Uma #merdia, é o que é

transf-p-offshores

Entre 2010 e 2015 foram transferidos quase 29 mil milhões de euros para os chamados off shores a partir de Portugal. Desses, quase 23 mil milhões por entidades não residentes (estrangeiros, portanto).
Dos 23 mil milhões transferidos por entidades estrangeiras, 99% foram-no por empresas, 93% do que transferiram foram para contas de terceiros (provavelmente importações*) e apenas 7% para contas próprias (provavelmente lucros já tributados).
Dos restantes 6 mil milhões das transferências de residentes, 5,3 mil milhões, ou 87%, foram transferidos por empresas sendo que 89% disto foram para contas de terceiros (mais importações) e este valor é distorcido pelos anos de 2012 e 2015 onde houve um volume maior de transferências para contas próprias por parte destas empresas, se não o valor seria inferior. Em 2012 e 2015 deverá ter ocorrido algo diferente – investimento no estrangeiro?
Não fosse o analfabetismo e a má fé nos #merdia, a geringonça não teria assunto. Assim, fazem-se grandes títulos, lança-se a desconfiança e enganam, mentem e aldrabam as pessoas, sabe-se lá em nome de quê. Vamos pagar tudo isto bem caro.
Fonte: Autoridade Tributária e Aduaneira
Nota: NIF 45 e 71 são de entidades não residentes

Adenda 1: corrigido, a coluna dos montantes transferidos por residentes não somava o ano de 2010

Adenda 2: O Luiz Rocha explica a que respeitam as transferências dos NIFs 45 e 71 aqui

 

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9 thoughts on “Uma #merdia, é o que é

  1. jo

    Nunca vi tirar tanta certeza de tantos provavelmente.
    Provavelmente importações – provavelmente lucros já tributados.
    é pena que tenham escondido as estatísticas e não dê para tirar os provavelmente. Ou se calhar há alguns certamente escondidos que não deviam ver a luz do dia.

    A pergunta para um milhão de euros (em offshore) é:
    Porque é que as estatísticas não foram apresentadas, uma vez que se sabia que tinham de ser apresentadas e já existiam dados para isso?

    Ora o nosso ex-Secretário de Estado diz que as estatísticas não são importantes, o que não é a resposta à pergunta. Estou em crer que alguém já ganhou uns milhões de euros e não quer que se saiba.

  2. JoaoMiranda

    De 2012 a 2015 aumentaram os pagamentos de dividendos de accionistas chineses e do médio oriente. Houve também reestruturação das carteiras de investimento de algumas empresas ligadas a estes accionistas.

  3. JO : “Estou em crer que alguém já ganhou uns milhões de euros e não quer que se saiba.”

    Mas agora vai ser tudo descoberto e divulgado, não é verdade ?!…
    “Estou em crer” que a montanha (milhares de milhões acertados) vai parir um ratinho (eventualmente uns milhões) !!

    Mas entretanto não se vai falando do buraco de milhares de milhões e do crédito duvidoso do banco publico nem dos milhares de milhões que a politica económica do governo actual já está e virá a custar ao pais !

  4. jo

    Fernando S
    Nunca nada disto é descoberto e divulgado. Mesmo quando não é possível esconder há sempre uns “mas” e uns “ses” que deixam tudo em águas de bacalhau.

    Diga-me lá: desde o caso BPN, já lá vão mais de sete anos, quanto dinheiro os contribuintes tiveram de pagar para cobrir negociatas mal explicadas, e quantas pessoas tiveram mais do que uns incómodos.

    Quanto à política económica do governo atual, metade das vezes queixam-se que é igual à do governo anterior, e a outra metade dizem que é diabólica. Esquecem-se da análise à política do governo anterior, o tal que ia pôr o défice a 2,5% em 2014 e o país a crescer 4% ao ano em 2015.

  5. JO, não há qualquer relação entre a publicação das estatísticas e o “esconder” seja do que for de quem interessa: a Autoridade Tributária. Quem preenche o Modelo 38 não esconde nada do valor que lá declara (se o declara esconde o quê?) e se Portugal importa mais de 50 mil milhões é absolutamente natural que dos 87% transferidos por empresas dos 6 mil milhões sejam para pagamento de importações. Por exemplo tipicamente o milho e trigo importados dos EUA são pagos no Panamá. O problema não está no que é declarado no Modelo 38, está noutros sítios.

  6. JO,

    Então não era apenas o governo anterior que andava deliberadamente a esconder os milhares de milhões que teriam fugido para offshores ?!…

    Quanto ao BPN, não quero acertar as contas e atribuir responsabilidades politicas aqui num único parágrafo mas quero lembrar-lhe que as “negociatas” aconteceram também durante governos socialistas e que foi um deles que nacionalizou o banco que “os contribuintes tiveram de pagar”.

    Quanto à politica económica do governo actual, eu nunca disse que era “igual” à do governo anterior.
    O que digo é que o governo actual afinal não fez a maior parte do que anunciara que iria fazer diferente do governo anterior, antes pelo contrário : não acabou com a austeridade, aumentou-a ; não aumentou o investimento publico, cortou-o ; não aumentou a despesa com serviços públicos essenciais, cativou-a ; não diminuiu a divida, aumentou-a ; não tirou o pais do “lixo”, enterrou-o nele ; não obteve mais crescimento, antes menos, etc, etc.
    Não é “igual” porque é pior a fazer o mesmo (austeridade) e ainda pior quando faz diferente (devoluções e reversões) !
    Os resultados, embora maus, só não foram ainda piores porque o governo actual deu o dito por não dito e não mudou muito em tudo o que tinha dito que iria mudar. O exemplo mais flagrante é o do desemprego que continuou a baixar, embora a um ritmo inferior, graças sobretudo às reformas laborais feitas pelo governo anterior.
    A redução do déficit em algumas décimas é outro exemplo de um resultado contabilistico que foi alcançado apenas porque o governo actual fez o contrario do que sempre disse que faria.
    Antes assim !
    Mas, mesmo assim, não há infelizmente razões para deitar foguetes.
    O governo anterior, sem “devoluções” e com uma economia a crescer mais, teria certamente feito melhor.
    E a redução do déficit não esconde os erros e a fragilidade da politica económica actual.
    O governo actual gere uma austeridade mais injusta e menos eficiente e não faz, antes reverte, as reformas estruturais de que o pais precisa para ter mais crescimento e finanças públicas mais sustentáveis.

  7. jo

    Fernado S

    “Quanto ao BPN, não quero acertar as contas e atribuir responsabilidades politicas aqui num único parágrafo mas quero lembrar-lhe que as “negociatas” aconteceram também durante governos socialistas e que foi um deles que nacionalizou o banco que “os contribuintes tiveram de pagar”.”

    Se é assim, tudo bem. Como este tipo de negociatas envolve sempre o “arco da governação” todo, o melhor é deixar andar. Penso que foi o facto do “arco da governação” passar a ter outros atores que fez tanta gente ficar furiosa. Pensaram, talvez erradamente, que teriam de mudar de padrinhos.

    A política do atual governo é pior que a do anterior, a diferença, talvez fortuita, é que este à custa de muitos malabarismos conseguiu cumprir os principais indicadores, e o governo anterior, à custa de cortes e aumentos de impostos, conseguiu falhar sempre, mesmo refazendo o orçamento anual todos os meses.

  8. JO,

    Que existam pessoas próximas do “arco da governação” que, através de tráficos de influência e outros procedimentos mais ou menos lizos, fizeram e fazem “negociatas” é um facto indiscutivel (isto sem estar agora a discutir em concreto em que casos isso aconteceu e como aconteceu aqui em Portugal : uns fundados, outros não e outros ainda escondidos).
    Mas não é um exclusivo português nem dos nossos tempos e do actual regime politico.
    São coisas da vida e da politica e, obviamente, importa combatê-las e preveni-las.
    Esta é de resto uma das muitas razões pelas quais eu sou liberal, isto é, defendo um Estado que não seja tentacular e omnipresente e que, por este simples facto, tende a favorecer todo o tipo de tráfico de influências, de corrupção, de abusos e desperdicios.
    Não creio que o facto do actual “arco da governação” ter passado a ter outros actores, o PCP e o BE, vá diminuir estas taras.
    Quando muito, mudarão alguns dos protagonistas e algumas das modalidades.
    Para todos os efeitos, o governo é do PS, que não é própriamente o campeão da moralidade e da honestidade na relacção entre a politica e os interêsses privados e corporativos.
    Podemos mesmo dizer que as maiores “negociatas” resultantes da promiscuidade entre a politica e a economia aconteceram com governos socialistas.
    Até penso que, a manter-se e a reforçar-se a “geringonça”, tenderá com o tempo a piorar na medida em que o peso e o intervencionismo do Estado tenda a aumentar por influência dos tais “outros actores”, partidos da extrema-esquerda que defendem modelos de sociedade de tipo totalitário.
    Sabemos todos perfeitamente que é nestas sociedades que o nivel de corrupção e de confusão entre o aparelho do Estado e os interêsses privados foi e é mais elevado.

  9. JO,

    Nenhum governo consegue normalmente cumprir exactamente todas as promessas que faz e todos os objectivos que se fixa.
    O que, independentemente das melhores ou piores intenções dos governantes, não é de estranhar porque a realidade nem sempre corresponde às expectativas e evolui com o tempo e com ela também mudam muitas das variáveis da governação.
    Os orçamentos rectificativos são precisamente um dos diferentes instrumentos que os governos dispõem para ajustarem as politicas e as medidas em função da realidade. Não são nenhuma anomalia, antes pelo contrario, são mesmo uma forma transparente de corrigir e ajustar o que convém. E recordo que os orçamentos rectificativos, tal como os iniciais, também têm de ser apreciados e aprovados pelos parlamentos.
    Dito isto, não é verdade o que diz sobre as performances relativas dos governos anterior e actual relativamente a promessas e previsões.
    O governo anterior, de Passos Coelho, propôs-se aplicar o programa da Troika e tirar o pais da emergência financeira e da recessão económica.
    E fê-lo, no essencial.
    Claro que, pelas razões que referi acima, tanto mais que se tratava de um pais em colapso e com um contexto externo instável, nem todas as previsões quantificadas iniciais e intermediárias foram confirmadas e tiveram de ir sendo ajustadas ao longo do tempo.
    E importa não esquecer que as medidas do programa da Troika e as previsões iniciais (que eram também objectivos, naturalmente ambiciosos) que ele incluia tinham sido concertadas e acordades pelo governo socialista de José Sócratas, anterior ao de Passos Coelho, e que todas as revisões subsequentes foram sendo acertadas e acordadas com a própria Troika.
    Já no que se refere ao governo actual, de António Costa, anunciou que iria acabar com a austeridade, conseguir mais crescimento do Pib e reduzir a divida pública (lembram-se do famoso programa macro-económico elaborado pelo actual Ministro das Finanças ?…).
    A verdade é que não fez nem conseguiu nada disto, antes pelo contrário.
    E os únicos resultados menos maus (desemprego, turismo, etc) foram conseguidos porque o governo actual não fez o que tinha dito que faria (por exemplo, alterar a legislação laboral) e porque as condições externas são hoje bastante favoráveis (BCE, preço do petróleo, crescimento na UE, turismo a fugir do terrorismo, etc)
    “Menos maus” porque se o governo anterior se tivesse mantido e a politica económica anterior tivesse continuado os resultados teriam sido ainda melhores.
    Mesmo a redução do déficit orçamental só é possivel porque o governo fez o contrário do que disse (investimento público, despesa pública, impostos, receitas extraordinárias, despesas extraordinárias adiadas, etc).
    E mesmo o déficit orçamental poderia ser hoje menor se o pais não tivesse desperdiçado 2 anos de maior crescimento e de juros da divida muito inferiores, tudo por causa da “geringonça”.
    Como era previsivel, o governo actual falhou a suposta alternativa com mais crescimento e menos endividamento.
    Os mercados, os investidores, as agências, já o perceberam há muito.
    Por este andar o colapso é apenas uma questão de tempo !

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