No meio desta harmonia universal…

Tudo há-de correr bem, até acabar mal. Por Rui Ramos.

No meio desta harmonia universal, é preciso má vontade para lembrar que o défice foi obtido com medidas extraordinárias e temporárias, e com base na maior despesa pública e na maior carga fiscal de todos os tempos. Que a economia cresceu menos do que em 2015, e cerca de metade da economia de Espanha, aqui ao lado. Que a dívida continua a aumentar e que sem o BCE ninguém a compraria, a não ser a juros impossíveis.

Como diria Pirro, mais um brilharete orçamental destes, e estamos perdidos. Mas num país envelhecido, em que todas as mudanças suscitam desconfiança e medo, que fazer? Caímos num impasse duplo: num impasse político, porque os partidos europeístas estão divididos, e o governo assenta numa maioria que recusa reformas; e num impasse económico, porque a carga fiscal não pode diminuir, pelo risco de perder o financiamento do BCE, e a alocação de recursos também não, pelo perigo de descontentar as clientelas com que se tem boa opinião e ganham eleições.

O país está assim completamente dependente das políticas monetárias europeias. Acontece que essas políticas estão a ser contestadas em toda a Europa do norte. O que nos resta? Talvez acreditar que Angel Merkel sobrevive e vai continuar a aceitar-nos os défices. E no fim? No fim, vamos provavelmente dizer que os malandros da “direita radical” arranjaram uma crise para deitar abaixo António Costa. Porque, claro, tudo estava a correr muito bem.

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5 thoughts on “No meio desta harmonia universal…

  1. mariofig

    O problema é como se sai deste ciclo. Ver a direita portuguesa ganhar eleições como resposta à má gestão anterior, para depois as perder e ver o seu esforço apropriado pela esquerda que depois nos conduz a nova crise, é o circulo que tem de ser quebrado. É aqui que o PSD tem muitas responsabilidades pela inabilidade que tem demonstrado em manter o poder para lá do seu trabalho de faxineira a prazo. Mas isto surge precisamente porque o PSD em pouco se distingue do PS, o que lhe limita a capacidade de intervir no país com o tipo de reformas necessárias a uma mudança de regime sobre o sistema que nos carrega de crise em crise. Ou o PSD se reforma internamente, ou uma nova direita democrática tem de surgir neste país, que renuncie em pleno a via socialista e que a combata em toda a linha. Um partido sem S no nome e na alma.

  2. mariofig

    Em retrospectiva, e antes que alguém me pergunte, a verdade é que não sei bem responder porque é que não menciono o CDS e a necessidade de este partido se reformar também. Seria um candidato mais óbvio, porque na cabeça de alguns, se encontra mais à direita do PSD. Mas a verdade é que não consigo entender este partido, mesmo tendo feito parte dos seus órgãos nos anos 90 e ter sido presidente da então JC (agora Juventude Popular) numa concelhia nesse período, não lhe consigo vislumbrar qualquer tipo de definição ideológica. Razão aliás porque entreguei o meu cartão. Parece existir como uma amálgama de ideias, com pouca e envergonhada direcção ideológica e com óbvia participação e conluio no socialismo centrista do PSD. Tendo em conta que em cima disto também tem uma fraca representação nas urnas, considero portanto o CDS irrelevante e quase certamente extinto se uma verdadeira direita democrática (conservadora ou liberal) surgisse no país.

  3. André Miguel

    O BCE que deixe de brincar o fogo e deixe a tugalandia arder de vez. Sem dor não há cura.

  4. c3lia

    O segredo é não ter governo, como os espanhóis não tiveram e cresceram o dobro de Portugal. Nos ultimos meses, já com governo, continuam a crescer + do q nós, mas menos do q qd estavam supostamente “desgovernados”

  5. André Miguel

    C3LIA,

    Pode existir governo, mas por amor de Deus estejam sossegados, calados, não inventem, não façam, não criem…

    As sociedades desenvolvidas estão condenadas ao socialismo, pois a única forma dos seus políticos justificarem a sua própria existência é inventarem coisas, legislação, obras, etc.

    Mas para que que é isso serve e para que servem os políticos quando temos betão a rodos, educação e saúde acessíveis a todos, comida barata e assistencialismo social para quem não quer fazer nenhum???

    Esta é a reflexão que todos nós, a maioria silenciosa que é expoliada e enrabada todos os dias, deve obrigatoriamente fazer…

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