O retorno de Deus

Será que a Europa vai reagir ao islamismo retornando a Deus? O meu artigo no ‘i’.

O retorno de Deus

“Le retour du religieux (…) je le savais pour ma part inéluctable dès l’âge de quinze ans.” “Soumission”, Michel Houellebecq, p. 267.

Esta frase é proferida pelo director da Universidade de Sorbonne, um belga convertido ao islamismo numa França, em 2022, com um presidente muçulmano. Em “Soumission”, Michel Houellebecq retrata a escolha que uma França adormecida se vê forçada a fazer entre uma Frente Nacional radicalizada e um partido islâmico moderado.

Como todas as histórias futuristas, esta parece fantasticamente implausível para ser possível. Mas, se Houellebecq não quis descrever avanços tecnológicos que não antevê – a forma de comunicar é hoje mais evoluída que a do livro –, acerta num ponto que deixa qualquer um de sobreaviso: os partidos tradicionais estão em crise e, na vida real, já em 2017, podem não ir à segunda volta das presidenciais.

Quem nos conta o que se passa é François, um académico estudioso de Joris-Karl Huysmans, escritor francês do século XIX, expoente maior do decadentismo e que se converteu ao catolicismo. François é um francês deste século, sem ligações nem ao país nem a ninguém, que se interroga perante a submissão inevitável que os homens terão de aceitar para se elevarem acima do que são.

“Soumission” não é apenas o adivinhar da falência política de um regime, mas a indicação de um caminho: a crença em algo mais forte que nós para que sejamos mais que uma decadência adormecida. Assim, ou Houellebecq, que disse já não ser ateu, se engana, ou a reação europeia será religiosa.

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5 thoughts on “O retorno de Deus

  1. jo

    Um exemplo típico de pensamento circular.

    A paranoia leva alguém a escrever um livro em que imagina a França dominada pelos muçulmanos, seguidamente alguém cita o livro para provar que os muçulmanos estão a dominar o ocidente.

  2. JO : “A paranoia leva alguém a escrever um livro em que imagina a França dominada pelos muçulmanos, seguidamente alguém [ANDRE ABRANTES AMARAL] cita o livro para provar que os muçulmanos estão a dominar o ocidente.”

    ANDRE ABRANTES AMARAL : “Como todas as histórias futuristas, esta parece fantasticamente implausível para ser possível.”

    Parece que a “paranoia” está antes do lado do JO !…

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