A subserviência às “razões de Estado”

O Rui Ramos e a Graça, no Observador e no i, aqui e aqui, ambos publicam colunas de opinião onde, de uma forma que parece quase combinada, articulam as inconsistências inerentes ao suposto escândalo das offhores, ao silêncio da CGD, à incongruência do regime fiscal para residentes não habituais, e à resiliência da Zona Franca da Madeira. A Graça toca num ponto que, para mim, é particularmente caro, o da moralidade subjacente às narrativas dos aduladores do Regime. É chocante pensar quantas pessoas estão disponíveis para não verem as contradições que existem nas posições acima avaliadas, rasgando as vestes em defesa das “razões do Estado”, em vez de se colocarem ao lado da defesa intransigente do interesse de cada um dos cidadãos. País estranho este, em que o Bem-Comum já não é o que resulta da soma dos interesses individuais de cada um dos cidadãos, esgotando-se apenas no interesse do Estado e das suas soluções corporativas, em dissonância completa com valores básicos de uma sociedade saudável.

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2 thoughts on “A subserviência às “razões de Estado”

  1. mariofig

    Nem a propósito. Acabo de me ver obrigado a ter que defender a minha posição de não publicação de lista alguma de devedores da CGD exactamente porque isso configura uma contradição à minha defesa de anos da privatização da mesma. A histeria das offshores parece ter agarrado também um certo sector da direita portuguesa que parece se esquecer que está a negar o interesse individual dos cidadãos (e a fazê-los perder direitos e privilégios como consequência) em favor do interesse do estado. Interesse esse aliás que não se explica de outra forma do que o desviar das responsabilidades da má gestão da CGD para um punhado de devedores a quem lhes foi permitido manterem-se numa situação prolongada de incumprimento. Muitas vezes por razões de clientelismo. Porque nenhuma lista de devedores explicará as causas e a história de cada um.

  2. lucklucky

    MARIOFIG veja-se como a Direita do PSD e CDS se subjugam ao jornalismo e cultura marxista.
    Existem apenas porque são da camisola laranja e da camisola amarelo-azul e conseguem ter poder no seu grupo, mas não têm ideias algumas por baixo disso.

    Nem uma pessoa do PSD ou CDS que tenha notado – se estou enganado que alguém diga – contestou as quotas sexistas nas administração empresas pela simples razão que quotas são anti-Liberdade.

    Como o PSD e CDS não têm cultura não representam mais que um clube de interesses.

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