Deve Ser Isto O Virar Da Página Da Austeridade

No ano de 2016 registou-se a maior carga fiscal de sempre em Portugal – 34,7% do PIB. Ainda bem que está virada a página da austeridade!

cargafiscal

No gráfico, a carga fiscal inclui impostos diretos, indirectos e contribuições sociais efectivas.

Nacionalizado ao facebook e twitter do Jorge Costa.

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13 thoughts on “Deve Ser Isto O Virar Da Página Da Austeridade

  1. Claro que toda agente sentiu que a austeridade só se tinha agravado. Com grupos favorecidos à custa de todos (caso dos funcionários públicos), com substituição de impostos directos por impostos indirectos, cada vez o Estado nos chupa mais. Mas atenção: o gráfico de Jorge Costa é enganador; como as barras não partem do zero, o aumento da carga fiscal parece muito maior. Basta ver que a barra de 2016, com 34,7%, tem uma dimensão superior a 3 vezes à de 2005, com 29,9%. Estou habituado a ver este tipo de gráficos brandidos pelo PS para nos enganar; não devemos cair nos mesmos erros. Mas lá que a austeridade aumentou e muito, isso é verdade.

  2. lucklucky

    “Olha! A menor carga fiscal dos últimos 20 anos ocorreu nos governos de José Sócrates!”

    Se eu me endividar também posso dar mais presentes aos meus filhos…

    Dito isto a Direita em Portugal sempre aumentou os impostos.

    No entanto estranhamente ou não tem muitos fãs na Direita Liberal apesar de não combater o Marxismo em nada. Não combate na economia, não combate no mercado livre – na verdade odeia o mercado livre -não combate na cultura.

    Não representa coisa alguma a não ser o laranja e o azul e amarelo.

  3. jo

    E eu que cheguei a pensar que as queixas contra este governo eram por ele dizer que ia diminuir a austeridade e levar o país à falência.

    Afinal são porque as políticas continuam iguais e os amigos já não estão no poleiro.

  4. LUCAS GALUXO : “A menor carga fiscal dos últimos 20 anos ocorreu nos governos de José Sócrates!”

    Como bem assinala o LuckLucky, o que aconteceu foi o aumento dos gastos do Estado (em 2009 e 2010 na tentativa de relançar artificialmente a economia) terem sido financiados quase exclusivamente com fortes aumentos da divida pública.
    O resultado é conhecido : o relance da economia foi efémero (na verdade, teve mais a ver com a recuperação da economia no exterior) e as contas públicas ficaram ainda mais desequilibradas levando o pais para as portas da bancarrota e para um resgate financeiro.
    Já era um erro, sobretudo para um pequeno pais sobrendividado e com um fraco potencial de crescimento como Portugal, estar a aumentar os gastos do Estado, de um modo geral e ainda mais num momento de crise internacional.
    Mas o erro em cima do erro, o que levou o pais ao charco, foi ter aumentado fortemente a despesa sem ter aumentado impostos para a financiar, pelo menos parcialmente, levando tudo a endividamento.
    O aumento de impostos e da carga fiscal é naturalmente algo de indesejável e de negativo para a economia, como politica de fundo, a prazo, estrutural.
    Este é, naturalmente, o ponto de vista dos liberais.
    Mas, se os gastos do Estado são elevados e não há a intenção ou tempo de os cortar, se a divida pública já é elevada, então não aumentar impostos no imediato é abrir as portas para um rápido descalabro financeiro e para um agravamento ainda maior da crise económica.
    Foi o que, da exclusiva responsabilidade do governo Sócrates, aconteceu em Portugal até 2011.
    Esta é uma questão de simples bom senso e realismo e mesmo os liberais não podem dizer e fazer o contrario.
    Existem inúmeros exemplos históricos.
    Margaret Thatcher, conservadora liberal em economia, aumentou os impostos indirectos quando chegou ao governo para reequilibrar as contas públicas, mesmo antes de lançar o grosso das suas reformas liberais.
    A “Revolução” francesa é um caso de escola que ilustra bem este dilema.
    Os mais moderados e mais liberais em matéria económica consideravam que o reequlibrio das contas públicas era a prioridade e propunham uma reforma fiscal que permitisse um imediato aumento das receitas fiscais (juntamente com a venda de bens “nacionais”, da Coroa e da Igreja).
    Em contrapartida, os mais radicais (“jacobinos”) opunham-se a qualquer aumento de impostos e exigiam antes mais despesa pública, em particular de tipo “social”, financiada com mais endividamento (garantido pelos bens “nacionais”).
    A ausência de uma verdadeira reforma fiscal levou, como era previsivel, a um ainda maior desequilibrio das contas públicas e a uma forte inflacção, inclusivé dos preços de bens essenciais para a população, o que, por sua vez, favoreceu o descontentamento popular, incentivado e instrumentalizado pelos … radicais que, deste modo, acabaram por tomar conta do poder e por instaurar um regime de verdadeiro terror e arbitrio.
    Foram depois precisos uma sucessão de golpes de Estado para afastar os radicais e que desembocaram no regime napoleónico para que alguma ordem e algum realismo financeiro voltassem e estabilizassem a situação.
    Voltando a Portugal e ao século XXI, o que o gráfico em cima sobre a evolução da divida pública em % do Pib mostra sobretudo é que a manutenção da carga fiscal em torno dos 30% com os gastos e o endividamento do Estado a aumentar era insustentável e que, sem um forte corte nos gastos do Estado e um crescimento suficientemente forte da economia (na verdade até regrediu entre 2011 e 2014), uma redução do desequilibrio orçamental e uma relativa estabilização da divida pública só era possivel aumentando finalmente ainda mais a carga fiscal.
    De resto, a oposição de esquerda a esta “terapia”, que sustentava a pés juntos que existia uma alternativa que passava por acabar com a austeridade, aumentando ainda mais a despesa e o investimento do Estado, chegada ao governo deu o dito por não dito mantendo e até agravando ainda mais a austeridade, inclusivé aumentando ainda mais a carga fiscal.
    No fim de contas, a estabilização e o reequilibrio inicial das contas públicas é indispensável para qualquer politica económica minimamente sustentável.
    Mesmo numa perspectiva liberal, só com contas públicas minimamente reequilibradas é que as reformas liberais podem ser implementadas com tempo e sucesso criando assim condições para que a carga fiscal possa ser a prazo progressivamente e estruturalmete reduzida.

  5. JO : “E eu que cheguei a pensar que as queixas contra este governo eram por ele dizer que ia diminuir a austeridade e levar o país à falência.”

    As criticas contra os partidos que formam e apoiam este governo foram por terem dito que era possivel diminuir rápidamente a austeridade sem levar o pais à falência.
    Se o tivessem feito quando chegaram ao governo já há muito que o pais estaria na falência !… e a austeridade teria regressado mas muito mais forte !!
    Obviamente que não era viável e, felizmente, do mal o menos, o governo actual não fez tudo o que dissera, não acabou com a austeridade e assim não levou o pais à falência … por enquanto, ainda !!
    As queixas contra este governo, agora, é por ele dizer que acabou com a austeridade quando a aumentou !
    As queixas contra este governo, agora, é por ter parado e revertido as reformas estruturais que o pais precisa fazendo com que, mais cedo ou mais tarde (consoante as condições externas), mesmo aumentando a austeridade, o pais acabe por ir de novo à falência (o indicador a vigiar é o das taxas de juro da divida pública).

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