, perpetuando estereótipos de uma visão sobrecarregada de sexualidade, da mulher-objeto, de instrumentalização de uma suposta fragilidade e inferioridade femininas, numa lógica de vitimização ou num discurso de “coitadinhas”?

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11 thoughts on “As mulheres e as quotas

  1. Sou completamente qualquer tipo de discriminação positiva/quotas, pois não são baseadas em meritocracia.
    Eu nunca quereria ser operada por um médico mulher ou minoria que foi contratado porque determinado hospital precisava de atingir uma certa quota de médicos mulher ou minoria. Tb não quero voar num avião cujo piloto foi contratado porque determinada companhia aérea precisava de atingir uma certa quota de médicos mulher ou minoria. Etc., etc., etc…

  2. lucklucky

    Mais um texto da “direita” que não fala de Liberdade sito quando é o principal motivo…

    Medidas de discriminação positiva tal como a negativa são contra a Liberdade.
    A Liberdade de Associação e Reunião é um dos esteios da Liberdade coisa que as quotas destroem.

    Quotas legais têm origem moderna no Marxismo e no Corporativismo Fascista.

  3. mariofig

    O que é a chamada “descriminação positiva” se não o estender da luta contra a descriminação para lá da sua real necessidade? O combate à igualdade de género (e tudo o que digo aqui se pode aplicar também à raça) é uma luta que já foi ganha há muito tempo. Vivemos em sociedades ocidentais onde qualquer descriminação de género é intolerada, criticada e penalizada. Se ainda existem focos dessa descriminação (pela mesma razão que sempre teremos ladrões apesar de ser um acto socialmente inaceitável) ele são devidamente expostos e sujeitos à condenação social e, por vezes mesmo judicial. Esta vaga de feminismo, que em outras condições poderia ser aceitável, expressa-se no entanto num tom demasiado elevado e não adequado às conquistas obtidas pelas mulheres no passado. Este 3ª vaga de feminismo existe para além do combate à igualdade de género e é antes um movimento ideológico onde o género masculino é tido como um inimigo e não um igual.

  4. Na Malásia, durante uma celebração, centenas de mulheres foram violadas. A Associação das mulheres lá do sítio veio a público admitir que a culpa era delas, porque tinham usado roupas que despertaram a lascívia em homens inocentes.
    No Irão, no mesmo dia, a Polícia Religiosa açoitou umas quantas teenagers porque usavam jeans rasgadas, o que despertava a lascívia dos homens inocentes.
    Quem conseguir que comente isto. Eu só consigo concluír que a lascívia dos homens nos países islâmicos é caso patológico. Porquê?

  5. mariofig

    “Quem conseguir que comente isto. Eu só consigo concluír que a lascívia dos homens nos países islâmicos é caso patológico. Porquê?”
    Porque políticas que condenam mulheres por serem sexualmente atraentes, são as mesmas políticas que desculpabilizam os homens por qualquer ataque sexual. Por outras palavras, se obrigas mulheres a taparem o corpo, criminalizas elas se não o fizerem e culpas elas se foram violadas, os homens são livres para abusar das mulheres impunemente. E o comportamento masculino nestes países reflete essa impunidade.

  6. mariofig

    Quem votou negativamente na pergunta do ABC e na resposta que dei deve ser um desses palhaços guerreiros sociais que quer ver mais muçulmanos em Portugal e a trazerem a Sharia com eles. Porque… refugiados, coitadinhos. Olha para mim a chorar de pena!

  7. se a meritocracia existisse , talvez não fosse necessário impôr quotas. E isto é válido para ambos os géneros, mas afecta mais as mulheres.

    Na nossa sociedade a meritocracia cada vez existe menos.

  8. IS

    Atendendo a que a discriminação feminina é uma realidade a nível profissional e político é importante olhar para a Lei da Paridade e avaliar a sua contribuição, admitir o problema, analisá-lo, reavaliar e efectuar a necessária mudança conducente a um equilíbrio razoável.

    Nota ao MARIOFIG : Discriminar significa separar, diferenciar ≠ Descriminar significa absolver.

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