Inaceitável: Direcção da FCSH cancela conferência de Jaime Nogueira Pinto (3)

Cancelamento de conferência é “acto de censura grave” e “abjecto”

“Isto é um acto de censura. Acho gravíssimo, não apenas a posição da associação de estudantes – mas, enfim, aí ainda poderemos ter em conta a sua juventude – mas que a direcção da faculdade tome uma posição desta natureza”, começa por criticar Francisco Assis. “Realmente, é um acto de censura e é ainda mais grave porque se passa no interior de uma universidade”, sublinha, considerando “absolutamente inadmissível” e “não enquadrável num Estado de Direito democrático, como é o caso de Portugal”.

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23 thoughts on “Inaceitável: Direcção da FCSH cancela conferência de Jaime Nogueira Pinto (3)

  1. Luís Lavoura

    AAA:

    a sua Universidade (a UC) tem agora uma oportunidade de ouro de fazer concorrência à Universidade Nova, convidando JNP para proferir nas instalações da UC a palestra que trinha planeada para a UNL. Aproveite! Convide-o já!

  2. mariofig

    Obrigado c3lia, pelo link. Absolutamente assustador aquela acta, e não apenas no tema aqui em debate. Mas em relação a esse, é de destacar a forma como sem quaisquer argumentos devidamente fundamentados e assente num vazio de evidência, se passa para a aprovação de uma acção contra os princípios mais básicos da liberdade de expressão, violando gravemente a Constituição Portuguesa e que os proponentes dizem hipocritamente estar a defender.

  3. mariofig

    O estilo de democracidade(?) evidenciado por esta associação de estudantes de uma anteriormente prestigiada universidade, não é apenas condenável pelo seu assalto aos valores de um estado democrático, mas também pelo amadorismo infantil e irresponsável como tratam assuntos merecedores do maior cuidado e atenção. Ainda mais revelador quando nos lembramos que não estamos numa faculdade de engenharia, mas precisamente numa faculdade que lecciona na área de ciências sociais e humanas. Estariam a meu ver reunidas as condições para, de acordo com os estatutos que julgo existirem, se proceder de imediato a uma moção de censura a todo o corpo eleito.

  4. mariofig

    E, já agora, pela conteúdo daquela acta, vai o meu maior sinal de repúdio para a directoria daquela faculdade, pela forma como se vergou à vontade de uma associação de estudantes incapaz de oferecer qualquer prova ou evidência e como, sob o manto de uma hipotética acção violenta, tenha permitido que a FCSH fizesse noticia nos meios de comunicação social pela pior das razões. Hipotética acção violenta que, aliás, deveria abrir de imediato um inquérito interno para apurar se realmente estudantes da faculdade estão engajados em mensagens de ódio e violência, punindo-os em caso afirmativo. Porque é a única coisa decente que a direcção da FCSH poderia fazer após ela própria ter argumentado a violência como razão para cancelar o evento. Deplorável a todos os níveis esta direcção e esta faculdade. Para lá é que as minhas filhas nunca iriam.

  5. Luís Lavoura

    uma acção contra os princípios mais básicos da liberdade de expressão

    Costumava-se defender neste blogue que a liberdade de expressão só assiste a uma pessoa no espaço público. No espaço privado, o proprietário desse espaço tem o direito de interditar a expressão de seja quem fôr.
    No caso em apreço. Nogueira Pinto não tem qualquer direito a falar na FCSH, a não ser que a direção dessa instituição o tolere ou deseje. Não há violação da liberdade de expressão de Nogueira Pinto quando a direção da FCSH o proíbe de falar nas suas instalações.

  6. “Costumava-se defender neste blogue que a liberdade de expressão só assiste a uma pessoa no espaço público. No espaço privado, o proprietário desse espaço tem o direito de interditar a expressão de seja quem fôr.”

    E a faculdade é pública ou privada?

  7. mariofig

    Luis Lavoura, a defesa pela liberdade de expressão apenas tem FUNDAMENTO LEGAL quando opõe o cidadão ao estado, razão pela qual não houve aqui ninguém a questionar a legalidade da acção da Associação de Estudantes. Esse assunto nem se coloca em cima da mesa. Mas a liberdade de expressão existe em muitos outros contextos onde o FUNDAMENTO MORAL OU ÉTICO se pode e deve questionar. Muito em particular quando opõe cidadãos a associações apolíticas, tais como associações de estudantes. Muito em especial quando esse ataque à liberdade de expressão é acompanhado pela hipócrita (e inteiramente falsa) alusão à nossa Constituição.

  8. Holonist

    O nivel de filha da putice do Lavoura nunca para de me surpreender. Mariofig e o fdp do Lavoura estao ambos errados, a faculdade e publica e responde a um orgao que reporta ao governo, logo a liberdade de expressao esta protegida pela constituicao. Tanto para mais que segundo regras da mesma faculdade, qualquer membro discente ou docente pode requisitar um auditorio para algo “que nao ofenda a lei”, nao falem do que nao sabem.

  9. mariofig

    Peço as minhas desculpas, mas pensei sinceramente que a Universidade Nova era privada. A minha única desculpa é que não vivo em Portugal há muitos, muitos anos, mas também é verdade que já existia há muito tempo antes de eu ter saído. Portanto esta desculpa vale o que vale.

  10. c3lia

    Mariofig: são miudos que não sabem nada de nada… Algum deles há ter ter um irmão mais velho bloquista, e como é o unico que ouve algo sobre política, os outros (na sua COMPLETA ignorância) deixam-se levar pela retórica falsa… Uma reunião só com 35 alunos (sem quorum), das quais somente 24 (deve ser o grupo bloquista da universidade) votou a favor e caiu o direito à liberdade de expressão.
    Tenho lido notícias sobre casos semelhantes (e bastante mais graves, com violência) nos EUA. Temo que esteja a começar (claro… com uns 3 ou 4 anos de atraso) aqui também.
    E claro, no início da acta, há que distinguir que estavam lá “alunos” e “alunas” logo no título!!
    Enfim… é aterrador!

  11. lucklucky

    Não são nada miúdos. Quem está na Universidade não é um miúdo.

    São adultos.

    Têm direito a votar.

    Como já foi escrito a Faculdade é Publica. A conferência foi organizada por um grupo de estudantes da Faculdade.
    A Associação de Estudantes não tem direito a impedir quem não seja do seu agrado de aparecer numa conferência.

    Mesmo que não fosse Publica tudo dependeria das regras internas.

  12. Holonist

    Mariofig, podemos discordar de muitas coisas mas neste caso desculpas mais que aceites, a agressividade partia para o outro mencionado, que ate so por acaso conhece o mundo academico em causa muito bem, no seu caso nao tem que o conhecer, as minhas desculpas se o juntei na matilha, nao era intencao.

  13. Luís Lavoura

    As universidades públicas não são instituições do poder político, ao contrário daquilo que alguns comentadores parecem julgar. São instituições dotadas de autonomia científica e pedagógica. O governo não pode dar ordens às universidades nesses aspetos. Uma universidade pública tem exatamente tanto direito como uma privada de decidir que certa pessoa é ou não é adequada par debater certo assunto nas suas instalações, e o poder político não tem autoridade para se imiscuir em tais decisões.

  14. “…e o poder político não tem autoridade para se imiscuir em tais decisões.”
    Bom, vamo-nos rir devagarinho sem dizer nada porque teoricamente deveria ser exatamente assim embora na prática seja como se vê e sabe.
    Sucede que o assunto do seu primeiro comentário não era o que as universidades podem ou não podem fazer mas uma putativa incoerência de principios de quem faz este blog.

  15. Luís Lavoura

    o assunto do seu primeiro comentário era uma putativa incoerência de principios de quem faz este blog

    Exatamente.

    Neste blogue sempre se defendeu que o princípio da propriedade está acima da liberdade de expressão. Ou seja: eu sou livre de me exprimir, mas somente num espaço que seja meu, ou então no espaço público (a rua). Não sou livre de requisitar a propriedade de outrém para nela me exprimir.

    Neste sentido, não houve violação da liberdade de expressão, na medida em que a faculdade não é um espaço público (não é a rua), ela tem dono, e esse dono tem todo o direito de proibir que nela falem determinadas pessoas.

    Se, por exemplo, um mendigo fosse para dentro da faculdade carpir as suas desgraças e pedir uma esmolinha, a direção da faculdade poderia mandá-lo embora e isso não constituiria uma violação da liberdade de expressão.

  16. mariofig

    Luis Lavoura, o espaço em causa pertence ao conjunto de estudantes que nela se inscreveram. Isto inclui o grupo de estudantes que convidou Jaime Nogueira Pinto. Em circunstância alguma você conseguirá defender o argumento que esse grupo de estudantes estava a apropriar-se de um espaço que não era o seu. Reveja a sua argumentação.

  17. “Neste blogue sempre se defendeu que o princípio da propriedade está acima da liberdade de expressão. Ou seja: eu sou livre de me exprimir, mas somente num espaço que seja meu, ou então no espaço público (a rua). Não sou livre de requisitar a propriedade de outrém para nela me exprimir.”

    Suponho que seja precisamente assim (não tenho nada a ver com este blog). Mas, já agora: qual é a sua objecção a este princípio – se tem alguma?

    (quanto ao resto, já lhe responderam acima. A faculdade tem dono, sim. Somos nós todos. E as duas dúzias de imbecis nacionais-socialistas / socialistas-nacionais [eles baralham-se…] que, invocando a constituição da R.P. se apropriaram do direito de dizer o que nela pode acontecer ou deixar de acontecer, não são mais donos que os outros cerca de 5000 alunos. Mas, mais uma vez: qual é a sua objecção a este princípio – se tem alguma?)

  18. “Neste blogue sempre se defendeu que o princípio da propriedade está acima da liberdade de expressão.”

    Dei por bom – presumo que seja frequentador assíduo… – um juízo que será só seu. Eu pelo menos não creio que o valor da propriedade esteja “acima” da liberdade de expressão. Em nenhuma circunstância eu gostaria de ser confrontado com a a necessidade de preterir um deles. É por isso que – ao contrário do que aparentemente suced consigo – eu entendo que estes cabrões destes piralhos analfabetos assim como o caramelo que os teme deveriam ter umas lições de democracia antes de poderem beneficiar de direitos de cidadania.

  19. mariofig

    A propriedade privada realmente não está acima da liberdade de expressão. Não certamente na forma como o Luís Lavoura pretende insinuar. E tenho quase certo que em momento algum foi posição generalizada neste blog que assim seria. Em primeiro lugar, a dita Constituição que tanto a esquerda gosta de chamar a si é clara em todo o artigo 37º que a liberdade de expressão é um direito pessoal. Está inscrita no Capitulo I – Direitos, Liberdades e Garantias Pessoais e não é um exclusivo da relação entre cidadãos e o Estado, mas comporta toda a cidadania. É só ler. Por outro lado não se pode argumentar que os estudantes que viram o seu direito violado, estavam a tentar exercê-lo num espaço privado alheio e onde os seus direitos estariam naturalmente limitados. Mas também importante é o facto que a violação da liberdade de expressão pode também ser alvo de critica social, independentemente de quaisquer considerações legais.

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